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Acordo do Cruzeiro com remanescentes prevê quitação de atrasados em 2021

Do UOL, em Belo Horizonte

17/01/2020 04h00

Não bastasse a falta de receitas, o Cruzeiro ainda precisa lidar com a alta dívida com seus próprios funcionários. Dando sequência à política de enxugar os gastos, a diretoria já conseguiu entrar em acordo com alguns atletas. A intenção do núcleo dirigente transitório é de reduzir drasticamente a folha salarial — de R$ 15 milhões para R$ 4 milhões — para conseguir manter os salários em dia. Já os atrasados e o valor excedente serão parcelados e pagos a partir do mês de maio de 2021, quando a expectativa é de figurar novamente na Série A do Brasileirão.

Até o momento, o zagueiro Léo, o lateral Edilson e o goleiro Fábio entraram em um acordo para permanecerem no Cruzeiro. Rafael e Manoel também estão verbalmente confirmados no plantel. Todos eles estão na lista de jogadores que possuem altos salários e toparam receber menos durante essa temporada para serem reembolsados futuramente. Os salários atrasados, assim como o montante que está acima do teto estipulado pela diretoria, serão pagos a partir do ano que vem. Por isso, o Cruzeiro trata o assunto como readequação salarial ao invés de redução. Esse parcelamento foi a solução encontrada pela diretoria após o rebaixamento celeste, que obrigou o clube a trabalhar com uma projeção de no máximo R$ 80 milhões em 2020.

"Os [pagamentos] que estavam atrasados, eu parcelei para outros anos. É muito difícil, mesmo ganhando bem ou não, ficar muito tempo sem receber. Eu abri mão porque as pessoas que estão aqui hoje, os novos gestores do clube, estão mostrando uma seriedade muito grande para ajudar o Cruzeiro. Eu tive que me adequar a esse momento e optei por ficar por isso", disse o lateral Edilson.

Somente os jogadores mais jovens estão com poucas pendências com o Cruzeiro. A situação é completamente diferente e grave em relação aos veteranos e donos dos maiores salários. Além do valor pago na carteira de trabalho, que está atrasado há três meses, o Cruzeiro também não paga o direito de imagem há pelo menos sete meses, além do 13º, férias e FGTS. No final do ano passado, Vittorio Medioli, ex-CEO do clube, revelou que somente essa dívida com os jogadores está na casa dos R$ 95 milhões.

Aqueles que não aceitarem reduzir os salários ou receberem as pendências na próxima temporada, terão como alternativa negociar uma saída amigável com o clube, já que a diretoria não pretende manter atletas caros no plantel. Jogadores como Henrique e Egídio já tomaram esse caminho. Outros como Thiago Neves, David e Éderson preferiram acionar o clube na Justiça.

Em menos de uma semana, a Raposa fará sua estreia no Campeonato Mineiro, e Adilson Batista ainda não sabe com quais jogadores poderá contar. Orejuela, Dedé, Fred e Sassá dificilmente ficam, e por isso não estão treinando na equipe titular. Mesmo que ainda estejam na equipe, a tendência é que não sejam relacionados para os compromissos.

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