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Após "susto" de Sampaoli, Luan Peres fala em prolongar empréstimo no Santos

Luan Peres em treino do Santos - Ivan Storti/Santos FC
Luan Peres em treino do Santos Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

15/12/2019 12h00

Ao longo da carreira, o técnico Jorge Sampaoli acumula casos de contratação pedidas por ele e depois esquecidas no elenco. Ganso no Sevilla foi um caso. Uribe e Cueva, no Santos, outros. O zagueiro Luan Peres tomou um susto quando desembarcou no Peixe e chegou a pensar que ele entraria nessa ingrata estatística.

Dias antes de sua apresentação, o comandante argentino foi perguntado sobre o acerto do Santos com Luan Peres e Venuto, no estouro da janela de transferências. Sincero, Sampaoli afirmou que havia pedido os dois no início do ano, mas ninguém o havia consultado sobre contratá-los naquele momento.

Explica-se: o argentino estava em um de seus momentos mais irritados no Peixe, pois tinha acabado de perder o volante Jean Lucas, emprestado pelo Flamengo e que foi vendido ao Lyon (FRA) sem que o Santos ganhasse um centavo. As palavras do comandante assustaram o novo defensor alvinegro.

"Quando me ligaram do Santos, disseram que era indicação do Sampaoli e eu fiquei muito feliz. Falei que ia de olhos fechados. Quando vi isso fiquei meio assim, não conhecia ele, mas com o tempo fui conhecendo e vi que ele é assim mesmo, meio explosivo, fala o que pensa. Deixei isso de lado, comecei a treinar e me adaptar. Mas também fiquei feliz que ele me queria no começo da temporada. Isso é gratificante, mas levei um susto", contou Luan em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Estreia de Luan Peres pelo Santos - Ivan Storti/Santos FC - Ivan Storti/Santos FC
Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Se a recepção não foi fácil, a estreia muito menos: Flamengo, dentro do Maracanã e "improvisado" como falso lateral-esquerdo. Ainda assim, o zagueiro ganhou elogios pela atuação e deu um carrinho em Éverton Ribeiro que foi o cartão de visita para o torcedor. Depois desse jogo começou a se firmar como primeira opção no banco e, agora, pode ter chance de assumir a vaga de Gustavo Henrique, que deixou o clube.

Emprestado pelo Brugge, da Bélgica, até o final de 2020, Luan Peres já pensa em ficar mais tempo na Vila Belmiro. Adaptado à cidade, o zagueiro revelado pela Portuguesa de Desportos sabe que as condições financeiras do Santos não são as melhores e dificilmente o clube poderá pagar os 5 milhões de euros (quase R$ 23 milhões) para adquiri-lo em definitivo ao final do vínculo. Para Luan, a solução pode ser um novo empréstimo, e ele promete se esforçar para isso.

"É uma situação que muito jogador vive. Na minha cabeça ainda não passa por ter mais um ano, mas se fosse essa época do ano que vem, sim. Estou gostando do Santos, pretendo ficar, mas se tiver que retornar, eu retorno. Ninguém sabe o dia de amanhã. Se eu conversar com o clube, pedir um novo empréstimo para o Santos se não conseguirem me comprar. É conversar com eles e meu empresário. Tentar esticar o empréstimo ou algo assim pra poder ficar aqui", afirmou.

Eliminação do Brasil na Copa de 2018 fez Luan ouvir

Luan Peres tinha acabado de chegar ao Brugge quando os caminhos de Brasil e Bélgica se cruzaram nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia no ano passado. Ele estava concentrado com o elenco, em sua maioria composto por belgas. Antes do jogo havia respeito, mas depois...

"Eles respeitam demais o Brasil, principalmente quem joga. Eles estavam com pé atrás, e eu estava super confiante. A gente estava concentrado na Holanda fazendo pré-temporada. Tive que aguentar o sarro do pessoal. Maioria dos jogadores belgas, me zoaram bastante. Meu pai estava na Bélgica, vendo apartamento, e disse que foi uma festa muito grande lá", disse Luan.

"Politicagem" quase interrompeu sonho na Lusa

Luan Peres começou aos sete anos de idade e ficou até os 20 no mesmo clube: a Portuguesa de Desportos. No entanto, essa história quase terminou ainda no sub-17 da Lusa por pura "politicagem".

"No sub-17 quiseram me mandar embora, pois estavam trazendo jogadores de fora e deixando de lado quem já estava no clube. Cheguei a falar pro meu pai que não queria mais, que ia fazer faculdade. Ele não deixou. Um diretor da Portuguesa, o Dárcio, me manteve lá, sou grato a ele. Falei que não queria ficar com essa briga, alguns me querendo e outros me dispensando, mas ele falou para ser paciente que logo essas pessoas sairiam. Fiquei seis meses treinando no último time, sabendo que não iria jogar. Aí quando mudou a diretoria, voltei a jogar e assinei meu contrato profissional", contou Luan.

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