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Por que Vasco não consegue pagar R$ 1 milhão para se livrar de punição

Presidente do Vasco, Alexandre Campello busca empréstimo para quitar dívidas do clube - Paulo Fernandes / Vasco
Presidente do Vasco, Alexandre Campello busca empréstimo para quitar dívidas do clube Imagem: Paulo Fernandes / Vasco

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

12/01/2020 04h00

O Vasco pode até contratar mas, até o presente momento, está impedido de registrar os reforços por até seis meses. Tudo por conta de uma dívida de cerca de R$ 1 milhão com o atacante Jorge Henrique, que defendeu o clube entre 2015 e 2016. Asfixiado financeiramente, o clube tenta encontrar uma solução para o caso, mas afinal de contas: por qual motivo o Cruzmaltino não consegue pagar o que deve para se livrar da punição?

Mesmo tendo atingindo mais de 185 mil sócios e se tornado o maior programa de sócio-torcedor do Brasil, o Cruzmaltino ainda segue enfrentando uma grave crise financeira. Além de dever os salários de novembro, 13º, férias e alguns direitos de imagem, o clube sofreu grandes penhoras em dezembro que bloquearam, entre outras as coisas, a premiação do Campeonato Brasileiro. Para se ver livre delas, o Cruzmaltino fechou um acordo com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional onde, de cara, teve de pagar cerca de R$ 3,5 milhões e parcelar o restante. O total da dívida ativa vascaína até dezembro de 2019 era de R$ 62 milhões.

Para pagar os salários atrasados e quitar a pendência com Jorge Henrique - o que livrará o clube do bloqueio de registros de reforços - o Vasco finaliza uma operação de empréstimo com o banco BMG, que inclusive é patrocinador do clube.

A promessa é de que isso aconteça na semana que vem. Antes, porém, o Cruzmaltino tenta costurar um acordo com a CBF para se livrar da punição.

Nesta semana, o Vasco anunciou oficialmente o patrocínio da rede de departamentos Havan para as mangas da camisa, num acordo que irá render cerca de R$ 2,5 milhões e também ajudará nos pagamentos.

Até o momento, a única contratação anunciada é a do atacante argentino Germán Cano, ex-Independiente Medellín (COL). O nome do jogador ainda não consta no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF.

Salários atrasados geram insatisfação

As promessas não cumpridas da diretoria de quitar os salários atrasados até o fim de 2019 - mais precisamente até o dia 20 de dezembro - geraram muita insatisfação no elenco vascaíno. Na reapresentação para a pré-temporada, o zagueiro Leandro Castan, por exemplo, postou indiretas em seu Instagram, caminho tomado também pelo atacante Rossi em sua despedida do clube.

Os débitos, inclusive, foram primordiais para que o jogador não renovasse seu contrato com o Vasco. Ele não abria mão de receber as pendências e agora analisa propostas de Bahia, Ceará e Fluminense.

Outro que exige o pagamento dos atrasados para somente depois negociar a renovação é o meia Fredy Guarín. Enquanto isso, o jogador segue na Colômbia à espera da definição de seu futuro.

A insatisfação dos atletas fez com que Alexandre Campello se reunisse à portas fechadas com eles na última quinta-feira (9) no CT do Almirante, onde deu explicações sobre a situação.

Entenda o caso Jorge Henrique

O UOL Esporte teve acesso à ordem processual nº 2 e verificou os detalhes de todo o imbróglio jurídico. O primeiro acordo com Jorge Henrique foi feito em julho de 2018 e, a partir de dezembro daquele ano, o Vasco passou a descumpri-lo.

Após as seguidas sinalizações de não pagamento por parte de Jorge Henrique, a CNRD emitiu a ordem processual nº 1 — em novembro de 2019 —, aplicando uma advertência ao Vasco e exigindo que o clube cumprisse integralmente o acordo até 2 de dezembro de 2019.

Quando chegou a data estipulada, o Cruz-Maltino, segundo o documento, solicitou o prazo adicional de cinco dias para o cumprimento da obrigação e, em 10 de dezembro de 2019, o Vasco pediu mais 72 horas.

No parágrafo 17 da ordem processual nº 2, a relatora da CNRD, Ana Beatriz Macedo, reitera o esforço do órgão em conceder tempo ao clube para que ele cumprisse o acordo:

"(...) Ou seja, para além dos oito meses entre a apresentação do último comprovante de pagamento e a emissão da Ordem Processual nº 1, a CNRD concedeu ao CLUBE praticamente mais um mês para renegociar ou encontrar meios para saldar a dívida. Apesar disso, 40 dias se passaram desde a intimação da Ordem Processual nº 1 sem que o CLUBE tenha realizado qualquer novo pagamento".

Na decisão, datada em 17 de dezembro de 2019, a relatora ressalta ainda que, se o Vasco não pagasse o valor integral a Jorge Henrique até o dia 20 de dezembro de 2019, a CNRD iria "aplicar ao clube a sanção de proibição de registrar novos atletas pelo período determinado de 6 meses", sugerindo que "a Secretaria da CNRD deve oficiar com urgência à Diretoria de Registro, Transferência e Licenciamento da CBF para que bloqueie o registro de qualquer novo atleta pelo clube".

Vasco