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Caçado no Francês, Neymar se vê perseguido por árbitros e adversários

Neymar foi expulso já nos minutos finais do jogo do PSG contra o Bordeaux no último domingo - Benoit Tessier/Reuters
Neymar foi expulso já nos minutos finais do jogo do PSG contra o Bordeaux no último domingo Imagem: Benoit Tessier/Reuters

Bruno Grossi e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

26/02/2020 04h00

A expulsão de Neymar já nos acréscimos do segundo tempo na vitória do PSG sobre o Bordeaux por 4 a 3 no domingo inaugurou mais um capítulo nas discussões sobre o comportamento do jogador. O primeiro cartão amarelo veio por reclamação com a arbitragem; o segundo, por um revide a uma das várias entradas mais duras que sofreu no jogo. A frustração do camisa 10 dentro de campo não é nova: ele tem dito a amigos e pessoas próximas há meses que se sente perseguido com faltas e com rigor excessivo da arbitragem no Campeonato Francês.

Neymar acredita que sofre faltas demais, sendo muitas delas mais duras do que o normal. Para o brasileiro, os árbitros não agem para inibir o comportamento adversário, mas mostram rigor quando ele finalmente perde a cabeça e reage. Pelo menos em relação ao número de faltas sofridas, os números dão razão ao atacante.

Os times da Ligue 1 fazem, em média, 13 faltas por partida. Neymar sofre 4,1, o equivalente a quase um terço de um time, entre três e quatro atletas. O camisa 10 do PSG é, com boa margem, o atleta que mais recebe faltas por partida no campeonato. O segundo mais caçado é Savanier, do Montpellier, que sofre três faltas por confronto. Os números são do site Whoscored.

Em comparação a astros de outras ligas, Neymar também sofre um número relativamente alto de faltas. A Espanha tem uma média de faltas sofridas por equipe superior à da França, mas Messi recebe apenas 1,7 falta por partida. O número é o mesmo para Cristiano Ronaldo na Itália. Na Inglaterra, Salah sofre menos de uma falta por jogo: 0,6. Companheiro do atacante brasileiro no PSG, Mbappé aparece com 1,2.

Nas cinco ligas consideradas as principais da Europa - Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha e França - só um jogador sofre mais faltas por jogo do que Neymar: o meia Jack Grealish, do Aston Villa, com 4,9 em média.

O alto volume de faltas sofridas pelo camisa 10 do PSG e da seleção brasileira se explica, em parte, pelo estilo de jogo: são 5,9 dribles aplicados por jogo, número que o coloca, com folga, como o mais driblador da liga —o segundo colocado é Atal do Nice, com 3,6. Neymar, aliás, se mostra dominante em quase todos os quesitos ofensivos no Campeonato Francês: lidera em finalizações por jogo e é o terceiro com maior número de passes considerados decisivos.

O próprio técnico do PSG, Thomas Tuchel, partilha da visão de Neymar, e defendeu seu jogador depois do cartão vermelho recebido contra o Bordeaux.

"Se temos que falar dessa situação [da expulsão], temos que falar de todo o contexto. Ele tem um lance de um contra um, o jogador faz uma falta a apenas dez metros de distância, o quarto árbitro vê tudo, e a partida continua. Eu nunca vi isso na minha vida", declarou Tuchel. "Depois disso, é claro que ele fica nervoso. Não era necessário [fazer a falta em Adli], mas ele é humano. Por isso, fez a segunda falta."

A expulsão contra do Bordeaux, ainda assim, pode ter sido um "tiro no pé" para Neymar, que cobrou publicamente o PSG após a derrota da semana passada diante do Dortmund por 2 a 1 na Liga dos Campeões. Para o brasileiro, seu clube foi excessivamente zeloso ao preservá-lo por quatro jogos antes do encontro decisivo, e o impediu de buscar ritmo de jogo. Agora suspenso e com previsão de só voltar a campo no dia 4 de março, o atacante pode ter o mesmo problema no jogo de volta contra os alemães dia 11.

A polêmica começou no dia 2 de fevereiro, com a festa de aniversário de Neymar. A comemoração irritou o treinador Thomas Tuchel e deixou a diretoria do PSG decepcionada, por ter sido realizada em meio à disputa do Campeonato Francês e da Copa da França, em um intervalo de três dias entre duas partidas. Logo depois da celebração, Neymar ficou fora de confronto com o Nantes, pelo Francês.

A partir daí, o brasileiro não voltou mais a campo até a última terça, preservado de mais três partidas, contra sua vontade. O UOL Esporte publicou sobre como o brasileiro desejava ter ido a campo nesse período, com a crença de que tinha plenas condições de jogo.