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Por Covid-19, Cruzeiro descarta antecipar eleições e pode recorrer ao TRE

José Dalai Rocha, presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, descartou antecipar eleições de maio - Bruno Haddad/Cruzeiro
José Dalai Rocha, presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, descartou antecipar eleições de maio Imagem: Bruno Haddad/Cruzeiro

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

19/03/2020 14h45

Apesar do desejo já manifestado de vários conselheiros, além de candidados à presidência do Cruzeiro, José Dalai Rocha, presidente do Conselho Deliberativo do clube, descartou antecipar as eleições. Agendado para o dia 21 de maio, foi solicitado uma mudança do pleito para o dia 7 de abril. O principal motivo para o veto é a pandemia do coronavírus.

"Com o mundo praticamente em quarentena, não posso nem devo antecipar eleições como é o desejo manifesto de tantos cruzeirenses. Em primeiro lugar, para fins práticos, pouco altera antecipar em 20 ou 25 dias a eleição do dia 21 de maio. Em segundo lugar, não há expectativa otimista de extinção do Coronavírus nas próximas semanas, sendo assim irresponsabilidade, ou até mesmo infração penal, a convocação do Conselho para o mês de abril", informou Dalai, por meio de nota oficial à imprensa.

Neste momento, o Cruzeiro é gerido por um grupo de gestores. A expectativa é que um presidente seja eleito para um mandato "tampão" a partir de maio, ocupando a cadeira principal até dezembro, quando terminaria a gestão de Wagner Pires de Sá, que renunciou ao cargo no final de 2019. Em outubro, a tendência é que outra eleição ocorra, desta vez para decidir o presidente para o triênio 2021-2023.

Na nota, Dalai ainda afirmou que cogita procurar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e órgãos de saúde pública para verificar a possibilidade de fazer a eleição sem aumentar os riscos de propagação do coronavírus.

Abaixo, leia a nota do presidente do Conselho Deliberativo na íntegra:

"Há apenas três meses, o Cruzeiro sofreu o tsunami da renúncia forçada de sua diretoria; a descoberta de uma terra arrasada em suas finanças, com dívidas tão inimagináveis como urgentes e, finalmente, a queda para a Série B.

Apagando incêndios todo dia, cortando despesas, vendendo veículos, recolhendo cartões corporativos, renegociando contratos absurdos, conseguimos reduzir para 3 uma folha mensal que beirava os 20 milhões de reais.

Há algumas semanas, finalmente, colocamos no rol das prioridades o futebol, a reforma administrativa do Estatuto e a antecipação das eleições marcadas para 21 de maio, tendo em vista a manifestação majoritária de conselheiros, do Conselho Gestor e da torcida.

Porém, o mundo foi surpreendido com a terrível ameaça do Corona vírus, provocando a retração econômica, social, e a suspensão provisória de todos os esportes. Uma realidade apavorante nunca vista pela nossa geração e nem a anterior.

Tudo hoje é um desafio. Mas há um ponto de consenso geral: Quem, como nós e o Conselho Gestor, tem hoje a responsabilidade de conduzir o Cruzeiro deve priorizar vidas humanas, preserva-las o máximo possível e depois, sim, atacar outras prioridades.

Após determinar a higienização geral, diversas vezes ao dia, das dependências da sede administrativa, das sedes sociais, da Toca l e Toca 2, limitamos a presença física apenas quanto aos funcionários fora dos grupos de risco; suspendemos toda atividade esportiva, agendas de encontros, reuniões e viagens até as já programadas, passando a adotar vídeos conferências, especialmente para a solução de nossa prioridade AA que são as dívidas inscritas na FIFA, a vencerem no fim deste mês de março.

Paralelamente, e com o apoio geral de nosso Grupo Gestor, conseguimos reunir, novamente, uma dupla vencedora na Série B, formada pelo diretor Ricardo Drubscky e o técnico Enderson Moreira, vencedores da Copa São Paulo de Futebol Junior, pelo Cruzeiro, em 2007, e pelo título de Campeão da Série B, pelo América, em 2017.

Até quem, por ambições pessoais incontroláveis, sistematicamente torce contra o Presidente e o Conselho Gestor, não consegue criticar o treinador admirado e respeitado que troca um clube da série A por um da série B, revelando a sua confiança na reconstrução do Cruzeiro.

A esperança é azul, de novo, e faz ressurgir até a expectativa de conseguirmos passar de fase na Copa do Brasil se e quando o torneio for retomado.

Com o mundo praticamente em quarentena, não posso nem devo antecipar eleições como é o desejo manifesto de tantos cruzeirenses. Em primeiro lugar, para fins práticos, pouco altera antecipar em 20 ou 25 dias a eleição do dia 21 de maio. Em segundo lugar, não há expectativa otimista de extinção do Coronavírus nas próximas semanas, sendo assim irresponsabilidade, ou até mesmo infração penal, a convocação do Conselho para o mês de abril.

Por óbvio, se infelizmente a pandemia não for debelada a tempo, vamos examinar, com o nosso TI e solicitando a colaboração técnica do T.R.E., bem como dos responsáveis pela Saúde Pública, uma forma de convocar o Conselho Deliberativo para a eleição do Presidente do Cruzeiro, dois vices, e da Mesa Diretora do Conselho colhendo-se os votos de conselheiros, natos e beneméritos sem risco para os participantes.

Até que se resolva a questão eleitoral, terá o Cruzeiro o privilégio de continuar contando com a dedicação voluntária e praticamente em tempo integral do Conselho Gestor para reconstruir o Clube.

São empresários vitoriosos, experientes, respeitados em todo o País e que, pelo amor ao Cruzeiro, sem retribuição de qualquer espécie, estão colocando a casa em ordem.

JOSÉ DALAI ROCHA
Presidente do Cruzeiro Esporte Clube"

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