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Qual a ordem de Diniz que contagia o elenco na pré-temporada do São Paulo

Fernando Diniz, técnico do São Paulo, em treino realizado no CFA Laudo Natel, em Cotia - Rubens Chiri / saopaulofc.net
Fernando Diniz, técnico do São Paulo, em treino realizado no CFA Laudo Natel, em Cotia Imagem: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

12/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Fernando Diniz quer que o time seja mais agressivo para recuperar a bola
  • Assim, os gritos de "reage" se espalham pelos treinos do São Paulo em Cotia
  • Técnico cobra que os jogadores reajam rapidamente após perderem a bola
  • E os próprios atletas já entraram no espírito e se cobram em campo

O São Paulo iniciou sua pré-temporada na última quarta-feira e um grito tem ecoado constantemente pelo CFA Laudo Natel, em Cotia. "Reage, reage", brada Fernando Diniz. É o código para que os jogadores não se abatam após uma perda de bola e marca uma das ideias de jogo que o técnico quer afinar para o Tricolor em 2020.

Esses gritos estão ligados a uma estratégia de marcação chamada "perde-pressiona". O conceito é simples: ao perder a bola no campo de ataque, o time precisa ser agressivo e reagir imediatamente para tentar tomar a bola do adversário. Quanto mais rápido isso acontecer, as chances de retomada da posse aumentam e a distância para o gol rival fica menor.

O torcedor do São Paulo já viu bastante desse conceito em dois momentos recentes do clube. Em 2015, Juan Carlos Osorio era um adepto ferrenho do "perde-pressiona". Dois anos depois, os ensinamentos do colombiano inspiraram Rogério Ceni a tentar fazer o mesmo. Para isso, os técnicos costumam apostar em times mais intensos e velozes, capazes de encurralar os adversários antes mesmo de a bola cruzar o meio de campo.

Everton e Luan disputam lance em treino do São Paulo na pré-temporada de 2020 - Rubens Chiri / saopaulofc.net - Rubens Chiri / saopaulofc.net
Divididas como esta entre Everton e Luan têm sido comuns nos treinos do São Paulo em 2020
Imagem: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Diniz quer que isso seja uma marca do São Paulo deste ano. O técnico conversa sobre isso com o grupo desde o ano passado, mas entendia que seria preciso mais tempo de treinamento para que a equipe ficasse ajustada para a estratégia. Caso contrário, o time se adianta com o objetivo de pressionar e recuperar a posse, mas o faz de forma desordenada e deixa buracos na transição defensiva.

Um exemplo de como um "perde-pressiona" mal executado pode castigar uma equipe aconteceu com o São Paulo no Campeonato Paulista de 2018, sob o comando de Dorival Júnior. O agora treinador do Athletico Paranaense sempre foi um incentivador dessa tática e também quis usá-la no Tricolor, mas um elenco mais pesado e ainda sem afinação para isso acabou se adiantando frouxamente contra o Santos e permitindo gol de Gabigol no Morumbi.

É por isso que Diniz tem sido tão insistente com os pedidos de "reage, reage". A mensagem precisa ficar automática no subconsciente do jogador. O "perde-pressiona" precisa se tornar natural, espontâneo. E até aqui os jogadores têm mostrado boa recepção para a ideia. Não à toa, alguns dos atletas ajudam a reforçar os gritos do técnico, como o goleiro Tiago Volpi, o zagueiro Bruno Alves ou o volante Luan.

A estratégia acaba servindo também como um trabalho psicológico para evitar cenas de jogadores se lamentando após um gol ou uma bola perdida, enquanto o adversário se arma para contra-atacar. Diniz quer mais concentração e foco no jogo coletivo e cobra muito os meias e atacantes quando esses se viram para lamentar um passe ou um drible que não entrou.

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