Topo

Elenco do PSG se fecha em torno de Neymar após racha com Leonardo e Tuchel

Neymar e Mbappé comemoram gol do PSG na vitória sobre o Lyon na Copa da França - Philippe DESMAZES / AFP
Neymar e Mbappé comemoram gol do PSG na vitória sobre o Lyon na Copa da França Imagem: Philippe DESMAZES / AFP

João Henrique Marques

Do UOL Esporte, em Paris

10/03/2020 04h00

Uma bronca do diretor esportivo do Paris Saint-Germain, Leonardo, aos jogadores foi endossada pelo treinador Thomas Tuchel. O motivo básico era o comportamento festivo do grupo após a derrota para o Borussia Dortmund por 2 a 1, na partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. Neymar, Cavani e Keylor Navas apareceram no centro da discussão pela exposição em vídeos, mas foram defendidos internamente em peso pelo elenco. Assim, o PSG agora tem vestiário fechado após um racha dos jogadores com dirigentes e comissão técnica.

Segundo apurou o UOL Esporte, a reunião promovida por Leonardo contou com a exibição dos vídeos da festa de aniversário de Cavani, Icardi e Di Maria e frases fortes com pedido para que qualquer jogador insatisfeito deixasse o clube. É unânime a opinião do elenco de que o diretor coloca os jogadores contra a torcida parisiense e persegue Neymar desde a novela envolvendo a transferência ao Barcelona.

Para o grupo, Neymar foi injustiçado pela diretoria com críticas por realizar festa de aniversário, que contou com a presença em peso do elenco, e nenhuma figura da diretoria ou comissão técnica. A defesa é a de que o camisa 10 não faz corpo mole em jogos e treinamentos, se esforça na marcação e é líder nos vestiários.

Elenco do PSG se reúne para almoço - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

A reunião surpresa de Leonardo gerou um almoço do elenco logo depois. O italiano Verratti foi o organizador do evento em um restaurante em Paris (foto acima) para discutir o tema sem a presença da comissão técnica e dirigentes. Para eles, Neymar foi injustiçado pela diretoria com críticas por realizar festa de aniversário, que contou com a presença em peso do elenco. A defesa argumenta que o camisa 10 não faz corpo mole em jogos e treinamentos, se esforça na marcação e é peça fundamental para o desempenho do time. Sua recente irritação com o clube por ficar afastado de 4 jogos também gerou revolta dos companheiros.

Do entorno dos brasileiros do PSG, Neymar, Marquinhos e Thiago Silva, a análise é de que o elenco do PSG está confiante em reverter o placar contra o Borussia Dortmund e decidido em seguir a temporada sem se importar com as palavras de Leonardo ou Tuchel

A relação com o grupo do PSG empolga Neymar. O brasileiro superou dificuldades iniciais vivida basicamente com um dos líderes do elenco, Cavani, e com os jogadores franceses já criticados abertamente por ele. Aos amigos, o camisa 10 comenta estar vivendo a melhor fase dentro do clube graças ao relacionamento com os jogadores.

Neymar aponta Keylor Navas como um dos seus principais aliados. É o goleiro da Costa Rica que bate de frente com a diretoria para não relacionar o comportamento festivo do jogador fora de campo com falta de comprometimento com o clube. Já a relação com Mbappé também é avaliada como excelente pelo entorno. Na semana passada, o camisa 10 postou uma foto com texto em francês em que agradece o elenco pela goleada por 5 a 1 contra o Lyon, pela semifinal da Copa da França, celebrando os três gols marcados por Mbappé. "Bom jogo, rapaziada. Vamos à final. Parabéns, Mbappé".

Sobrou para Tuchel

Mbappé não gostou de ser substituído por Thomas Tuchel durante a partida do PSG contra o Montpellier - Gonzalo Fuentes/Reuters - Gonzalo Fuentes/Reuters
Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

Na postura do elenco do Paris Saint-Germain em se fechar, as decisões táticas do treinador Thomas Tuchel são criticadas. O grupo entende que consegue se virar dentro de campo sem seguir à risca os pedidos do treinador.

Para os jogadores do PSG, o estopim de decisões erradas de Tuchel foi a não escalação de Icardi ou Cavani na partida de ida contra o Borussia Dortmund. O técnico se manteve firme sem aproveitar um dos atacantes durante todo o jogo, gerando intriga no elenco com os pedidos de posicionamento fora do habitual. A irritação ainda ficou maior com a declaração do treinador em entrevista após o duelo de que o "time jogou com medo de errar".

No duelo seguinte, a vitória por 4 a 3 diante do Bordeaux, no Parque dos Príncipes, pelo Campeonato Francês, a reunião dos jogadores em campo teve um descontentamento de Mbappé com o time sendo levado ao capitão Marquinhos e exibido pela transmissão da televisão francesa. O pedido do francês foi para que o brasileiro solucione os problemas do time: "Cara, eles (Bordeaux) chegam na nossa casa e nos pressionam? Temos que gerenciar isso. Você é o chefe. Quando você disser para subir (a marcação), nós vamos subir", disse Mbappé.

Com Tuchel, Mbappé tem relação estremecida desde que demonstrou insatisfação pública ao ser substituído. O treinador alemão comentou que a reação do francês foi desrespeitosa, mas que o assunto já estava resolvido internamente.

Para a partida de volta contra o Dortmund, a confiança do elenco é de que Tuchel voltará a escalar o time com quatro atacantes (Neymar, Di Maria, Mbappé e Icardi ou Cavani). O entendimento é de que o quarteto já tinha dado provas ao treinador de comprometimento defensivo.

A falta de sintonia do elenco com Tuchel gera pressão no treinador. Sua permanência para a próxima temporada é vista como improvável por grande parte da mídia francesa. A análise geral é de que a virada diante do Borussia Dortmund é fundamental.