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Pato lembra do dia em que chorou no Corinthians: senti dor, não era nada

Alexandre Pato, do São Paulo - Bruno Ulivieri/AGIF
Alexandre Pato, do São Paulo Imagem: Bruno Ulivieri/AGIF

Do UOL, em São Paulo

04/04/2020 15h59

Alexandre Pato abriu o jogo durante o ResenhaDeCasa, edição especial do programa da ESPN Brasil que vai ao ar hoje (4), a partir das 17 horas. Em conversa com o apresentador André Plihal, e os ex-jogadores Alex, Djalminha e Fábio Luciano, o camisa 7 do São Paulo revelou até detalhes de sua passagem pelo Corinthians.

"Quando eu voltei para o Corinthians, eu perdi totalmente minha confiança devido a todas as minhas lesões. Eu voltei muito mais ao Brasil graças ao meu amigo Bruno Mazioti que estava no Corinthians. E em um mês ele me colocou em um estado físico normal", disse o atacante, que defendeu o Alvinegro em 2013.

"Tem até uma coisa que poucos sabem: teve um jogo pelo Corinthians que passaram uns 20 minutos e eu senti uma dor na perna. Passou um filme na minha cabeça, já achei que aconteceria todo o drama de novo. Eu olho para o Bruno no banco e falo que minha perna abriu... Ele pediu para eu ficar mais um tempo em campo. Passam 2 minutos, eu faço um gol. Logo depois do gol eu saio de campo, fico chorando no banco... Na hora de ir para o vestiário, fomos trotando para testar minha perna. Já no vestiário ele fez um teste na minha perna e constatou que eu não tinha nada. Ou seja, faltava confiança em mim. Faltava pensar 'vai, vai que não é nada'", completou Pato.

Algumas histórias contadas pelo camisa 7 também eram dos tempos em que ele defendia o Milan. Lá, ele atuou ao lao de astros como Ronaldo, Kaká e Ibrahimovic.

"Vou contar uma boa do Ibra. Essa é boa. O único jogador que ele tinha medo era o Onyewu. Teve um treino que esse Onyewu tinha voltado de uma cirurgia bem importante. Ele estava fora de ritmo e sem querer deu um toque na perna do Ibra, e ele ficou muito nervoso. Na sequência, o cara estava de costas e o Ibra deu uma tesoura nele. Aí o Ibra foi tentar segurar ele pelo gogó, só que o Onyewu pegou ele e derrubou ele no chão, deu uma chave nele, armou o soco, só que ele tem um coração muito bonzinho, e mesmo com o soco armado, ele respirou e saiu andando", disse Pato.

Veja mais alguns trechos da participação de Pato:

Milan com Ronaldo

Teve um lance em um jogo do Milan que o Ronaldo me deu uma assistência que eu desacreditei. Um passe cruzado, em diagonal. Foi todo o time para um lado e ele passa para mim na esquerda. Eu bato e a bola vai na mão do goleiro. A bola volta para o Ronaldo, ele me dá outra assistência e a bola sobra para o Seedorf fazer o gol. Na comemoração, todo mundo vibrando e ele chega em mim e diz: "Pô, garoto... Você podia ter me consagrado, hein?"

Ronaldinho Gaúcho ou Neymar

A época de hoje é muito diferente da época passada. Hoje o futebol é muito mais rápido, ninguém para em uma posição só nos 90 minutos. Todo mundo volta, todo mundo marca. Antes tinha mais a elegância. Para o futebol hoje, é óbvio que o Neymar está muito na frente dos adversários, mas naquela época o Ronaldinho era incrível. O que eu vi nele no Milan e na seleção eu não vi ninguém consegui fazer com a bola. Talvez até hoje o Neymar não consiga fazer.

Precoce

Tudo aconteceu muito cedo. Já desde cedo eu tive muitas propostas, e minha escolha pelo Milan era exatamente para jogar com meus ídolos, com os caras que eu jogava no PlayStation. Chegando lá eu tive que me adaptar ao futebol italiano. No meu primeiro e segundo anos eu fui muito bem. Tive lances que ficaram marcados na minha história, mas começou o período de lesão.

Lesões

A minha primeira lesão me dificultou muito. Só que a diferença de hoje para aquela época é que a minha cabeça é muito diferente. Eu cheguei muito rápido lá em cima, mas a minha escada não estava muito bem construída. Foi tudo muito rápido. Quando começaram as lesões, se eu tivesse uma estrutura por trás, um fisioterapeuta, um preparador... Naquela época eu fui indo, indo, indo e cada vez eu encontrava um profissional. Hoje eu tenho minha equipe, meu nutrólogo, tudo. Hoje, com a estrutura que tenho, sei que poderia ter feito muitas outras coisas no passado. Mas Deus quis que fosse assim. Muitos diziam: 'Ah, o Pato já conseguiu muita grana, não tem objetivo...' Eu penso que todo aquele sacrifício que eu fiz trouxe o que eu conquistei.

São Paulo