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Grêmio e Inter se uniram por paralisação do Gaúcho; saiba quem votou e como

Renato Portaluppi, técnico do Grêmio, de máscara durante partida contra o São Luiz - Maxi Franzoi/AGIF
Renato Portaluppi, técnico do Grêmio, de máscara durante partida contra o São Luiz Imagem: Maxi Franzoi/AGIF

Jeremias Wernek e Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

16/03/2020 15h07Atualizada em 16/03/2020 15h27

Resumo da notícia

  • A reunião que definiu a paralisação do Campeonato Gaúcho mostrou Inter e Grêmio unidos.
  • Os dois maiores do RS votaram pela parada no torneio, ao lado de Brasil de Pelotas, Juventude, Pelotas e Esportivo.
  • O Novo Hamburgo votou pela paralisação, mas pediu ajuda aos clubes maiores para honrar pagamentos.
  • O São Luiz defendeu o cancelamento imediato do torneio.
  • Ypiranga e São José não se manifestaram.
  • O Aimoré e Caxias defendiam a sequência na competição, mas com portões fechados.

Grêmio e Internacional lideraram o movimento para discutir o futuro do Campeonato Gaúcho de 2020. Foram os rivais de Porto Alegre que instigaram a reunião de hoje (16) na FGF (Federação Gaúcha de Futebol) para definir pela paralisação do estadual. A dupla Gre-Nal puxou a fila dos clubes que queriam a suspensão, mas não encontrou unanimidade.

O movimento começou com o Tricolor. Com jogadores e comissão técnica entrando em campo usando máscaras para a partida contra o São Luiz, no domingo, que já teve portões fechados, os azuis mostraram sua posição. Firme e irredutível, o clube manteve postura pela suspensão do torneio.

Mais tarde, dois jogadores do Inter puxaram a fila de manifestações em redes sociais. Musto e D'Alessandro pediram que os torneios no país fossem parados. Nos momentos que antecederam o jogo com São José, também com portões fechados, ou mesmo depois da partida, o Colorado foi forte na posição pela paralisação.

Na reunião, na manhã de hoje, na sede da Federação Gaúcha de Futebol, Inter e Grêmio puxaram a fila dos clubes que defenderam a paralisação. Estiveram acompanhados pelos outros dois clubes de melhor divisão no Estado, Juventude e Brasil de Pelotas. O Esportivo e o Pelotas também fizeram parte do grupo.

"Estivemos bem desarmados na reunião, queríamos mais ouvir a maioria. Mas é uma questão de saúde, não de futebol. Acho que prevaleceu o bom senso. Se nós tentássemos continuar e o Sindicato (dos Atletas Profissionais do RS, também representado na reunião) interrompe o campeonato poderia parecer uma irresponsabilidade. Vamos aguardar e debater neste período", disse o presidente do Juventude, Walter Dall Zotto Jr., ao UOL Esporte.

"O Pelotas é favorável à paralisação. Sabíamos que isso iria acontecer, até para esperar os próximos passos desta situação, para que depois tomemos uma decisão sobre o campeonato. O Pelotas apoiou porque entendemos que não é a questão de pensar no futebol agora, é maior do que isso, é uma questão de saúde", explicou Gilmar Schneider, presidente do Pelotas, também ao UOL Esporte

O Novo Hamburgo adotou uma postura peculiar. O campeão gaúcho de 2017 concordou com a paralisação, porém referiu que os clubes do interior sofrem pelos parcos recursos que têm. Muitos jogadores possuem contratos vencendo exatamente na data prevista para o encerramento do Estadual. Desta forma, pediu que a dupla Gre-Nal separasse parte de sua cota de televisionamento (R$ 13 milhões, contra R$ 1,5 milhão de Juventude e Brasil de Pelotas e R$ 750 mil dos demais) para ajudar os menores a ampliar tais vínculos e cumprir o torneio.

Outra posição isolada foi a do São Luiz. Preocupado com a condição financeira dos clubes e pelo fato da maioria das equipes ter apenas mais três jogos para fazer (restam apenas três rodadas da fase de grupos do returno), a equipe solicitou o cancelamento imediato da competição. Restaria o debate sobre quem seria nomeado campeão, o Caxias - que venceu o primeiro turno - ou o melhor classificado na soma de pontos. O clube de Ijuí defende que nenhuma equipe seja rebaixada, neste cenário.

Ypiranga e São José optaram por votar com a maioria e não firmaram posição na reunião.

Dois clubes queriam seguir jogando

O Aimoré, de São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, se posicionou pela sequência do campeonato. Embasado em questões financeiras, o Índio Capilé (apelido do clube) pediu a sequência dos jogos sob regime de portões fechados. A direção do clube alegou que as equipes já têm dificuldades grandes para manter o funcionamento do futebol e com a paralisação sofreriam mais ainda. Foi voto vencido.

O Caxias tinha opinião semelhante. Ainda que não tivesse situação previamente definida, o campeão do primeiro turno do Estadual entendia que os jogos deveriam seguir sendo disputados para encerrar o returno nas próximas semanas, dada tendência de piora na situação. Com o passar do encontro, o clube acatou a decisão da maioria pela paralisação, por estar aberto ao debate sobre o tema.

A partir das opiniões de todos, a Federação Gaúcha de Futebol optou por suspender o Gauchão pelos próximos 15 dias. Durante este período será aberto um gabinete de crise para tratar durante 24 horas de forma emergencial dos problemas causados pelo COVID-19. Até agora são sete casos oficiais no Rio Grande do Sul, sendo cinco em Porto Alegre.

Durante os 15 dias de parada será definida estratégia para retomada da competição ou ainda determinado cancelamento. Ao mesmo tempo, a Divisão de Acesso - segunda divisão do futebol gaúcho - também segue parada.

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