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Gringos atrapalharam? 15 técnicos badalados sem emprego no Brasil

Português Jorge Jesus levou o Flamengo até a final do Mundial de Clubes - Ibraheem Al Omari/Reuters
Português Jorge Jesus levou o Flamengo até a final do Mundial de Clubes Imagem: Ibraheem Al Omari/Reuters

Do UOL, em Santos (SP)

25/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Técnicos que eram badalados no Brasil hoje enfrentam uma 'seca' no mercado
  • Nomes como Luiz Felipe Scolari, Cuca e Carille chegam para 2020 sem emprego
  • Será que o sucesso dos gringos no futebol brasileiro ajudou a formar este cenário?
  • "O que atrapalha são os trabalhos dos próprios" analisa o blogueiro Julio Gomes
  • Marcel Rizzo: "Brasileiros têm por tradição se revezar entre os medalhões"

Seria difícil, há algum tempo atrás, imaginar que tantos técnicos badalados brasileiros chegariam à virada do ano sem um clube para trabalhar na temporada seguinte. Luiz Felipe Scolari, Fábio Carille, Mano Menezes, Oswaldo de Oliveira, Cuca, Zé Ricardo, Jair Ventura, Marcelo Oliveira, Vagner Mancini, Dorival Júnior, Ricardo Gomes, Celso Roth, Falcão, Lisca e Dunga são exemplos de profissionais que ainda estão sem emprego para 2020.

O Santos, por exemplo, tinha um gringo como prioridade para substituir Jorge Sampaoli e acertou com o português Jesualdo Ferreira. Atlético-MG ainda não anunciou seu novo técnico, mas também trabalha para fechar com um técnico estrangeiro.

Seria tudo culpa do efeito Jorge Jesus e Jorge Sampaoli no futebol brasileiro? Os títulos do Brasileiro e da Libertadores — pelo português — e o vice do Nacional — pelo argentino — vêm atrapalhando a carreira desses técnicos que já tiveram tanto nome no futebol daqui?

Ou será que os próprios trabalhos dos técnicos brasileiros ajudaram a esfriar o interesse dos clubes nacionais que buscam um novo comandante?

Para responder essas perguntas, pedimos ajuda aos blogueiros do UOL Esporte. Veja o que eles dizem:

Posse de Bola #13: "Perder do Liverpool de igual para igual é suficiente?"

UOL Esporte

ANDRÉ ROCHA

Jesus e Sampaoli só ajudaram o futebol brasileiro. Inclusive pode servir para que os treinadores "nativos" mais badalados se reinventem. Só não pode virar "moda" técnicos estrangeiros. Se for com convicção e dentro de um planejamento é válido.

Leia o blog do André Rocha.

JUCA KFOURI

Acho que os ajuda a pensar em fazer um futebol mais atraente. Vai que eles consigam...

Leia o blog do Juca Kfouri.

JULIO GOMES

O que atrapalha mais não são os gringos, são os trabalhos dos próprios. Alguns mais medalhões, tipo Felipão e Mano, têm mercado ampliado a seleções também. Com um bom trabalho de seus agentes, podem trabalhar no mundo todo. Para alguns com menos curriculum e mais a provar, tipo Jair Ventura ou Zé Ricardo, aí o efeito é mais direto e há menos portas abertas no Brasil.

Leia o blog do Julio Gomes.

MARCEL RIZZO

Sem dúvida. Os clubes brasileiros têm por tradição se revezar entre os medalhões: sai o Mano entra o Cuca, sai o Luxa entra o Felipão e volta o Mano para o lugar do Dorival. O Santos ter procurado com calma um treinador estrangeiro tirou vaga de um desses que participa do revezamento e que seria a solução mais fácil para o time da Vila. Como fez o Palmeiras, que por preguiça ou incapacidade mesmo da direção optou por Luxemburgo, no caminho mais fácil.

Leia o blog do Marcel Rizzo.

MENON

Os Jorges fizeram um trabalho extraordinário. Colocaram o sarrafo no alto e os clubes perceberam que não há obrigação de ficarem restritos sempre aos mesmos nomes. E nomes como Jair Oliveira e Marcelo Oliveira já estavam queimados há tempos. Roth, Falcão e Dunga já são aposentados compulsórios.

Leia o blog do Menon.

PVC

É mercado. Nada atrapalha. Quem tem competência trabalha. O problema é se começar a medir competência por nacionalidade. Porque daqui a pouco certamente vamos voltar a perceber que há competentes e incompetentes entre brasileiros e estrangeiros.

Leia o blog do PVC.

RENATO MAURÍCIO PRADO

Temos, atualmente, três, quatro técnicos estrangeiros no país. Atribuir a eles o desemprego dos brasileiros é forçar um problema de mercado que não existe. O que existe, sim, é a enorme defasagem dos treinadores daqui em relação aos europeus — problema explicitado por Jesus e Sampaoli. Vivíamos aqui na era paleolítica da bola. "Fechar a casinha e jogar por uma bola" passou a ser um mantra, evitado por pouquíssimos, como Renato Gaúcho, Tiago Nunes e Fernando Diniz. Os desempregados de agora ou se atualizam, ou não terão muito espaço daqui pra frente.

Leia o blog do Renato Maurício Prado.