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Flamengo troca euforia de 2019 por tensão em reapresentação para 2020

Diretoria do Flamengo na festa pelo título da Libertadores. Cúpula atravessa momento de crise após demissão de Pelaipe - Foto: Marcelo Cortes / Flamengo
Diretoria do Flamengo na festa pelo título da Libertadores. Cúpula atravessa momento de crise após demissão de Pelaipe Imagem: Foto: Marcelo Cortes / Flamengo

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

07/01/2020 20h35

Saíram os sorrisos escancarados, entraram semblantes mais carregados e um clima pesado que há muito não se via no Flamengo. No primeiro dia de trabalho do grupo que iniciará a disputa do Campeonato Carioca, as atenções no Ninho do Urubu estavam muito mais voltadas para os bastidores do que para o campo 5 do centro de treinamento, local da primeira atividade dos jovens que ajudarão na busca pelo bi do Carioca. E tudo ainda por conta da crise gerada pela demissão do gerente Paulo Pelaipe.

Um dos personagens centrais do enredo, Marcos Braz, vice-presidente de futebol, chegou ao CT por volta de 15h30. De paletó, ainda que sob o sol forte do Rio de Janeiro, o dirigente cumprimentou rapidamente os jornalistas que estavam por ali e entrou na área restrita do módulo profissional. Integrantes do Conselho de Futebol, Dekko Roisman e Diogo Lemos estavam lá também.

Já no andar de cima, Braz encontrou com o diretor-executivo Bruno Spindel, outro que fixou contrariado com a queda do ex-colaborador. A dupla conversou por um tempo até que Spindel foi para o campo. Ao lado do auxiliar Marcelo Salles, o Fera, que voltou ao cotidiano rubro-negro hoje (7), acompanhou a atividade comandada por Mauricio Souza.

O treinamento dos jovens ficou aberto para a imprensa mais tempo do que os protocolares 15 minutos e o vice de futebol também desceu de sua sala para conferir o trabalho mais de perto.

A dupla desceu para um bate-papo com os jornalistas presentes e atuou no sentido de estancar a fervura causada pela fogueira de vaidades que tem Luiz Eduardo Baptista, o Bap, como outro protagonista. Ainda que internamente o desconforto seja grande, o discurso foi para pacificar o clima.

Questionado a respeito das animosidades com Bap, um dos entusiastas da queda de Pelaipe, Braz não mencionou o nome de seu desafeto e garantiu não ter se sentido desprestigiado, embora tenha admitido que a demissão não o agradou.

"Eu e Bruno pedimos a renovação do contrato do Pelaipe e não foi possível. Simples assim. Não foi possível. Acabou, o Flamengo não renovou. Simples. Tenho uma relação muito boa com o Pelaipe, era uma pessoa que eu falava e usava muito aqui, assim como o Bruno. A gente sempre trabalhou muito bem. Atribuir a A, B ou c neste momento (responsáveis pela demissão)...Não vou falar de nomes", disse ele.

Mais cedo, Braz manteve contato telefônico com o presidente Rodolfo Landim, que verbalizou as razões para o desfecho. O dirigente afirma que o diálogo foi em alto nível e garante que sua relação com o mandatário é boa, mas o ato foi visto por outros vice-presidentes como um gesto que caracteriza um certo desprestígio.

"O que posso falar é que não sabia da não renovação do contrato. Não me sinto enfraquecido, estou muito tranquilo. Meu cargo aqui também é de estabelecer relação de tranquilidade no futebol profissional. Eu queria isso? Não. Tanto que solicitamos a renovação dele. Não me incomodei em nada neste processo. Não foi possível renovar", completou ele.

Por volta de 18h45, Braz deixou o Ninho do Urubu. Entrou no banco do carona e saiu do CT já quando a noite caía. O elenco volta amanhã (8) aos trabalhos e o que a cúpula mais quer é que o campo volte a estar no centro das atenções.

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