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Preparador físico do Grêmio conta causos da Tailândia e vibra com volta

Divulgação/Grêmio FBPA
Imagem: Divulgação/Grêmio FBPA

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

18/02/2020 12h00

Márcio Meira, novo preparador físico do Grêmio, completou um mês em Porto Alegre e está feliz. A volta ao Brasil, depois de período na Tailândia, ocorreu às pressas pelo interesse gremista e ajudou a realizar a meta de regressar ao país. Na bagagem, histórias na Ásia, fome de títulos em Porto Alegre e o status de novo integrante do núcleo duro da comissão técnica de Renato Gaúcho no clube gremista.

A contratação do novo preparador físico faz parte da reformulação planejada pela diretoria gremista para controlar a autogestão do vestiário.

Meira chegou à seleção tailandesa e antes do Grêmio estava no Muangthong United, sediado em uma das províncias principais do país. O convite para trabalhar em Porto Alegre veio de madrugada.

"O Klauss (Câmara, diretor executivo de futebol do Grêmio) me ligou na terça pelo horário do Brasil, mas lá na Tailândia já era quarta. Ele falou que ouviu meu nome de várias pessoas no mercado e perguntou se eu podia estar em Porto Alegre na sexta. Falei que queria, mas pô! Sexta não tinha como", lembra em meio a risadas.

O currículo de Meira tem passagens por Fluminense, Flamengo, Botafogo e Athletico Paranaense. Fora do Brasil, trabalhou no México, Estados Unidos e países do Oriente Médio. A chegada à Tailândia foi pelas mãos de Alexandre Gama, treinador que está longe do solo verde e amarelo desde 2014.

"Eu estava no Grêmio da Tailândia, vamos dizer assim. Um clube vencedor, que ganhou as Copas da temporada passada lá. Mas o nível no Brasil é diferente. Sem comparação. Quando o Klauss me ligou, avisei em casa que ia voltar", conta Meira.

Em Porto Alegre, Márcio Meira sucede o trabalho de Rogério Dias. O preparador físico formado no Grêmio chegou a ser chamado pela seleção brasileira de Tite em meio às eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia.

"Cheguei em um domingo e a pré-temporada estava finalizada. Toda pronta, feita. Tudo havia sido planejado e o relatório que me entregaram foi muito rico. O trabalho foi muito bem feito e eu não faria diferente. Claro, cada um tem seu método. Mas ali eu não tinha nada a reparar", assegura Meira. "Digo que a metodologia é como fazer conta para chegar até 10. Alguém vai fazer de um jeito, sei lá, cinco mais cinco e outros vão fazer seis mais quatro. No fim, dá o mesmo resultado", completa.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

O Grêmio começou a temporada com titulares, mesmo depois de pré-temporada curta, e fez isso por estratégia: para correr atrás do título do primeiro turno do estadual e depois ter um trunfo no calendário, mas também para dar ritmo ao elenco.

"Depois dos primeiros jogos, é possível avançar para trabalhos específicos. Vamos inserindo treinos para aprimorar valências ao longo do início do ano até chegar ao estágio pleno", indica Meira.

Causos na Ásia

A carreira de Márcio Meira faz com que as histórias não passem em branco. A memória ainda tem fresca a lista de causos vividos na Tailândia. A maioria deles tem a ver com a comida local.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

"Eu nunca me adaptei, odiava aquela comida. Então, eu jantava em casa e depois saia para jantar fora com a minha mulher", revela com bom humor. "Eu passei muitos meses comendo arroz com ovo, cara. Era quase todo dia", completa.

O trânsito caótico, em qualquer grande cidade tailandesa, também faz Meira botar a memória para funcionar. Ainda mais pela peculiaridade de não haver briga entre motoristas.

"Um dia eu comecei a pensar se os carros lá não tinham buzina. Trânsito todo parado, mais de 30 minutos no mesmo lugar, e ninguém senta o dedo na buzina", conta. "A cidade inteira tem viaduto e a saída é para uma faixa só. Saindo já tem um sinal e depois outro, mais outro. Aí fica tudo trancado mesmo", explica.

No futebol, a curiosidade está na política dos clubes da elite. Todo time tem brasileiros e busca jogadores asiáticos. Também existe uma cota para os chamados asian, oriundos de países menores do continente.

"Os brasileiros geralmente jogam no meio-campo ou ataque. Os asiáticos, japoneses e coreanos, ficam na defesa. Os asian completam o grupo", aponta.

O Grêmio volta a campo no sábado, contra o Caxias, pela final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. O jogo único será no estádio Centenário, em Caxias do Sul.

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