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Rubro-negra é vetada de Mundial por ordem médica após passar mal em Lima

Maria Alice e o filho Gustavo, torcedores do Flamengo, após atendimento em Lima - Arquivo Pessoal
Maria Alice e o filho Gustavo, torcedores do Flamengo, após atendimento em Lima Imagem: Arquivo Pessoal

Alexandre Araújo e Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

12/12/2019 12h00

"Que emoção no coração!". O trecho do hino do Flamengo pode ajudar a entender o motivo de a rubro-negra Maria Alice Oliveira, de 57 anos, não poder estar presente no Mundial de Clubes, mesmo com ingressos para os jogos do dia 17, semifinal, e 21, final. Ela não estará no Qatar por recomendação médica, depois de ter protagonizado uma "aventura" em Lima, no Peru, onde aconteceu a final da Libertadores, e acompanhado o duelo com o River Plate, da Argentina, do hospital.

Maria Alice foi para Lima juntamente com o filho Gustavo Henrique, de 27 anos, a quem passou a paixão pelo Flamengo. Otávio Pinho, pai, e Felipe Eduardo, que é gêmeo de Gustavo, por outro lado, torcem para o rival Vasco.

Confiante, ela nem sequer esperou a vitória da equipe de Jorge Jesus sobre o Grêmio, na semifinal, para garantir uma vaga na final. E a mudança da cidade-sede da decisão, que causou dor de cabeça a uma boa parte dos rubro-negros, para Maria Alice e Gustavo foi até positiva.

"Quando houve a pré-venda pelo site, comprei no primeiro dia. Era 7 de setembro, muitos antes de o Flamengo pensar em se classificar para a final. Eu sempre acreditei que o Flamengo chegaria. Em relação à passagem, compramos um voo para o Chile indo por Lima. Acabou que a sede mudou para Lima e deu tudo certo. Eu nunca duvidei da minha sorte (risos)", lembra Maria Alice.

Maria Alice, torcedora do Flamengo, recebe atendimento no Estádio Monumental, em Lima, na final da Libertadores - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Desta forma, eles chegaram a Lima dois dias antes do jogo que valia o título. Porém, no dia da final, pela manhã, Maria Alice não se sentiu bem e ligou para a cardiologista, que estava no Brasil. Ouviu atenciosamente às instruções e, mais importante, a liberação para ir à partida, mas com uma ressalva: ir a um hospital logo após o apito final.

"Chegando próximo ao estádio, andamos quase três quilômetros, que era onde estava a barreira. Meu batimento estava entre 90 e 100. Depois que tiramos algumas fotos e entramos, avistei a ambulância da Conmebol, mas já estava pior. Fui até lá e meus batimentos estavam entre 170 e 190", lembra ela, que ressalta ter dispensado a ajuda do filho:

"O Gustavo disse que ficaria comigo na ambulância. Eu disse que não, que chegamos até o estádio e que um flamenguista da família tinha de assistir ao jogo. Pedi que ele ficasse. Se não, eu ia infartar ali mesmo. Consegui convencer ele de ficar e avisei que ficaríamos em contato por telefone, que ele me encontrasse depois".

Maria Alice deixou o estádio de ambulância, mas não deixou de lado o jogo. Logo que chegou ao hospital, ligou o rádio e, novamente, confiar na equipe da Gávea.

"Vi que estava 1 a 0 para o River e liguei para o Gustavo. Lembrei a ele que, a caminho do estádio, tínhamos visto dois urubus em um prédio. Era sinal de que faríamos, ao menos, dois gols e viraríamos o jogo. Acreditei nisso o tempo todo".

Pouco após voltar ao Brasil, foi a uma consulta e, desta vez, teve de mudar os planos após recomendação médica. Mas nada que tenha afetado a empolgação para acompanhar o Rubro-Negro na briga para ser o melhor time do mundo.

"Na quarta-feira, já estava vendo passagem para o Qatar porque eu tinha comprado ingresso para o Mundial no dia 9 de novembro, quando a Fifa abriu a pré-venda dos ingressos. Comprei para o dia 17, que era o do campeão da Libertadores, e 21, a final. Mas a médica desaconselhou. Tenho de ver se terei de fazer uma cirurgia. Mas já combinei com a família e amigos para fazermos um churrasco e assistirmos o Flamengo ser campeão mundial", afirmou.

"Dia mais tenso da minha vida"

Maria Alice avisou que ao menos um rubro-negro da família teria de ver o Flamengo ser campeão. E viu! Depois de toda a correria para ajudar a mãe e a insistência dela para que ele ficasse, Gustavo Henrique acompanhou o duelo no estádio Monumental, mas avisa que a mistura de nervosismo pelo Rubro-Negro e a preocupação com a mãe fizeram aquele ser um dia para lá de atípico.

"Teve um momento que trocaram ela de setor do estádio para ter atendimento em uma outra ambulância, que seria melhor equipada. Colocaram ela na cadeira de rodas e levaram, mas eu fiquei preso no Setor Sul. O segurança não queria deixar eu passar e pediram para eu esperar. Foi o dia mais tenso da minha vida. Eu estava com aquela adrenalina do jogo e fiquei muito preocupado com a minha mãe. Nunca mais vou esquecer esse dia", disse.

Gustavo, torcedor do Flamengo, celebra o título da Libertadores no Estádio Monumental - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Gustavo lembra que ficou no estádio porque, além da insistência da mãe, uma amiga da família estava em Lima.

"Naquele momento, eu já nem mais estava ligando para o jogo. Era a minha mãe ali, mas em nenhum momento ela deixou eu acompanhar. Ela pegou minha mochila, me deu e disse: 'Você é nosso representante na final'. Nossa sorte é que uma amiga nossa que estava em Lima e não ia ao jogo se ofereceu de acompanhar. Quando o River fez o gol, minha mãe mandou mensagem (risos)".

Ao apito final e com uma virada que foi um teste para o coração, o jovem correu para o encontro daquela que lhe passou o DNA rubro-negro.

"Passou do pior para o melhor dia da minha vida. Sai de lá e fui diretamente encontrar minha mãe. Fomos para o hotel e comemoramos. Ela foi lá ganhar essa Libertadores."

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