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Seleção brasileira ainda é sonho para Fred, o "pastor" do United

Fred gesticula durante jogo entre Manchester City e Manchester United - Chloe Knott - Danehouse/Getty Images
Fred gesticula durante jogo entre Manchester City e Manchester United Imagem: Chloe Knott - Danehouse/Getty Images

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

18/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Fred vive melhor momento desde que chegou ao Manchester United
  • Mas a má fase do clube inglês ainda é um obstáculo
  • O volante ainda sonha com um retorno à seleção brasileira
  • Última convocação, após uma Copa frustrante, foi em outubro de 2018
  • Recentemente, comissão técnica de Tite o visitou no United para conversar
  • Ele vê a concorrência alta e elogia o jovem Bruno Guimarães
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Falta pouco mais de um mês para o início das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2022. E estar entre os convocados da seleção brasileira para a retomada do sonho do hexa é o grande objetivo de Fred. O volante vive boa fase no Manchester United e acredita que está perto de uma nova chance com Tite.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Fred admitiu frustração pelos problemas físicos que o impediram de entrar em campo na Copa na Rússia. Desde então, ele só foi convocado duas vezes — a última em outubro de 2018 —, custou a engrenar no United e viu a concorrência no meio de campo da seleção aumentar.

"Acompanhei um pouco do Pré-Olímpico, também já via no Athletico Paranaense, e considero o Bruno Guimarães um grande jogador. É jovem ainda e espero que seja feliz no Lyon. Se também for para a seleção, ficarei feliz por ele. Torço para que a seleção melhore sempre e todos os nomes testados têm potencial para estar lá", afirmou o meio-campista.

A aposta por uma volta por cima passa pelo alto desempenho apresentado na Premier League desta temporada. Fred, que ganhou o apelido de "Pastor" no United, foi eleito o melhor jogador do time por dois meses consecutivos e tem sido observado de perto pela comissão técnica de Tite: "Depende só de mim. Se continuar bem, terei chances de novo".

Confira a íntegra do bate-papo com Fred abaixo:

Como é viver este momento em que você é exaltado, eleito o melhor do time por dois meses seguidos, mas o United segue abaixo das expectativas?

Eu venho em uma crescente no campeonato e estou muito feliz com isso. É muito importante para minha carreira depois de uma temporada que não foi das melhores. Ser destaque agora é muito bom, mas tem o outro lado, e infelizmente, a equipe não está bem como poderia estar. Queríamos disputar a liderança com o Liverpool, mas estamos abaixo de Chelsea, de Tottenham. Faz parte do futebol e precisamos saber lidar com isso e levantar a cabeça, porque temos uma equipe de muita qualidade.

E como é lidar com a pressão de uma torcida tão grande?

Tem que ter cobrança mesmo, porque é uma equipe gigantesca. Quando as coisas não dão certo, é lógico que a torcida vai falar. E cabe a nós saber lidar com a pressão fora de campo. A torcida se acostumou a ver muitos títulos pelo tamanho que o United tem e ela quer esses momentos de novo. Eles estão certos e têm que querer isso sempre mesmo.

Têm sido frequentes os ataques aos donos do clube. Como vocês reagem a isso? O dia a dia do elenco é mais blindado do que você viu nos times em que jogou no Brasil?

A gente acaba ficando mais blindado mesmo. E é difícil falar dos donos do nosso time. Tentamos ficar alheios a isso. Ficamos sabendo de pouca coisa e procuramos fazer nosso trabalho em campo.

Isso se refle nas cobranças ao Solskjaer, nas ameaças de troca de técnico?

Também é difícil falar disso. Solskjaer é nosso professor e faz um bom trabalho. É jovem e está crescendo a cada dia. Ele aprendeu muito e vai crescer como técnico e pessoa. Fica para a diretoria decidir, a gente não tem poder de decisão sobre isso. Mas ele é muito legal, é uma pessoa extraordinária, que conversa bastante, tem um lado brincalhão e está sempre sorridente. O dia a dia é ótimo e ele é muito importante para a equipe, como foi como jogador na história do clube.

Fred enfrentou problemas físicos e teve Copa do Mundo frustrante em 2018 -  AFP PHOTO / SAEED KHAN
Fred enfrentou problemas físicos e teve Copa do Mundo frustrante em 2018
Imagem: AFP PHOTO / SAEED KHAN

Você ainda tem a seleção brasileira como objetivo de carreira?

A seleção é sempre o nosso principal objetivo. A gente trabalha no clube para ter a chance de representar nosso país. Todos jogadores são assim e comigo não é diferente. Eu procuro fazer meu melhor para que o Tite possa estar de olho e, futuramente, eu volte a defender meu país. Quero ser convocado novamente.

O que não deu certo para você ter sequência? A lesão na Copa pesou?

Venho fazendo um trabalho certo agora. Na última temporada, não fui convocado praticamente porque não joguei tanto. E é normal, porque a seleção é momento. Hoje vejo que faço um grande trabalho e vou ficar feliz se voltar à seleção. É um sonho. Entendo porque fiquei fora esse tempo. Teve a lesão na Copa do Mundo e não pude dar meu melhor. Agora, ter uma sequência vai depender de mim. Se continuar bem, terei chances de novo.

Você mantém contato com o Tite de alguma forma?

Não tenho muito contato, não. Mas recentemente falei com o Matheus Bachi (auxiliar e filho de Tite), que veio ver os jogos e tivemos um papo muito bacana. Admiro muito ele e o Tite é sem palavras, gosto demais. Procuro fazer meu trabalho para eles ficarem de olho e voltarem a me chamar.

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Ele te deu alguma dica, algum conselho para voltar à seleção? E você leva algum ensinamento dele para sua carreira?

Não é nem questão de passar dica. A gente sabe o que tem que fazer para voltar à seleção. É estar bem no dia a dia para encarar uma concorrência alta. A comissão técnica tem grandes profissionais e enquanto eu estive com eles conversávamos muito. Tite é muito lúcido sobre o que acontece no futebol e as lições que ele passa em palestras eu levo para meu dia a dia, por mais que seja difícil transferir a realidade da seleção para a do clube. Tite é excelente profissional e carrego muitas dicas que ele me deu.

Você falou na concorrência na seleção, que tem testado muitos jogadores no seu setor. Então pergunto: o que um meio-campista precisa fazer para ser bom hoje?

É difícil. O futebol moderno, como falam, pede que todos os setores sejam muito fortes. E assim o meio-campista de hoje precisa aliar qualidade para jogar e força para marcar. Em torneios mais fortes, você precisa ser muito completo e estar em forma para aguentar jogos tão disputados.

Fred, do Manchester United, disputa a bola com o belga Kevin De Bruyne, do Manchester City - Simon Stacpoole/Offside/Offside via Getty Images
Fred, do Manchester United, disputa a bola com o belga Kevin De Bruyne, do Manchester City
Imagem: Simon Stacpoole/Offside/Offside via Getty Images

E para ser bom na Premier League?

Para mim, a Premier League é o melhor campeonato do mundo. Todos os jogos são difíceis aqui. Você pega o último colocado e sofre. Talvez seja o torneio mais difícil do mundo. Você precisa estar em alto nível o tempo todo e ter muita força para aguentar a quantidade de jogos de liga, de copas, de Champions ou Liga Europa... É importante estar bem física e mentalmente. Tenho que ser completo em todos os quesitos.

Por que Pogba ainda não explodiu como se imaginava depois de ser campeão mundial com a França? A personalidade forte atrapalha? Você gosta de conviver com ele?

Ele é uma grande pessoa e um grande jogador. No dia a dia a gente convive bastante. Ele é um cara bom e a gente tenta trazê-lo para perto do United. Infelizmente, ele se lesionou muito nesta temporada, mas ainda pode ajudar muito. Nem preciso falar que é um grande jogador. Que se recupere rápido, porque é campeão do mundo e estando 100% vai nos ajudar demais. Ele tem a personalidade dele, mas isso não deveria atrapalhar nenhuma análise. A gente se sente mal é pela lesão. O jeito de ser dele não muda a boa pessoa e o grande jogador que ele é. É um cara muito trabalhador, que se esforça para voltar logo.

Como tem sido a repercussão sobre o Martinelli, que já está se destacando mesmo tão jovem no Arsenal?

É um grande jogador. É difícil alguém sair do Brasil tão cedo, chegar jogando e ainda fazendo muitos gols aqui. A gente fica feliz de ver outros brasileiros se destacando na Premier League. Infelizmente, ainda não pude conversar com ele. No jogo em que enfrentamos o Arsenal, ele não entrou. Torço para que faça um grande trabalho, mesmo sendo meu rival (risos). Ele é atacante e uma hora ou outra vou precisar marcá-lo. A gente estuda sempre para estar preparado quando encontrar os times. Tomara que quando a gente se enfrentar ele não esteja inspirado.

E você gosta de estudar o jogo? Alguns jogadores preferem se isolar do futebol quando voltam para casa...

Eu gosto muito, mesmo. Gosto de assistir a muitos jogos em casa, de analisar os adversários. É importante para entender quem você vai enfrentar e até seu próprio estilo de jogo. Quando acabam meus jogos, já vou olhar o que posso melhorar, o que fiz de bom. Isso é muito importante para mim. Se precisar, assisto todos meus jogos e o dos outros times também. Acredito ser muito bom para minha profissão.

Como surgiu esse apelido de Pastor no United? Você gosta de estudar a bíblia também?

Ainda não sei exatamente, mas acho que foi um torcedor que falou. E para mim foi bem bacana, porque sou muito religioso e gosto de postar reflexões sobre isso nas redes sociais. Aí acabou pegando, o apelido, pelo carinho que a torcida tem por mim. Gosto de estudar a bíblia, minha esposa foi batizada agora. Então, estamos bem próximos da religião. Considero importante para nossa vida e gosto de expor o que penso nas redes sociais. Sou muito feliz com isso e com a reação da torcida.

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