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Barça quer Willian José, criticado no Brasil: somos cruéis nas avaliações?

Willian José comemora gol contra o Real Madrid - GABRIEL BOUYS / AFP
Willian José comemora gol contra o Real Madrid Imagem: GABRIEL BOUYS / AFP

Do UOL, em Santos (SP)

12/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Atacante Willian José está na lista de interessados do Barcelona
  • Ex-São Paulo, jogador está no futebol espanhol desde 2014
  • No Brasil, Willian era contestado pelos torcedores e pela imprensa
  • Somos muito cruéis na avaliação dos jogadores por aqui?
  • "É um problema estrutural do futebol brasileiro", diz Rafael Reis

O jornal espanhol Mundo Deportivo noticiou ontem (11) que o gigante Barcelona está interessado na contratação do atacante Willian José, ex-São Paulo e que, desde 2016, defende as cores da Real Sociedad —hoje é o artilheiro de sua equipe no Campeonato Espanhol, com oito gols em 22 jogos.

Criticado pelos torcedores quando atuou no Brasil, por São Paulo, Grêmio e Santos, Willian José não é o único exemplo de jogadores que são contestados por aqui e, quando vão para fora, conseguem se firmar e se tornam mais queridos e respeitados.

O mesmo aconteceu com Casemiro, que não era tão bem quisto no São Paulo e, depois que seguiu para o Real Madrid, virou peça fundamental do time merengue. O meio-campista Rodrigo Taddei, ex-Palmeiras e que depois de deixar o Brasil fez toda carreira na Itália, especialmente na Roma, é outro exemplo.

Mas o que acontece? Será que, aqui no Brasil, nós - torcedores e imprensa - somos muito impacientes e cruéis na avaliação dos jogadores enquanto são jovens? Fizemos essa pergunta aos blogueiros do UOL Esporte. Veja o que eles pensam:

ANDRÉ ROCHA

O imediatismo é grande. Mas às vezes a cobrança aqui é pelo potencial que é detectado e desenvolvido na Europa, alcançando um alto nível. Willian José não é craque, mas construiu carreira relativamente sólida e agora pode ter a grande chance.

Leia o blog do André Rocha.

JUCA KFOURI

Nós somos mal acostumados e exigimos que todos sejam como Pelé, campeão mundial aos 17.

Leia o blog do Juca.

MARCEL RIZZO

Alguns jogadores se beneficiam de jogar na Europa e crescem dentro e fora de campo, então muitos deles desempenham um melhor futebol após alguns anos fora do país. Mas de fato há uma cornetagem excessiva com jovens atletas, o que é curioso já que muitos, imprensa e torcedores, pedem que os clubes usem a base, mas não dão o tempo ideal de amadurecimento para que possam produzir.

Leia o blog do Marcel Rizzo.

MAURO CEZAR

A impaciência e pressa são de parte da imprensa e da torcida, mas Willian José no Barcelona seria algo excepcional, derivado de um momento bem específico.

Leia o blog do Mauro Cezar.

MENON

Não. Se um jogador jovem é escalado como titular, deve ser julgado sob os mesmos parâmetros de um veterano. Nas primeiras partidas, uma certa condescendência. Depois, não.

Leia o blog do Menon.

PERRONE

Sim, somos muito impacientes. O fato de muitas vezes esses jovens entrarem já com a obrigação de resolver por causa da falta de planejamento dos nossos clubes colabora para essa cobrança exagerada. Geralmente, na Europa, os jovens são contratados com um projeto de preparação para eles.

Leia o blog do Perrone.

RAFAEL REIS

Sim, somos. Mas esse é um problema estrutural do futebol brasileiro. Como raramente temos grandes jogadores atuando por aqui quando estão no auge da carreira, o papel de protagonista de muitos dos maiores clubes do Brasil acaba ficando com jovens ainda em início de carreira. Isso faz com que a gente esqueça que eles ainda estão em fase de maturação e não devem ser cobrados/avaliados como adultos. É daí que surge essa distorção que não nos permite observar com precisão o verdadeiro nível de qualidade que eles possuem.

Leia o blog do Rafael Reis.

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