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Goleiro viu Chapecoense recusá-lo por religião em 2016: "Vontade era ir"

Vitor, ex-goleiro do Londrina, que decidiu seguir os preceitos da religião Adventista e não joga aos sábados - Raul Spinassé/UOL
Vitor, ex-goleiro do Londrina, que decidiu seguir os preceitos da religião Adventista e não joga aos sábados Imagem: Raul Spinassé/UOL

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

28/11/2019 11h01

Resumo da notícia

  • Vitor deixou o Londrina em 2016 após se batizar na Igreja Adventista do Sétimo Dia
  • Ele tinha proposta no fim da temporada anterior para defender a Chapecoense
  • Clube não aceitou condição de que ele não treinaria ou jogaria aos sábados
  • Meses após frustração com Vitor, Chape contratou o goleiro Jakson Follmann
  • No mesmo ano, tragédia na Colômbia fez 71 vítimas, inclusive jogadores

A boa fase de Danilo despertou interesse de grandes clubes do futebol brasileiro e fez a Chapecoense se prevenir em relação à possibilidade de sua saída no fim de 2015. O clube catarinense só conseguiu contratar Jakson Follmann em maio do ano seguinte, mas antes disso teve negociação avançada com Vitor, ex-Londrina. Eleito como melhor jogador da Série C, o goleiro foi visto por dirigentes da Chape como "desmotivado" em meio às conversas, o que causou a desistência.

O verdadeiro motivo só ficou conhecido em 2016: Vitor estava se preparando para ser batizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, que tem como um de seus preceitos "guardar" o sábado, ou seja, não exercer nenhuma atividade remunerada neste dia da semana. Além de não fechar com a Chape, ele também viu o contrato acabar com o Londrina em maio e criar dificuldades para sua recolocação no mercado. Desde então, ele atuou apenas por PSTC (2017), Olímpia e Jacuipense (2019).

Porém, está feliz com a decisão. Ele poderia ter feito parte do elenco da Chapecoense que esteve no acidente aéreo que vitimou 71 pessoas na Colômbia, há exatamente três anos.

"Foi muito natural, minha vontade era de ir para a Chapecoense, meu sonho era jogar em um time de Série A. Desde 14 anos jogo futebol com esse intuito. Quando eu soube do assunto era o pessoal me dizendo que já estava tudo certo. Entre as discussões salariais e de tempo de contrato eu só coloquei uma condição, agora pessoal, como atleta que tem uma religião que não se separa do ser humano. Eu achei que a Chapecoense aceitaria, porque na Série A não tem jogo sábado. E quando tem é de noite, que eu poderia jogar. Não aceitaram pelo meu motivo de fé", diz, em longo depoimento publicado hoje (28) pelo UOL Esporte.

"Para mim foi a convicção de que eu tinha feito a melhor escolha da minha vida. Mesmo que eu estivesse passando por dificuldades financeiras, sem saber o que fazer da vida. No time em que eu ia ganhar dinheiro acabei abdicando pela fé. Depois disso eu segui minha vida, já tirando um pouco o futebol do foco. Entendi que no futebol seria difícil essa aceitação."

Confira essa e outras histórias de Vitor no especial sobre o jogador publicado no UOL Esporte: "Eu só escolhi outro caminho: goleiro vivia o auge da carreira e tinha proposta da Série A. Até que a religião mudou toda a história".

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