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Tratado como melhor do Brasil, patrocínio vira equívoco em 2019 do Cruzeiro

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

12/12/2019 12h00

Resumo da notícia

  • Cruzeiro adotou discurso que patrocinador master teria o valor mais alto do país
  • Banco Digimais foi anunciado, mas altos valores dependeriam da adesão do torcedor às contas digitais
  • Já pensando no centenário, diretoria fechou com a marca alemã Adidas a partir do ano que vem
  • Futuros valores recebidos pelo fornecedor esportivo também dependerão da quantidade de camisas vendidas

Assim como o time dentro de campo, o Cruzeiro começou a temporada de 2019 voando nos bastidores. Além dos grandes nomes que desembarcaram na Toca da Raposa, o início do ano também foi marcado pela procura e pelo mistério em torno do anúncio de um novo patrocinador master, apontado várias vezes como o mais lucrativo do Brasil. Mas isso ficou só no discurso. 12 meses mais tarde, esta e outras parcerias do clube viraram apenas mais um alvo das críticas de Zezé Perrella, desligado do cargo de gestor de futebol, e que ajudam a explicar o pior ano da história celeste.

Nos primeiros meses do ano, ex-membros da diretoria como Itair Machado e Sérgio Nonato adotaram um discurso de que o futuro patrocinador do clube seria o melhor do país. Para isso, utilizaram até o Palmeiras (e a Crefisa) como base comparativa. Mas isso não chegou nem perto de se concretizar. Após a apresentação do Banco Digimais, o presidente Wagner Pires mudou o tom e justificou que os altos valores recebidos pela agremiação alviverde só seriam alcançados com a adesão em grande escala das contas digitais por parte da torcida. Recentemente, o clube confirmou que o banco irá continuar como parceiro para 2020, mas deixará a parte mais importante da camisa, passando a ser utilizado em outro local do uniforme. O modelo de patrocínio foi duramente criticado por Zezé em seus últimos dias como gestor de futebol.

"Nós não temos nem dinheiro na A, nem na B (divisão). A minha esperança é que a gente consiga alguns patrocínios melhores. O Cruzeiro deixou de receber R$ 12 milhões do banco Bonsucesso para fechar com o outro de graça, né. Contando só com os royalties. O Bonsucesso ofereceu R$ 12 (milhões) mais os royalties. Achou que o outro banco que era o maior e fizeram esse negócio ".

O patrocínio da Digimais rendeu ao Cruzeiro pouco mais de R$10 milhões no primeiro ano da parceria. Contudo, parte desse montante também é derivado de empréstimos feitos pelo banco e que serão pagos por meio de publicidade na próxima temporada.

Contrato com a Adidas

Outra negociação bastante criticada feita por membros da antiga diretoria foi a do fornecedor esportivo. Apesar de ter uma das maiores marcas mais famosas do mundo em seu uniforme a partir de 2020 (e também no ano do centenário), o contrato com a Adidas também só será vantajoso se o clube alcançar um número satisfatório de vendas. Ao contrário de contratos mais tradicionais, a agremiação não receberá um valor fixo do fornecedor, apenas um percentual sobre cada peça vendida. Além disso, a dificuldade para pagar os salários do elenco fez com que a diretoria antecipasse parte dessa renda que ainda nem começou a ser gerada.

"O contrato da Adidas, que a imprensa falou, o Cruzeiro só tem royalties se vender 180 mil camisetas, sendo que o nosso recorde de vendas é de 120 mil. A Adidas é de marca, muito bem-vinda, mas não há contrato milionário. O royalty que eles deram para a gente agora é para ser compensado no futuro, caso a gente tenha direito a algum royalty. Se não tiver, fica devendo para eles ainda. Assim foi feito no Cruzeiro, uma zorra total", explicou Zezé.

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