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Odair repete erros, derrapa em "decisões" e já sofre pressão externa no Flu

Odair Hellmann sofre pressão externa no Fluminense - Lucas Merçon/Fluminense FC
Odair Hellmann sofre pressão externa no Fluminense Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

19/02/2020 12h00

Classificação e Jogos

O Fluminense começou 2020 em boa fase. As quatro vitórias nos primeiros jogos, com boas atuações de alguns reforços, deram ao torcedor a esperança de ter uma equipe mais equilibrada na temporada sob o comando de Odair Hellmann. De lá para cá, entretanto, apenas a goleada no Botafogo serviu de alento. Nas partidas mais importantes até aqui, o treinador repetiu erros bem na hora das "decisões" e já sofre pressão da torcida nas redes sociais.

De nada adiantou o bom início que tirou a pressão por um desempenho aquém do esperado. Nos três jogos decisivos que teve, o Flu não venceu. Na derrota para o Flamengo e nos empates com o Unión La Calera que eliminaram o time da Copa Sul-Americana, os erros repetidos do técnico foram questionados pela torcida.

Assim que foi anunciado como novo treinador do Flu, Odair dividiu opiniões entre os torcedores. Muitos defendiam a contratação de estrangeiros ou de treinadores de estilo mais ofensivo, aproveitando o que houve de bom da passagem de Fernando Diniz pelo clube em 2019. A diretoria, entretanto, optou pelo técnico catarinense, que nunca escondeu sua vontade de voltar às Laranjeiras, onde atuou como jogador. E o bom início dava indícios de que a decisão foi acertada.

Junto com a primeira derrota, para o Boavista, também vieram críticas mais contundentes ao desempenho da equipe. A insistência em jogadores como Luccas Claro, Digão, Henrique e Nenê eram o alvo principal, bem como a escalação sem atacantes de ofício, com o jovem Miguel improvisado de falso 9.

A dificuldade do Tricolor com as jogadas de velocidade, seja no ataque ou na defesa foram rapidamente constatadas como problemas crônicos da equipe, algo que o treinador admitiu e parecia corrigir. Na semifinal da Taça Guanabara, contra o Flamengo, o Flu foi passageiro da agonia no primeiro tempo até que o técnico soltou a equipe e quase conseguiu heroica classificação.

Para os jogos da Sul-Americana, é bem verdade, Odair esteve sem as duas principais opções de velocidade no ataque: Wellington Silva e Fernando Pacheco, que não foram inscritos. No jogo de ida, tampouco teve Evanílson e Marcos Paulo em condições de atuar pelos 90 minutos. Mas errou ao segurá-los até o meio da segunda etapa: a dupla precisou de seis minutos para mudar o jogo e balançar as redes.

Ainda assim, na volta, insistiu nos nomes criticados pela torcida e foi muito mal nas substituições: manteve Nenê, pendurado e em má atuação, e colocou Ganso na vaga de Marcos Paulo, de quem mais se espera no ataque do Fluminense. O camisa 11, inclusive, saiu com cara de poucos amigos, apesar de não ter se exaltado.

Depois, tirou o jogador mais veloz da frente, Caio Paulista, para a entrada do uruguaio Michel Araújo, que nem no banco ficara contra o Fla. Sua terceira substituição sacou quem deveria sair primeiro: Henrique, volante que ainda não teve boa atuação pelo Flu e que não tinha função num jogo que necessitava de velocidade, superioridade numérica no campo ofensivo e agressividade no último terço. Entrou Matheus Alessandro, que nem seria utilizado na temporada e ganhou sobrevida pela estreia no Estadual.

Sensação nos primeiros jogos, Miguel foi substituído no jogo de ida contra o Unión La Calera e não mais figurou em campo pelo Flu. O jovem de 16 anos era opção interessante na vaga de um dos dois volantes, já que o adversário atacava pouco e geralmente em bolas longas. O sumiço da joia é mais um dos questionamentos em cima do treinador.

Outra opção bastante contestada pela torcida é a dupla de zaga. Luccas Claro e Digão estão longe de encher os olhos dos torcedores, que preferem Matheus Ferraz, hoje reserva. Na eliminação na Sul-Americana, Odair Hellmann já tinha Nino à disposição após o Pré-Olímpico, mas manteve seus titulares.

O discurso após a eliminação tampouco ajudou o treinador a "limpar sua barra" com a torcida. Em vez de admitir erros e opções equivocadas, Odair recorreu ao chavão da "injustiça", afirmando que o Fluminense foi melhor no confronto. Superioridade modesta e insuficiente para eliminar um time sem expressão do futebol chileno na primeira fase da competição que era o grande objetivo do Tricolor em 2020.

"Infelizmente nos 180 minutos não conseguimos a classificação, mas acho que produzimos um jogo melhor tanto no Maracanã como aqui. Tivemos mais chances criadas, mais posse de bola, maior número de passes, mas a bola na rede, que é o que define, não conseguimos fora de casa. Foram poucas finalizações porque na parte final precisamos evoluir. Nesse momento é difícil dizer isso, desclassificado, mas merecíamos situação melhor pelos dois confrontos. Mas o futebol não tem justiça, tem que colocar a bola para dentro para passar", opinou, após o vexame.

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