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Atrás do tetra, Corinthians pode quebrar marca de 101 anos de time extinto

Paulistano começou o caminho do tetra paulista em 1916; rivais não igualaram a marca mesmo depois de 100 anos - Centro Pró-Memória do Paulistano
Paulistano começou o caminho do tetra paulista em 1916; rivais não igualaram a marca mesmo depois de 100 anos Imagem: Centro Pró-Memória do Paulistano

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

22/01/2020 04h00

Classificação e Jogos

O maior feito de toda a história do futebol paulista repousa há pouco mais de 100 anos entre os casarões do Jardim América (zona oeste de São Paulo). O Club Athletico Paulistano ostenta a marca de único tetracampeão estadual desde o fim de 1919 e, desde então, viu clubes como Corinthians, Palmeiras e Santos falharem na missão de emendar quatro títulos seguidos.

Amanhã (23), o Corinthians iniciará uma nova busca pelo tetra paulista, contra o Botafogo, na Arena Corinthians. Campeão das últimas três edições do Campeonato Paulista, o time alvinegro tentará pela quarta vez igualar o Paulistano. No começo do século passado, os corintianos bateram na trave em 1925, 1931 e 1940. O Palestra Itália, em 1935. Já o Santos, mesmo com Pelé e Neymar, não completou a sequência em 1963, 1970 e 2013.

O Paulistano apenas assistiu às tentativas, com exceção da primeira busca corintiana, em 1925. O clube fundado em 1900 deixou as atividades ligadas ao futebol em 1929, dedicando-se a outras modalidades, como o basquete e a natação. Apesar disso, mantém viva a memória dos 11 títulos paulistas conquistados entre 1905 e 1929.

Tetra com craque e duelo com Corinthians e Palestra

O "trio de ferro" no começo do século passado era composto por Paulistano, Corinthians e Palestra Itália. Para se ter uma ideia da força do único tetra paulista, quando as atividades ligadas ao futebol foram interrompidas, o Paulistano era o maior campeão estadual: 11 taças, contra sete do Corinthians e três do Palestra.

Friedenreich (ao centro) foi o maior destaque dos títulos de 1918 e 1919 conquistados pelo Paulistano - Centro Pró-Memória do Paulistano
Friedenreich (ao centro) foi o maior destaque dos títulos de 1918 e 1919 conquistados pelo Paulistano
Imagem: Centro Pró-Memória do Paulistano

No ano do tetra, a disputa entre os três marcou o campeonato, que teve dez participantes e 18 rodadas. O Paulistano, que contava com o craque Friedenreich desde o fim de 1917, somou um ponto a mais que o Palestra Itália. A diferença para o Corinthians chegou a quatro pontos.

No jogo do título, os corintianos perderam por 4 a 1 para o rival no campo do Jardim América. Friedenreich, de quebra, assegurou a artilharia do campeonato, com 26 gols, sete a mais que o corintiano Neco. O atacante, àquela altura, garantira a posto de goleador máximo do Paulistão pela terceira vez consecutiva.

Em 1918, Friedenreich fez 25 gols em um campeonato com 16 rodadas. O desempenho fez o Paulistano superar o Corinthians por um ponto. Na partida decisiva, a estrela marcou quatro gols na goleada de 7 a 0 aplicada sobre a Associação Atlética das Palmeiras, terceira colocada no certame.

Já na edição de 1917, os três rivais lutaram entre si pela primeira vez na história, depois da reunificação entre a Liga Paulista de Futebol (LPF) e a Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea) —a cisão ocorrera em 1913. Mesmo sem Friedenreich, que ainda defendia o Ypiranga, o Paulistano teve como grande adversário o Palestra Itália, superado por dois pontos ao fim da competição.

Atual tricampeão, Corinthians busca o quatro título estadual consecutivo em 2020, feito inédito na sua história  - Marcello Zambrana/AGIF
Atual tricampeão, Corinthians busca o quatro título estadual consecutivo em 2020, feito inédito na sua história
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

O primeiro dos quatro títulos estaduais seguidos foi o mais fácil. Integrante da Apea, o Paulistano teve o São Bento como maior adversário. A taça foi garantida numa vitória por 5 a 2 sobre o Santos, na Vila Belmiro. O Palestra terminou na penúltima colocação do mesmo torneio, enquanto o Corinthians foi o campeão da LPF.

Tetra passou perto em três oportunidades

O feito do Paulistano quase foi reeditado em 1925, com o Corinthians, em 1935, com o Palestra Itália, e em 2013, com o Santos. Nas outras tentativas, corintianos e santistas ficaram distantes de igualar o tetracampeonato estadual.

Há 95 anos, o Corinthians ficou com o vice paulista, após ser superado pelo São Bento por apenas um ponto —em 1931, o time alvinegro foi sexto colocado e, em 1940, terminou na quarta posição. Ainda na década de 1930, o Palestra Itália foi vice-campeão depois de somar 18 pontos no campeonato da LPF, em 1935. O vencedor foi o Santos, com 20 pontos.

Neymar antes da final entre Santos e Corinthians no Paulistão 2013: santistas eram tri e perderam o duelo - Leandro Moraes/UOL Esporte
Neymar antes da final entre Santos e Corinthians no Paulistão 2013: santistas eram tri e perderam o duelo
Imagem: Leandro Moraes/UOL Esporte

O time santista, comandado por Neymar, chegou à final do Paulistão em 2013 como tricampeão. Na decisão, foi superado pelo Corinthians, após uma derrota por 2 a 1 no Pacaembu e um empate por 1 a 1 na Vila Belmiro. Nos anos 1960, mesmo com Pelé, os santistas não chegaram tão perto da marca. Em 1963, ficaram 14 pontos atrás do campeão Palmeiras. Em 1970, tiveram de se contentar com um quarto lugar, a seis pontos do São Paulo.

Antes de o Paulistano alcançar o tetra em 1919, o São Paulo Athletic, também extinto, sagrou-se tricampeão paulista em 1904. Na busca pelo quarto título seguido, viu o próprio Paulistano erguer seu primeiro troféu estadual. A equipe foi a quarta colocada na competição.

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