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"O diretor teve uma estratégia que selou o meu destino", diz Prass em adeus

Fernando Prass admitiu que Alexandre Mattos não defendia a sua permanência - Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Fernando Prass admitiu que Alexandre Mattos não defendia a sua permanência Imagem: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

10/12/2019 13h10

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (10), Fernando Prass tentou explicar o motivo de a sua saída do Palmeiras não ter sido da maneira que ele imaginava. O goleiro disse que entenderia se não houvesse renovação por motivos técnicos, mas ponderou que a decisão foi tomada com base em questões administrativas.

O atleta de 41 anos ainda destacou a "estratégia contratual" adotada pelo ex-diretor Alexandre Mattos que deu a Jailson um contrato de gaveta que ficou escondido por um ano e só veio à tona após reportagem do UOL Esporte. A saída do líder do elenco estava encaminhada desde dezembro de 2018.

"Gratidão, história ou respeito não levam um atleta a renovar o contrato. É muito bonito, mas o que faz ficar é o desempenho. Esse ano, eu joguei 11 jogos e todos em alto nível. Eu sempre treinei antes e depois dos jogos. A minha saída foi mais questão administrativa do que técnica. O antigo diretor teve uma estratégia contratual que deixou meu destino selado. Então, conversando com o presidente, pelo o que se criou, não tinha possibilidades de ficar aqui e eu não queria atrapalhar o planejamento", afirmou o goleiro.

"Teve uma época, que eu tive alguns pedidos de entrevistas negados e, em certo momento, me disseram que era porque eu estava em fim de contrato. Conversando casualmente com Dracena e Jailson, eu toquei no assunto e perguntei se eles estavam tendo entrevistas negadas pelo fim de contrato. E o Jailson disse que já tinha um acerto para o ano que vem. E depois saiu uma matéria no UOL falando disso tudo. Em reunião com o Alexandre, ele disse que precisaria resolver meu destino. O meu empresário depois perguntou dessa situação do Jailson e o Alexandre disse que não existia", completou.

O planejamento do Palmeiras no momento é de usar Weverton como titular, Jailson como goleiro reserva e Vinicius Silvestre, que volta de empréstimo do CRB, como terceira opção.

Prass ainda relembrou que, sob a gestão de Alexandre Mattos, sempre teve dificuldades para renovar e lembrou que precisou de alguém convencendo o diretor a prorrogar seu contrato.

"Em 2015, o Nobre bateu o pé para eu ficar. Em 2017, foi o Galiotte que me chamou e disse que resolveria. E agora em 2018 o Felipão pediu a renovação minha, do Jailson e do Dracena", afirmou, para depois ser perguntado se tinha algum problema pessoal com Mattos.

"Olha, em relação a problema eu nunca tive problema nenhum. Ele sempre me procurou para falar de certos assuntos. Agora, eu simplesmente fui sincero e cristalino e agradeci às pessoas que fizeram força para eu ficar. Me esqueci de uma ou outra, mas essas são as pessoas que eu agradeci", finalizou.

Inicialmente, Prass não teria nenhum evento de despedida do Palmeiras. Ele foi avisado que não continuaria no clube na sexta-feira, comunicou o adeus nas redes sociais e ficaria sem a chance de falar sobre a sua saída. Os seguidos pedidos de torcedores mudaram a situação e fizeram o goleiro poder dar seu adeus. Ele ainda recebeu uma placa e uma camisa enquadrada das mãos de Maurício Galiotte.

Veja outras respostas de Prass

O melhor e o pior momento no Palmeiras

A luz do Marcos vai ficar por aqui por muito tempo, não tem como apagar. O momento mais marcante foi a final contra o Santos, quem viu só o jogo não entende o contexto. Vem desde 2014, um ano com muita dificuldade, a rivalidade do Santos, o mosaico e a história do jogo, pênalti defendido, pênalti feito, foi o momento mais marcante. O mais difícil foi em 2014. Eu quebrei o cotovelo contra o Flamengo e tive dificuldades para voltar porque foi uma lesão complicada. Eu tinha muita dor para treinar e os médicos resolveram tirar o pino e o fio. Não melhorou, continuei com muita dor, tomava quantidade de remédios absurda e não tinha resultado. E aí fiz outro tratamento com ondas. Fiz um coletivo no sábado e joguei na quarta contra o Botafogo, depois de 4, 5 meses parado. Momento ruim, então aquele momento foi mais difícil"

Esperava terminar a carreira no Palmeiras

Sempre disse nas coletivas e entrevistas que queria encerrar a minha carreira no Palmeiras. Os índices físicos que o pessoal da fisiologia usa como referência, os meus são excelentes. Meu desempenho em campo, nos jogos que eu fui chamado a jogar, sempre estive em alto nível. Eu esperava encerrar a minha carreira aqui. A ideia era terminar a carreira aqui. Essa situação toda, eu sempre fui competitivo, obstinado, parece que essa situação que aconteceu me deu uma carga extra. Se eu já era motivado, determinado, espero fazer um pouco mais.

Futuro na carreira

Eu falei para o presidente, ele me perguntou. No final de semana, eu desliguei o telefone, eu combinei com meu empresário que a partir de terça-feira, depois que eu me desvinculasse realmente, eu começaria a tratar disso. Antes, sem vir aqui, explicar, eu estaria muito focado, conversar com outro clube.

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