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Fluminense vence o Vasco e quebra tabu em clássico melancólico no Maracanã

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Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

15/03/2020 20h02

Classificação e Jogos

Em jogo muito ruim no Maracanã com portões fechados por conta do coronavírus, o Fluminense foi cirúrgico e venceu hoje o Vasco por 2 a 0, com gols de Evanílson e Fernando Pacheco. Apesar de estar com o time completo, o Tricolor teve atuação fraca contra um Cruz-Maltino repleto de garotos e reservas.

Com a vitória, a primeira após 10 jogos sem bater o rival no clássico, o Fluminense segue líder do Grupo B e com 100% de aproveitamento na Taça Rio, com nove pontos em três jogos. De quebra, o Tricolor também recuperou a ponta na classificação geral do Campeonato Carioca, com 24 pontos, dois a mais do que o rival Flamengo.

Caso permaneça assim, o Fluminense terá duas chances de chegar à decisão do Estadual: o título da Taça Rio ou uma conquista rubro-negra, que forçaria a decisão da equipe que venceu as duas taças com o melhor colocado da tabela por pontos corridos.

Evanílson mostra estrela de novo

O Fluminense vinha mal, criava pouco e via um Vasco cheio de garotos bem melhor em campo no primeiro tempo. Até que Evanílson voltou a mostrar estrela. O camisa 9 se deslocou em diagonal por dentro, recebeu lindo passe de Nenê, protegeu a bola, mostrou frieza e encobriu Fernando Miguel com um toque de classe para abrir o placar.

Andrey joga bem de novo, mas sozinho

Andrey tem sido um dos poucos destaques do Vasco em 2020. No clássico contra o Fluminense, não foi diferente. O volante desarmou, armou, correu e finalizou, mas não teve a companhia de outro jogador na equipe desorganizada de Abel Braga. Fora o zagueiro Ricardo Graça, ninguém mais fez boa partida no Cruz-Maltino, apesar da vontade bem acima de seu adversário para vencer o jogo.

Com ataque confuso, Flu joga no erro e vence

Odair Hellmann insistiu mais uma vez com a formação com Nenê na meia, Marcos Paulo na ponta e Evanílson centralizado. Apesar do lance do gol, fincado na qualidade individual, o ataque não funcionou bem. Desorganizado do meio para a frente, o Tricolor criou muito pouco contra uma equipe fraca tecnicamente, o que volta a servir de alerta para a equipe, que repetiu os erros da derrota para o Figueirense pela Copa do Brasil, mas teve precisão cirúrgica na melhor oportunidade criada.

Vasco volta a jogar mal, e Abel balança

O futuro de Abel Braga segue indefinido no Vasco. Convencido a ficar após derrota para o Goiás em São Januário, em atuação apática, o treinador mandou um time de garotos para o clássico e não pode reclamar de falta de vontade. Os jovens mostraram muito mais apetite que o Fluminense, mas esbarraram em erros técnicos e na falta de entrosamento. Desorganizado, o Cruz-Maltino jogou mal mais uma vez, e o técnico segue balançando no cargo.

Pacheco desencanta no fim

O peruano Fernando Pacheco enfim anotou seu primeiro gol com a camisa do Fluminense. Após sete jogos, o atacante de 20 anos substituiu Marcos Paulo e balançou as redes de cabeça aos 42 minutos do segundo tempo. Veloz, o atacante completou um rebote para as redes e deu números finais ao clássico.

O jogo

Em mais um dia de portões fechados no Maracanã, Vasco e Fluminense chamaram mais atenção pela entrada em campo - um com máscaras de proteção, e outro fazendo gesto combinado com o Sindicato de Atletas de Futebol do Rio de Janeiro (Saferj) - do que pelas atuações no início da partida.

Até a parada técnica, só o Cruzmaltino incomodava no ataque: aos 11, Cayo Tenório cruzou na medida para Marrony, que bateu de chapa tirando tinta de Muriel. No minuto seguinte e aos 18, Juninho e Andrey tentaram de longe, testando o goleiro tricolor.

A essa altura, o time de Odair Hellmann jogava desorganizado. Insistindo no encaixe ruim de Marcos Paulo na ponta e Nenê entre as linhas, a equipe não fazia bom jogo coletivamente, já que os volantes, expostos, se esforçavam além da conta para fechar os buracos abertos pelo camisa 77 na recomposição, enquanto os pontas, muito abertos, participavam pouco do jogo e não municiavam Evanílson.

Quando já era inferior no jogo, entretanto, o Flu achou na qualidade individual uma jogada para abrir o placar. Aos 28, Nenê recebeu no meio e deu linda enfiada para Evanílson, que protegeu e tocou por cobertura na saída de Fernando Miguel para marcar um golaço no clássico.

O Vasco, repleto de garotos, sentiu a desvantagem e se desorganizou o suficiente para perder o ímpeto no ataque. A partida ficou em ritmo mais lento, com o Tricolor tendo apenas uma chance em falta sofrida por Evanílson, em jogada bem parecida com a do gol. Apesar de derrubar o camisa 9 do Flu na risca da área, Ricardo Graça levou apenas amarelo - e já havia dado carrinho em Nenê. Ficou barato para o jovem zagueiro.

Na volta do intervalo, o filme parecia repetido. Em vantagem no placar, o Tricolor recuou um pouco e cedeu a bola ao desorganizado Vasco, apostando em esticadas para o ataque. A estratégia funcionou em partes, pois a posse foi inimiga de um ineficiente Cruzmaltino no início da segunda etapa. Por outro lado, o Flu de Odair não criava nada ou agredia o adversário, apenas trocando passes e cavando faltas.

Panorama que pouco mudou na continuação do jogo, modorrento e sem vontade por parte do Fluminense, e sem inspiração alguma da equipe de Abel Braga. No fim, já sem centroavantes, o Tricolor de Odair Hellmann chamou o Vasco para o seu campo e anotou em um contra-ataque: aos 42, Caio Paulista acertou a trave, e no rebote, Fernando Pacheco marcou de cabeça o segundo do jogo, seu primeiro com a camisa tricolor.

FICHA TÉCNICA
VASCO 0 x 2 FLUMINENSE

Data: 15 de março de 2020, domingo
Competição: Campeonato Carioca (Taça Rio - 3ª Rodada)
Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: João Batista de Arruda
Auxiliares: Silbert Faria Sisquim e Rafael Gomes Rosa
VAR: Rodrigo Carvalhaes de Miranda
Gols: Evanilson, aos 28' do 1º tempo, e Fernando Pacheco, aos 42' do 2º tempo.
Cartões amarelos: Alexandre, Cayo Tenório, Ricardo e Andrey (Vasco); Matheus Ferraz e Hudson (Fluminense)

Vasco: Fernando Miguel, Cayo Tenório (Kaio Magno), Miranda, Ricardo e Alexandre Melo; Andrey, Raul e Juninho; Marrony (Yago Pikachu), Ribamar e Vinícius. Técnico: Abel Braga

Fluminense: Muriel, Igor Julião, Nino, Matheus Ferraz e Egídio; Hudson, Yago Felipe e Nenê; Wellington Silva (Caio Paulista), Evanilson (Ganso) e Marcos Paulo (Fernando Pacheco). Técnico: Odair Hellmann