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Por que o São Paulo quer investigar ida de atacante para o Athletico-PR

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

17/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Bissoli foi revelado nas categorias de base do São Paulo e estreou em 2017
  • No ano seguinte, não quis renovar e tinha pré-contrato com o Athletico Paranaense
  • Por lei, o São Paulo podia cobrir a oferta e diz ter feito isso várias vezes
  • Jogador recusou, não fechou com o Furacão e foi para modesto time paraguaio
  • Depois de um ano, sem registros sobre a passagem pelo Paraguai, apareceu no Furacão
  • São Paulo quer investigar se o empréstimo ao Athletico foi combinado previamente

Quando Guilherme Bissoli marcou para o Athletico Paranaense em amistoso contra o Racing, na última quarta-feira (15), o São Paulo se surpreendeu. Afinal, em 2018, o Tricolor se envolveu em um impasse com o atacante que, na teoria, tornaria inviável uma transferência do jovem formado em Cotia para o Furacão. A diretoria do clube paulista agora investiga o caso.

O assunto foi levado à tona pelo gerente-executivo de futebol do São Paulo, Alexandre Pássaro, durante entrevista coletiva no CT da Barra Funda na tarde de ontem (16). O cartola contou que Bissoli se recusou a renovar com o Tricolor há dois anos por ter um pré-contrato com o Athletico.

"Bissoli é um jogador formado aqui. Assinamos um contrato de três anos que, quando estava vencendo, ele não quis renovar. Só que a Lei Pelé diz que o clube formador tem preferência na renovação do primeiro contrato profissional. Se um clube oferece um valor, o formador pode igualar ou cobrir a oferta e aí o jogador é obrigado a ficar, a não ser que uma indenização seja paga. Tivemos isso com o Athletico. Ficamos equiparando a proposta e, como não pagaram a indenização, ele não foi para lá", relembrou Pássaro.

Em 2019, entretanto, Bissoli foi levado por seus representantes para o futebol paraguaio. O atacante assinou com o Fernando de la Mora, um clube modesto, que disputa divisões inferiores, mas que é ligado a empresários sul-americanos. Não há registros de jogos de Bissoli por lá, nem mesmo nas redes sociais do jogador, que apenas publicava fotos da vida pessoal no Paraguai.

Até aí não há nenhuma irregularidade, já que essa regra imposta pela Lei Pelé é válida para o mercado da bola nacional. Só que quando Bissoli apareceu com a camisa do Athletico nesta semana, o São Paulo decidiu investigar o negócio. Caso entenda que o Fernando de la Mora serviu como ponte para o Furacão, o Tricolor pode acionar os paranaenses na Fifa.

"Consultamos a CBF e soubemos que ele está lá por empréstimo. Temos que entender se há só uma coincidência de fatos ou se tudo isso já estava previsto e planejado desde aquela época. Se as pessoas que forem julgar o caso entenderem que coisa era programa desde o começo, teremos direito à indenização. É algo novo para a gente, porque ele só apareceu no Athletico ontem [quarta]", disse Pássaro.

No Athletico, Bissoli reencontrou o técnico Dorival Júnior, responsável por levá-lo ao elenco profissional do São Paulo e também a escalá-lo em seus primeiros jogos no time principal. Em 2018, quem gostaria de contratá-lo para o Furacão era Fernando Diniz, hoje no Tricolor.

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