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Caso Ronaldinho mobiliza governos e tem julgamento de recurso nesta terça

Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis foram detidos no Paraguai na última sexta-feira - NORBERTO DUARTE / AFP
Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis foram detidos no Paraguai na última sexta-feira Imagem: NORBERTO DUARTE / AFP

Ricardo Perrone

Colaboração para o UOL, em Assunção (PAR)

09/03/2020 20h38

Na manhã desta terça (10), em Assunção, no Paraguai, será julgado recurso da defesa de Ronaldinho Gaúcho e Roberto Assis contra a detenção dos irmãos. A ideia dos defensores é transformar a prisão preventiva em domiciliar. A audiência acontece no momento em que o caso virou a escancaradamente assunto de governos. Do brasileiro e do paraguaio.

O pano de fundo do julgamento tem de um lado o governo do Brasil tentando auxiliar dois ilustres cidadãos do país e, do outro, governantes paraguaios interessados em mandar um duro recado para a máfia dos documentos falsos.

Os criminosos representam antiga dor de cabeça e constante constrangimento para o governo paraguaio. Principalmente, porque há uma velha suspeita de que funcionários públicos desviam papelada oficial para as falsificações.

Do lado brasileiro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, colocou de vez as digitais do governo Jair Bolsonaro no assunto ao telefonar para autoridades paraguaias com o objetivo de se informar sobre a situação dos dois ex-jogadores brasileiros.

Desde o início, a defesa dos irmãos tentava manter distância regulamentar de Bolsonaro. Conforme apurou a reportagem, a ideia era evitar comentários sobre um suposto benefício incomum do presidente a Ronaldinho. Ambos têm boa relação.

O ex-craque do Barcelona apoiou publicamente a campanha do atual presidente da República, chegou almoçar com ele em 2019 e foi nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Embratur, agência governamental.

Apesar de não querer envolver a figura presidencial, a defesa de Ronaldinho já tinha colocado o governo brasileiro no campo de jogo, ainda que de forma discreta. Sérgio Queiroz, advogado brasileiro de Ronaldinho e de Assis afirma ter levado ao conhecimento do consulado brasileiro em Assunção irregularidades que ele acredita terem ocorrido na decretação da prisão preventiva da dupla.

Por conta de sua queixa, o cônsul do Brasil em Assunção, Afonso Nery, participou do julgamento em que foi mantida a prisão preventiva de Ronaldinho e Assis. Segundo a defesa dos ex-jogadores, o diplomata viu de perto as alegadas irregularidades.

Esse pontapé inicial tornou previsível a entrada em ação de alguém do governo com patente maior. Diplomatas enviam relatórios para seus superiores. Era óbvio que a bola fosse tocada para alguém graúdo.

Além dessa movimentação que se tornou pública, nos bastidores a defesa de Ronaldinho suspeita que ele esteja sendo usado como um troféu para o governo paraguaio mostrar força diante dos criminosos que é falsificam documentos.

Ronaldinho e Assis estão presos por entrarem no país com documentos paraguaios falsos. Ambos alegam que não sabiam que a papelada era irregular.

O que é público é o desejo das autoridades paraguaias de intimidar os falsificadores de papéis oficiais. Curiosamente, se de um lado Moro entrou em cena, do outro, o governo paraguaio sofreu a baixa de um assessor ministerial. Rubén Melgarejo Lanzoni trabalhava com o ministro do interior Euclides Acevedo e pediu demissão. De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, há suspeitas de que a saída foi motivada pelo uso nas falsificações de papéis pertencentes a departamento subordinado ao Ministério do Interior.

O episódio mostra a importância que se dá ao caso no Paraguai não só pelo envolvimento de uma celebridade internacional. Nesse cenário temos os governos de Brasil e Paraguai com o mesmo nível de interesse no caso. A diferença é que para os brasileiros a história se resume basicamente a Ronaldinho e Assis. Para os paraguaios a questão é mais complexa, e a partida está longe de terminar.

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