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É melhor jogar fora de casa? Inter inverte lógica e luta contra pressão

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

28/11/2019 12h00

Resumo da notícia

  • Segundo o técnico Zé Ricardo, o desequilíbrio emocional é o principal fator para queda de rendimento do Inter.
  • Por isso, o técnico crê que seja um bom momento para jogar fora de casa, aliviar a pressão da torcida.
  • Após a derrota para o Goiás, mais um protesto foi realizado no Beira-Rio.
  • Desde a saída de Odair Hellmann, o Inter só venceu uma partida em casa, mas venceu duas como visitante.
  • Rodrigo Caetano discorda, e crê que o melhor cenário é sempre jogar como mandante.

O Internacional tem um diagnóstico para queda de rendimento do time: desequilíbrio emocional. Quando algo dá errado nos jogos em casa, os jogadores se sentem pressionados, confundem velocidade com pressa e acabam não rendendo o esperado. A análise do técnico Zé Ricardo inverte a lógica do futebol e torna jogar fora de casa o melhor cenário. Ainda que nem todos concordem com isso no Beira-Rio.

"Essa é uma questão difícil de se tocar. Jogar em casa é sempre bom. Mas é um momento em que a torcida cobra, como nós nos cobramos, e certamente alguns atletas reagem de forma diferente. Uns não sentem, mas outros sentem bastante. E, de uma forma geral, quando se tem um desequilíbrio neste ponto, influencia. O jogador perde a confiança de realizar alguma jogada, não tenta algo que poderia fazer, como faz quando está em alta. Pode ser uma boa possibilidade jogar fora de casa. Ainda que eu sempre ache que jogar em casa é melhor para qualquer equipe", disse o técnico Zé Ricardo.

Desde a demissão de Odair Hellmann, o "fator Beira-Rio" se inverteu. Depois da troca de treinador foram seis partidas em casa, com apenas uma vitória, três empates e duas derrotas, ou seja, seis pontos conquistados. Por outro lado, o time, que antes pouco pontuava como visitante, conseguiu duas vitórias longe de Porto Alegre, com um empate e duas derrotas completando a lista de partidas. Somando, assim, sete pontos.

"Não quero dizer será melhor jogar longe do nosso torcedor. Pelo contrário, queremos jogar em casa sempre. O nosso torcedor está no direito dele quando cobra, queremos que isso ocorra, quando ocorrer, só no final dos jogos. Hoje eles nos apoiaram muito um busca do empate, que não tivemos capacidade de conseguir. É fundamental o apoio do nosso torcedor e é sempre melhor jogar em casa", opinou o diretor executivo de futebol Rodrigo Caetano.

Fato é que o clube luta para aliviar a pressão no ambiente. O desequilíbrio que prejudica a equipe está presente nos mais diversos momentos de jogo. Na incerteza ao ir na bola, na pressa ao trocar passes, na falta de confiança para tentar uma jogada e, principalmente, na incapacidade de reverter placares.

"Independente da idade e do currículo, às vezes o entendimento para o momento que se passa, te fragiliza um pouco, ou coloca para cima. Neste mesmo ano aqui dentro tivemos momentos que superamos adversários no ímpeto, na força, e hoje quando se sofre um gol, se sai atrás, nossa equipe tem sentido. Não é o fato de ser mais ou menos experiente. É a proximidade para definição do ano, da nossa principal conquista, que, já que o título não foi possível, seria a vaga. A ansiedade tem nos atrapalhado. Temos que juntar os cacos, lamber as feridas internamente e reeditar nossos grandes momentos, que foram com esta equipe, com estes jogadores", sentenciou Caetano.

O Colorado encara o Botafogo, no sábado. Com a vitória do Corinthians sobre o Avaí, o Inter caiu para o oitavo lugar na classificação do Brasileiro.

"Nunca é apenas um problema. Temos que estar bem em todos os aspectos. A parte emocional, tática, técnica, uma coisa vai desencadeando a outra. Temos que, antes de mais nada, levantar o astral do grupo. Faltam poucos jogos e temos condições de buscar o objetivo, que ficou muito mais difícil, mas ainda temos condições de atingir", finalizou Zé Ricardo.

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