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Pais de vítimas de fogo no CT do Flamengo desabafam: "Não espero mais nada"

Pais de vítimas do Ninho do Urubu foram ao Encontro, da TV Globo - Reprodução/TV Globo
Pais de vítimas do Ninho do Urubu foram ao Encontro, da TV Globo Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

05/02/2020 11h03

Familiares das vítimas do incêndio no CT do Flamengo, que está prestes a completar 1 ano, foram ao programa Encontro, da TV Globo, falar sobre a posição do clube em relação aos processos judiciais sobre o caso.

Um dos presentes no programa, Edson, pai do zagueiro Pablo Henrique - um dos mortos na tragédia - disse estar desiludido com o andamento das indenizações. "Do Flamengo eu não espero mais nada".

Além disto, o homem fez uma relação do bom momento vivido pelo clube - campeão do Brasileirão e da Libertadores - com o drama familiar.

"Confiei no Flamengo para tomar conta do meu filho. Eles ganham taça, eu ganho a dor. Eles ganham troféu, eu ganhei um caixão com o meu filho que eu não pude abrir para dar um beijo nele e me despedir direito", desabafou ele, que afirmou nunca ter recebido um telefonema do clube.

Edson ainda disparou contra os atuais mandatários do Fla. [Eles querem que a gente fale] para o Ministério Público, ou o tribunal, quem estiver fazendo a investigação: nós somos os culpados! Nós colocamos nossos filhos para morrer asfixiados. Posso deixar um recado? Aqui, ó: seu Rodolfo Landim [presidente], seu Rodrigo Dunshee [vice-presidente], seu Marcos Braz [vice de futebol], vocês têm filho? Tem, né? Mas vocês põem a cabeça para dormir num belo travesseiro. Vai completar um ano que eu não durmo se eu não tomar o meu remédio".

Já a mãe do zagueiro revelou que não tem como "sonhar" com um futuro melhor e citou ainda outro drama pessoal.

"Há dois meses eu perdi a minha mãe. Então eu comecei o ano de 2019 perdendo o meu filho e fechei perdendo minha mãe. Para a gente acabou tudo. Vou sonhar o quê? Meu pedaço foi embora. Como que eu vou sonhar?", falou.

Marília, mãe de Artur Vinícius, que também perdeu a vida há um ano, criticou a forma com que o Flamengo "ignorou" os jovens conforme o tempo foi passando.

"Me sinto abandonada, acho que eles são muito insensíveis. Tudo o que foi cobrado para as famílias, como responsáveis, era documentação, passaporte, e foi tudo cumprido. Meu filho tinha horário, tinha comprometimento. Qual é a responsabilidade do Flamengo com esses pais? Eu vejo que essas crianças não trazem mais retorno para eles, então hoje a família passou a ser uma dívida".

Posição do clube

Apresentadora do programa, Fátima Bernardes deu a versão dada pelos responsáveis do Flamengo sobre o andamento do caso.

"Sobre as licenças operacionais, eles garantiram que o Ninho do Urubu tem alvará entregue pelos órgãos competentes, e hoje os jovens da categoria de base ficam nos alojamentos que abrigavam os jogadores profissionais, e não mais naqueles alojamentos que estavam instalados em uma área inicialmente prevista para ser um estacionamento", iniciou Fátima.

"Sobre as indenizações das famílias, eles afirmaram que o Flamengo se coloca à disposição para conversar com os envolvidos, dentro do teto estabelecido pelo clube. Os dirigentes também reconhecem que o clube tem responsabilidade como guardião dos adolescentes mortos".

Fátima ainda informou que, segundo o Flamengo, está impossível manter contato direto com os parentes dos mortos. "Sobre a queixa das famílias que se sentem desamparadas, que não recebem ligações, a direção do Flamengo disse que tem encontrado dificuldades em falar diretamente com as famílias, porque os advogados não permitem contato direto".

Crítica de Fátima

A apresentadora, após ler o comunicado do Flamengo, usou o espaço para expor que a produção do Encontro não teve dificuldades para falar com os envolvidos.

"Nós não tivemos nenhuma dificuldade porque a gente pegou o telefone e ligou. Isso independe de você querer falar com advogado. Ninguém está falando para que a negociação financeira seja feita com a família, porque talvez eles nem tenham condição de saber exatamente aquilo a que tem direito. Mas ligar para dizer 'sinto muito, como é que vocês estão?', não precisa de autorização de advogado. Sinto muito, né?", completou Fátima.

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