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Luxa repete bordões em volta ao Palmeiras e minimiza importância da tática

Vanderlei Luxemburgo está de volta ao Palmeiras, em boa forma, ao menos nas entrevistas - MAURíCIO RUMMENS/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Vanderlei Luxemburgo está de volta ao Palmeiras, em boa forma, ao menos nas entrevistas Imagem: MAURíCIO RUMMENS/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

20/12/2019 13h32

Em seu retorno ao Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo mostrou que, se o assunto for entrevista, não há como questionar sua boa forma. Bem-humorado na apresentação nesta sexta-feira (20), o experiente treinador admitiu que se emocionou nesta volta à Academia de Futebol. Destacou, ainda, que o mais importante para que sua nova empreitada dê certo não é o esquema tático, mas o que entende por DNA nacional, de liberar os jogadores para atuar com o "empirismo brasileiro".

O comandante usou frases que já viraram sua marca registrada e ressaltou que não é contra as modernidades. Ele ponderou que nem tudo que é novo é essencial para que o time consiga ser campeão. Contratado por dois anos, ele levou boa parte da família para o Centro de Treinamento para acompanhar toda a entrevista.

"Não sou contrário à modernidade. Eu preciso saber o que ela presta para a gente. Na minha área, vendo esquemas táticos que a gente vê hoje aí, eu percebo que o mais diferente é a intensidade e o dinamismo, que são muito diferentes. O que oferecem para se condicionar melhor e não correr mais sete quilômetros, mas 12. Nós acompanhamos essa modernidade, também na parte tática", afirmou Luxemburgo.

"A maior revolução tática do mundo foi em 1970 pelos brasileiros na Copa. Tenho quase 70 anos e estou com saúde para dar treinamento, para estar no campo, e tenho a experiência. Você não fica ultrapassado como tentam rotular. Você fica mais experiente, sábio, na profissão. Estou preparadíssimo para essa modernidade", disse.

Foi aí que o novo velho treinador do Palmeiras fez questão de pontuar uma diferenças do futebol nacional em relação ao que se pratica no exterior que supostamente interfere em qualquer trabalho. Para ele, o sucesso nos gramados daqui tem mais a ver com a técnica do que a tática. "Estamos preocupados em falar esquema tático e esquecendo que o Brasil é empírico, é diferente. Se a gente perder essas características vamos ficar igual robô", afirmou.

"Nós ganhamos porque nós driblamos, porque a gente faz coisas diferentes. Quando dá o pontapé inicial, adeus 4-2-3-1 e o que for. Cada um vai para um lado. O analista de desempenho mostra aquele catatau de coisa e às vezes você precisa extrair o que serve mesmo. O Dudu vai toda hora da direita para esquerda, da esquerda para direita, por dentro e por fora. Eu quero que essa coisa não se perca. A essência do Brasil é não estar preocupado com esse número, isso de 4-1-4-1, 4-2-3-1... Tem que ficar girando dentro de campo", ponderou.

Vanderlei Luxemburgo não quis se aprofundar na análise do elenco do Palmeiras e não deu pistas sobre como pretende usar os jogadores mais contestados pela torcida, como Deyverson e Lucas Lima, por exemplo. Ele também evitou falar de mudanças de funções de outros jogadores, como no caso de Felipe Melo, que já foi citado por ele mesmo em outras entrevistas antes de retornar ao Alviverde como possível zagueiro.

Outro assunto que foi evitado pelo treinador foi a comparação com Jorge Jesus e da rivalidade que cada vez mais acirrada com o Flamengo. "Não vou rivalizar com o Flamengo, vai ser com o futebol brasileiro. Eu tenho que ganhar dos clubes que vão disputar comigo. Não vou direcionar para o Flamengo e depois posso perder para o Ceará, para o Fortaleza... Eu vou direcionar para o Palmeiras", explicou.

"Essa discussão de influência da Europa é eterna, né? O Jesus agora ganhou. Mas se você pegar nos últimos anos, qual foi o estrangeiro que ganhou aqui? É o mérito todo dele hoje. Não quer dizer que vai ganhar no ano que vem também. O Jesus ganhou esse ano, o Mano já ganhou, o Felipão já ganhou, o Carille ganhou, o Tiago Nunes ganhou... Pode ser sul-americano, europeu... Vai ganhar alguém. Nós damos os parabéns para ele e para o Sampaoli, porque os dois vieram e fizeram bons trabalhos, mas vida que segue. Não temos como comparar", finalizou.

Confira outras respostas de Luxemburgo:

Vai fazer rodízio?

É bom ter um elenco forte. O Campeonato Brasileiro só um bate campeão em 20 e temos 12 grandes clubes. Em cinco anos, Palmeiras ganhou dois. Então, com elenco forte, te possibilita a montar times para ganhar. Time ganha jogo, elenco ganha competição. Tem que ser forte e versátil. São 24 jogadores no elenco, um que joga em duas e você já mexe com isso. Isso de rodízio... Estão muito preocupados com isso. É característica pessoal de cada técnico e tem que conversar internamente, para encaixar com fisiologia, para poder encaixar o trabalho. Essa discussão vai sempre existir na hora da preferência da competição. Tenho que saber qual jogo eu posso fazer e qual eu não posso fazer. É uma discussão de momento. Com certeza, vai ter momento de discutir.

Chance de mostrar que não está ultrapassado

Não estou com gana de mostrar para ninguém. Eu vou dar satisfação ao Galiotte, fez contrato comigo, acreditou no potencial e fazer o que eu sempre fiz. Não tem que dar justificativa a ninguém. O trabalho do Vasco foi sensacional. Mas aqui no Palmeiras, cara, a expectativa é de grande conquista. Com investimento e solicitação do torcedor. O investimento não é diferente. Os outros clubes investem, contratam certo e também contratam mal. Aqui não é diferente da expectativa de conquista. A cobrança é dentro da realidade do Palmeiras. Eu não estou preocupado. Se eu não ganhar o Paulista já começa tudo errado, que eu sei que é assim que funciona.

Felipe Melo pode ser zagueiro?

É uma conversa com ele. Se eu não conversar... De repente eu tenho um câmera que eu quero colocar para repórter e preciso conversar antes. Primeira coisa que eu preciso falar é falar com ele. Se ele não sentir, não tem porque querer. Se ele aceitar, tudo bem. Se ele não aceitar, tudo bem também.

Uso das categorias de base

Vai ser por mérito e acompanhamento diário. História e experiência é de colocar moleque para jogar. Sempre coloquei moleque para jogar. É importante dentro do clube a base, você tem jogadores, e aí vem mostrando muitos jogadores e ganhando. Eu vou estar atento, olhando e já conheço. Eu sempre assisto ao sub-20 e acompanho a base. E tem bons jogadores que obviamente serão usados por nós. Vai ser aberta uma janela importante para ele mostrar o talento. Seguir ou não é com eles

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