PUBLICIDADE
Topo

TJD denuncia Figueirense, Bruno Silva e treinador por confusões em clássico

Bruno Silva, do Avaí, agride torcedor do Figueirense com um chute - Reprodução/Premiere
Bruno Silva, do Avaí, agride torcedor do Figueirense com um chute Imagem: Reprodução/Premiere

Do UOL, em Santos (SP)

04/02/2020 14h36

Resumo da notícia

  • Polêmico clássico entre Figueirense e Avaí ganhou hoje novos capítulos
  • TJD-SC denunciou Figueirense, técnico Márcio Coelho e Bruno Silva
  • Clube pode perder até dez mandos de campo por conta das confusões

O clássico entre Figueirense e Avaí disputado no último domingo (2), no Orlando Scarpelli, ganhou novos capítulos hoje (4). O Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC) denunciou o clube mandante da partida, o técnico Márcio Coelho e o volante Bruno Silva por conta das confusões ocorridas no duelo que terminou 2 a 0 a favor do Leão da Ilha. O julgamento acontece na próxima terça-feira (11).

O Figueirense foi denunciado no artigo 213 e pode perder até dez mandos de campo - além de receber uma multa de R$ 100 a R$ 100 mil. O clube até chegou a identificar os torcedores que causaram os tumultos, mas ainda assim pode ser responsabilizado por outras ocorrências como a briga entre seus torcedores - com necessidade de intervenção da PM - e a quebra do acrílico que protege a arquibancada.

Art. 213. Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir:

I ‐ desordens em sua praça de desporto; (AC)

II ‐ invasão do campo ou local da disputa do evento desportivo; (AC)

III ‐ lançamento de objetos no campo ou local da disputa do evento desportivo. (AC).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). (NR).

§ 1º Quando a desordem, invasão ou lançamento de objeto for de elevada gravidade ou causar prejuízo ao andamento do evento desportivo, a entidade de prática poderá ser punida com a perda do mando de campo de uma a dez partidas, provas ou equivalentes, quando participante da competição oficial. (NR).

§ 3º A comprovação da identificação e detenção dos autores da desordem, invasão ou lançamento de objetos, com apresentação à autoridade policial competente e registro de boletim de ocorrência contemporâneo ao evento, exime a entidade de responsabilidade, sendo também admissíveis outros meios de prova suficientes para demonstrar a inexistência de responsabilidade. (NR).

Já o técnico Márcio Coelho foi enquadrado art. 258 após ser expulso e citado na súmula pelo árbitro, que escreveu: "por adentrar o campo de jogo, vir em minha direção e protestar de forma grosseira contra as decisões da arbitragem, proferindo as seguintes palavras: 'vocês já vêm premeditados, marcam tudo contra nós, estão de palhaçada'.

O treinador do Figueirense pode ser suspenso por até seis partidas pelo artigo em questão: "Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código".

Do lado do Avaí, o denunciado foi Bruno Silva, um dos pivôs da confusão no Scarpelli. Ele foi enquadrado no artigo 254-A e pode pegar uma suspensão de quatro a 12 jogos depois de tentar agredir com um chute um torcedor que invadiu o campo e já estava imobilizado no chão - ele acabou acertando o goleiro Glédson, companheiro de time.

Art. 254-A. Praticar agressão física durante a partida, prova ou equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de quatro a doze partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de trinta a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Constituem exemplos da infração prevista neste artigo, sem prejuízo de outros:

I ‐ desferir dolosamente soco, cotovelada, cabeçada ou golpes similares em outrem, de forma contundente ou assumindo o risco de causar dano ou lesão ao atingido;

II ‐ desferir chutes ou pontapés, desvinculados da disputa de jogo, de forma contundente ou assumindo o risco de causar dano ou lesão ao atingido.

Avaí promete mostrar 'verdade dos fatos'

Em nota oficial, o Avaí informou que 'está tomando todas as providências e medidas para apresentação da defesa' de Bruno Silva e 'demonstração da verdade dos fatos'.

"O Avaí informa, ainda, que relatou à autoridade policial as invasões, agressões e ameaças sofridas por seus atletas e comissão técnica durante a realização da partida, bem como quanto à invasão de seu vestiário por torcedor da equipe adversária", acrescentou.

Relembre o que aconteceu

O clássico do último domingo (2) foi marcado por cenas de violência. Torcedores do Figueirense invadiram o gramado após uma suposta provocação do volante rival Bruno Silva, e o jogador tentou agredir com um chute um homem que estava imobilizado no chão. Também houve briga entre torcedores e depredação do estádio.

O problema começou aos 38 minutos da segunda etapa. Bruno Silva foi substituído e teria se dirigido a torcedores do Figueira na saída do gramado. Um homem invadiu o campo logo depois disso e foi até o banco de reservas do Avaí, onde foi imobilizado no chão pelo goleiro reserva Gledson. Bruno Silva então tentou agredir o torcedor com um chute, e acabou acertando também o companheiro. Depois, voltou a chutar o torcedor.

Outro torcedor também conseguiu invadir o gramado. Ambos foram retirados pela Polícia Militar. Enquanto isso, mais torcedores do Figueirense tentavam passar pela barreira na beira do campo, mas eram contidos por outros torcedores do próprio time, ocasionando uma confusão generalizada. Alguns vidros de proteção do Orlando Scarpelli foram quebrados.

A partida ficou interrompida por pouco mais de 20 minutos. Os jogadores do Avaí chegaram a pedir o fim antecipado do jogo, mas o árbitro Bráulio da Silva Machado reiniciou o clássico e foi até o fim.

Figueirense identifica torcedores e promete atitude em nota oficial

O Figueirense Futebol Clube comunica que identificou os torcedores que causaram os tumultos presenciados no Estádio Orlando Scarpelli no último domingo (02), no clássico contra o Avaí. Na ocasião, houve invasão de campo, brigas entre a própria torcida alvinegra e depredação do patrimônio do clube.

O Figueirense formalizou Boletim de Ocorrência junto à Polícia Militar contra os torcedores Fhilippi Raulino da Silva e Mateus Raulino da Silva, e vai solicitar às entidades competentes que ambos sejam proibidos de frequentar o Estádio Orlando Scarpelli, por causar tumultos e desordem e causar prejuízos ao clube.

Além deles, o clube identificou três sócios que participaram das confusões. Conforme determina o Estatuto do Torcedor e o próprio estatuto do clube, a diretoria alvinegra suspendeu, cautelarmente, os associados Leonardo Pacheco Correia, Leonardo Broering Vieira e um terceiro associado, menor de idade. Sobre este, o Clube informará o ocorrido aos seus representantes legais. Ainda, a Diretoria encaminhou ao Conselho Deliberativo a solicitação de abertura de processo disciplinar visando a expulsão dos quadros associativos do Clube de todos os envolvidos.

O clube reitera ainda que os torcedores que causaram depredação no Estádio Orlando Scarpelli, como a quebra dos acrílicos que separam as arquibancadas dos gramados serão cobrados pelos prejuízos causados ao Clube.

Ainda, o Figueirense pede que todo torcedor que tenha qualquer tipo de informação e material que ajude a identificar outros infratores, que encaminhem para o clube através dos canais oficiais. O Furacão está e vai seguir colaborando com a Polícia Militar e demais órgãos competentes na identificação e investigações que se façam necessárias.

O Figueirense reforça que, de forma alguma, a minoria que causou tantos tumultos na partida contra o Avaí, representam a enorme e apaixonada torcida alvinegra, que encantou o Brasil demonstrando todo o amor e apoio ao clube em um momento de reconstrução. Algo que vai totalmente de encontro com os atos de violência e vandalismos praticados por pessoas que nada fizeram além de prejudicar o Alvinegro, deixando o clube vulnerável a punições financeiras e desportivas. Por fim, a Diretoria reforça que buscará a punição de todos os causadores do tumulto, dentro e fora do campo de jogo.

Futebol