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'Não sei se voltaria a trabalhar como dirigente de futebol', diz Sheik

Emerson Sheik concede entrevista ao UOL em dezembro de 2018 - Marcio Komesu/UOL
Emerson Sheik concede entrevista ao UOL em dezembro de 2018 Imagem: Marcio Komesu/UOL

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/04/2020 15h52

Coordenador de futebol do Corinthians em 2019, Emerson Sheik não pretende voltar a trabalhar como dirigente. Convidado do Fox Sports Rádio desta sexta-feira, o ex-jogador conta que não se sentiu confortável na função, principalmente devido a situação financeira do Alvinegro.

"Não sei se eu voltaria a trabalhar como dirigente de futebol. Um clube que, financeiramente, não esteja caminhando bem, é muito difícil você trabalhar, não só nas contrações, mas na manutenção. Todo mês, a conta chega. Quando eu vejo um profissional trabalhando 30 dias e, no final do mês, eu não puder arcar com o que ele produziu, eu vou me sentir mal, e não sei se quero isso para a minha vida. O Corinthians, por exemplo, não atrasa salários. O Corinthians, hora ou outra, deixa de pagar uma nota, alguma coisa, mas não demora muito. Mas esse tempo, para mim, não é bacana. Então, como diretor de futebol, acho que não voltaria mais", disse Sheik, que completou:

"A minha experiência foi boa, porque acho que pude aprender, mas tem muitas coisas que eu acho que eu levo jeito. Lá no Corinthians, por exemplo, eu vejo o Andrés dando mil cavalinhos de paus para poder honrar os compromissos. É muito difícil trabalhar numa situação dessas".

Já sobre as saídas de Ralf e Jadson no início desde ano, Sheik afirmou que a dupla, além de ter condições de jogar em qualquer clube brasileiro, merece respeito pela história construída no Corinthians.

"São dois atletas que têm uma história linda dentro do clube. Entendo que o treinador tem o direito de optar em trabalhar ou não com o atleta, é uma decisão do treinador. Eu gosto muito do futebol do Jadson. Eu gosto muito do futebol do Ralf", disse o ex-jogador que, na sequência, destacou as virtudes da dupla:

"O Jadson, para mim, é um talento. Muito se fala que o Jadson está velho, eu discordo um pouco disso. Eu acho que o Jadson, em boa forma, pode jogar em qualquer clube do futebol brasileiro. O Jadson é craque, é diferenciado. O Ralf é diferente também. O Ralf é aquela força toda, um cara extremamente comprometido, um baita profissional. Para mim, ele também joga em qualquer lugar do Brasil".

Sobre as reclamações tanto de Jadson quanto de Ralf a respeito da forma com que deixaram o Alvinegro, Sheik evitou polêmicas, mas afirmou que seus ex-companheiros devem ser respeitados:

"A maneira que, talvez, esses atletas entenderam no momento em que saíram, que poderia ser diferente, um pouco mais respeitosa. Aí é uma opinião deles, eu não estava mais lá. (...) Agora, tem que saber quem abordou esses atletas, porque são atletas que merecem, sim, ser respeitados por toda a história que têm no Corinthians".

Polêmica no Flu e xingamento a Dudu

Com passagem pelo Fluminense entre 2010 e 2011, Sheik recordou o episódio que resultou em sua saída do clube. No ônibus tricolor durante viagem pela Copa Libertadores de 2011, o então tricolor cantou a música "bonde do Mengão sem freio", que faz alusão do rival Flamengo.

"Entre essas saídas para treinamento, é aquele hábito do atleta, de ouvir música no ônibus para passar o tempo, descontrair. E a gente estava ali ouvindo de tudo um pouco. Em algum momento, tocou a música... Não era música do Flamengo, era música que falava de Flamengo, de Vasco, de Fluminense e Botafogo, e todos estavam cantando. Eu acho que, no momento que falava do Flamengo, a minha voz aparecia um pouco mais. (...) Eu acho que foi um grande mal entendido", opinou o ex-jogador.

Além disso, Sheik voltou a pedir desculpas a Dudu, atacante do Palmeiras, por xingá-lo em festa após conquista do Campeonato Paulista de 2018. Alegando ter bebido 'um pouquinho a mais', o campeão mundial com o Corinthians afirmou que o episódio não lhe faz bem até hoje.

"Teve um episódio que marcou muito a minha carreira enquanto atleta, acho que eu passei dos limites. Eu fiz questão de pegar o meu telefone e ligar para ele, pedir desculpas não só a ele, mas a toda a família. Eu pedi desculpa publicamente inclusive algumas vezes. Eu estava no final da minha carreira e queria muito um título para encerrar encerar com título. Bom, nós ganhamos o Paulista e eu fui comemorar esse título, sabendo que não ia mais jogar futebol. Nessa festa, eu bebi um pouquinho a mais e eu peguei o microfone e, erradamente, eu xinguei o Dudu, do Palmeiras", relembrou Emerson, que completou:

"Isso é uma coisa que eu vou ter que levar pelo resto da vida dentro de mim. Isso não me faz bem. Sempre que lembro, fico triste, porque esse não sou eu. Não sei por que fiz aquilo. Eu passei do ponto, falei o que não deveria falar. Mais uma vez, Dudu, um beijo. Desculpa!".

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