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O que fez o Palmeiras contratar Anderson Barros para diretor de futebol

Bernardo Gentile e Danilo Lavieri

Do UOL, no Rio de Janeiro e em São Paulo

12/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Anderson Barros foi escolhido para o cargo de diretor de futebol para a surpresa de muitos torcedores do Palmeiras
  • O diretor é elogiado no Alviverde por ser discreto e por ter boas referências no mercado do futebol
  • Anderson tem 25 anos de mercado e seis conquistas de campeonatos estaduais por times diferentes
  • É o primeiro time que Anderson trabalhará com capacidade de investimento grande e sem dificuldades financeiras

O nome de Anderson Barros para o cargo de diretor executivo do Palmeiras pegou boa parte da torcida de surpresa. Quarta opção na fila, atrás de Thiago Scuro (do Red Bull), Rodrigo Caetano (Internacional), e Diego Cerri (Bahia), ele tem 25 anos no mercado e seis conquistas estaduais como seus principais feitos: 2004 pelo Flamengo, 2006 e 2008 pelo Figueirense, 2010 e 2018 pelo Botafogo e 2016 pelo Vitória.

Ele também trabalhou em campanhas que não deram certo, como rebaixamentos do Figueirense e do Vitória e lutas para não cair com Botafogo e até pelo Flamengo, em 2004, quando o time escapou da queda por quatro pontos.

Sua primeira missão será dar prosseguimento a negociações de saídas de jogadores que não terão mais espaço no Palestra Itália. As operações servirão para diminuição do déficit e viabilizar investimentos no mercado da bola.

No Palmeiras, Anderson vai trabalhar com Galiotte e Cícero - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/DIvulgação
No Palmeiras, Anderson vai trabalhar com Galiotte e Cícero
Imagem: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/DIvulgação

Apesar das poucas conquistas em relação ao seu tempo de atuação, o que chamou a atenção do Palmeiras a sua boa referência entre clubes e nomes do mercado. Ele foi indicado pelo gerente de futebol, Cícero Souza, que será seu subordinado no Alviverde, mas é seu superior na Abex (Associação Brasileira de Executivos de Futebol), onde Cícero é presidente.

Elogiado por ser uma pessoa íntegra, ele também atende ao perfil procurado pelo Palmeiras, de um dirigente bem mais discreto em relação ao seu antecessor, Alexandre Mattos, que tinha praticamente carta-branca quando comandava o departamento. Internamente, há uma impressão que o executivo é "cumpridor de regras" e não se incomodará na hora de se submeter a diretores e vices antes de tomar as decisões.

Anderson Barros não é muito conhecido fora do Rio de Janeiro, onde já trabalhou em três dos quatro grandes clubes da cidade. Iniciou no Flamengo, mas foi no Botafogo onde se consolidou e pôde mostrar mais do seu trabalho. Em sua primeira passagem por General Severiano ficou no clube entre 2009 e 2013, quando acumulou admiradores e desafetos.

Logo em seu primeiro ano, o Botafogo lutou contra o rebaixamento. A situação parecia irreversível, mas Anderson se mexeu no mercado e trouxe Jobson. O atacante foi fundamental na reta final e marcou gols decisivos que garantiram o Alvinegro na primeira divisão.

A partir de então, o Botafogo entrou em uma era muito mais tranquila. Com contratações certeiras no mercado como Herrera e Loco Abreu, o Alvinegro voltou a ganhar título estadual e brigou na parte de cima do Campeonato Brasileiro até as rodadas finais.

Mas a relação com a torcida foi se desgastando com o passar do tempo sempre com o mesmo problema. Elenco mal montado. Ora faltava um lateral esquerdo, ora sentia falta de um meia criativo. O fato é que Anderson Barros jamais comandou um time com dinheiro no caixa. Pelo contrário. Sempre teve que se virar para conseguir empréstimos no mercado para colocar salário em dia.

Anderson Barros trabalhou no Vasco antes de ter ido ao Botafogo - Paulo Fernandes / Flickr do Vasco
Anderson Barros trabalhou no Vasco antes de ter ido ao Botafogo
Imagem: Paulo Fernandes / Flickr do Vasco

Seu empenho nesse sentido é um dos motivos que o faz ser tão querido entre os atletas. Em sua segunda passagem, a partir de 2018, teve que lidar diariamente com salários atrasados. A diretoria já não tinha mais o respeito dos jogadores. Acreditavam apenas em Barros. Sua saída para o Palmeiras, inclusive, gerou revolta de muitos jogadores que conversaram muito entre si sobre quem tomaria conta dessa situação a partir de agora.

O torcedor do Botafogo, de maneira geral, não gosta do dirigente. Tanto que a pressão era para que a diretoria de transição, montada para gerir o clube até a chegada dos investidores para a transformação em clube-empresa, o demitisse. Com multa rescisória de R$ 250 mil e salário considerado baixo no mercado, Barros seria mantido mesmo a contragosto.

Mesmo com a insatisfação da torcida, Anderson Barros obteve realizações e erros dentro do seu limite. Esse contexto não pode ser esquecido. No Palmeiras, terá a oportunidade de dar um salto de qualidade por se tratar de um clube estruturado e com grana. Por outro lado, um desempenho ruim o deixaria em maus lençóis. É o momento da verdade para o dirigente.

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