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Crise do coronavírus projeta novo sindicato com Alex, Prass e Paulo André

07.out.2013 - Juninho Pernambucano, Seedorf, Cris, Dida e Paulo André representaram o Bom Senso F.C. em reunião com a CBF - Pedro Ivo Almeida / UOL Esporte
07.out.2013 - Juninho Pernambucano, Seedorf, Cris, Dida e Paulo André representaram o Bom Senso F.C. em reunião com a CBF Imagem: Pedro Ivo Almeida / UOL Esporte

Pedro Lopes

Do UOL , em São Paulo

25/03/2020 04h00

Classificação e Jogos

Em meio à paralisação do futebol brasileiro por causa do coronavírus, clubes e atletas negociam medidas de redução salarial. Em São Paulo, representando atletas de Corinthians, São Paulo e Palmeiras, um novo sindicato com presidido pelo ex-centroavante Washington Mascarenhas e com nomes como Alex, Fernando Prass e Paulo André em sua estrutura vem participando das negociações e adquirindo protagonismo.

O Sindicato dos Atletas de Futebol do Município de São Paulo começou a ser fundado em 2018. Além de Paulo André, Alex (membros do conselho fiscal) e Prass (delegado), ele é composto por outros ex-atletas como Ricardo Berna, William Machado e presidido pelo ex-centroavante Washington Mascarenhas, que atuou por Palmeiras e vários outros clubes. Alguns nomes eram parte do Bom Senso FC, que atuou entre 2013 e 2016 na defesa de direitos de jogadores, mas o sindicato não guarda nenhuma relação com o antigo movimento.

O SIAFMSP se propõe a ser uma alternativa ao Sindicato Profissional dos Atletas do Estado de São Paulo, presidido desde a década de 90 pelo ex-goleiro Rinaldo Martorelli. Pessoas ligadas à nova entidade afirmam que ela surgiu em meio à insatisfação de atletas com a atuação do sindicato paulista, que buscavam alternativas.

Ao UOL Esporte, atletas confirmaram que tem mantido conversas com o SIAFMSP durante a crise do coronavirus. Encontros vêm ocorrendo com cerca de 40 jogadores, tendo como pauta uma reação à proposta de redução de salário apresentada pelos clubes, além da tentativa de consolidar a entidade na representaçãpo de atletas dos clubes paulistados - incluídos aí o São Paulo, o Corinthians, o Palmeiras e o Juventus, da Mooca. A entidade também tem participado das conversas com clubes ao lado da Fenapaf.

Atletas indicam rejeição à proposta de redução de salários, e crise pode virar disputa legal

Até a noite desta terça-feira, a posição de atletas e das entidades sindicais ao redor do país era a de rejeitar a última proposta dos clubes, que previa redução salarial de 25%, depois de antecipação das férias para o período entre 1 e 20 de abril. A ideia dos jogadores e seus representantes é apresentar uma contraproposta hoje ou nos próximos dias.

Uma das opções em debate entre os atletas é aceitar o período de férias e utilizá-lo para tentar estender as negociações. Outra é propor reduções diferenciadas de acordo com faixa salarial dos jogadores - isso, entretanto, pode requerer tempo e pesquisa e, por isso, também depender do periodo de férias.

Os clubes, por sua vez, seguem na visão de que uma redução salarial de jogadores é essencial à sua sobrevivência. Com fontes de receita se esgotando - patrocinadores tem suspendido pagamentos e não há mais bilheteria - as agremiações tem nas folhas salariais dos elencos suas maiores despesas, e o clima é de apreensão com os próximos meses.

Neste contexto, a recusa dos futebolistas e sindicatos pode resultar em uma resposta mais dura: os clubes já admitem conceder as férias com base na MP 937, publicada pelo presidente Jair Bolsonaro, contra a vontade dos jogadores. O desconto salarial pode seguir o mesmo caminho, com base no artigo 503 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que prevê desconto de até 25% em salário em caso de redução da jornada de trabalho por razões de força maior.

Se os clubes já estudaram um fundamento jurídico para aplicar a redução caso não haja acordo, o mesmo começa acontecer do outro lado. Advogados especialistas em direito esportivo e trabalhista já mantém contato com atletas, para caso a situação termine em briga judicial. Representantes de atletas afirmam que os conselhos tem sido, quase sempre, pela não aceitação de redução salarial, com a busca por outra solução.

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