Topo

Futebol


Adeus a Cilinho: "Foi bem melhor que Jorge Jesus"

Cilinho orienta lateral Gabriel, no São Paulo - Daniel Guimarães/Folhapress
Cilinho orienta lateral Gabriel, no São Paulo Imagem: Daniel Guimarães/Folhapress

Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

28/11/2019 18h20

O ex-técnico Cilinho morreu hoje (28) aos 80 anos em sua casa em Campinas após complicações em decorrência de um AVC, do qual se recuperava desde o ano passado.

Responsável por revelar craques no futebol paulista, Cilinho liderou a equipe do São Paulo conhecida como "Menudos do Morumbi", que contava com Muller, Silas, Careca, Pita e Sidney. O UOL Esporte falou com alguns dos jogadores revelados por ele e outros amigos do universo boleiro, que lamentaram a morte do ex-técnico.

"Cheguei no São Paulo em agosto de 1984 e encontrei o Cilinho como treinador. Foi um os meus melhores momentos no futebol. Fui muito feliz, porque o nosso time era muito bom e éramos amigos de verdade. O Cilinho era um fantástico treinador. Exigente, mas divertido. Aprendi muito com ele. Eu jogava com a 8, e o careca com a 9. Ele nos treinava para ser uma dupla mesmo. Tabelas, movimentações. Sinto muito pela sua morte. Um beijo aos familiares."

Casagrande, ex-jogador e comentarista da Globo

"Ah, Cilinho foi um pai. Ele que me subiu para o profissional, foi quem me ajudou, quem me aconselhou com relação à vida, não só com relação ao futebol. Ele estava sofrendo, porque estava mal. Ficava internado e em casa também quando não estava no hospital. O futebol deve muito a ele, e eu devo muito a ele. Muitos ex-jogadores vão dizer a mesma coisa, porque realmente ele cuidava da gente não só no aspecto profissional. O Cilinho era um amante do gol, não gostava de jogar pra trás nem para os lados, e isso ele inseriu na nossa cabeça. Tanto que os jogadores que passaram por ele alcançaram seleção brasileira, alguns foram campeões mundiais. Ele era um perfeccionista neste aspecto."

Silas, ex-jogador de São Paulo

"O Cilinho foi o mestre taticamente. Na época do São Paulo, ele fazia muito treino técnico, tático com bolinha de tênis, com bolinha oval, aproximações que hoje já fazem, mas ele fazia em 84. Para mim, foi um dos melhores treinadores que eu trabalhei. Foi um cara que tinha uma visão muito na frente. Ele estudava futebol, comia futebol. Isso tudo era o Cilinho, ele sempre estava à frente no futebol. Está guardado tudo aquilo que aprendi com ele, não só como jogador. Aprendi muita coisa que levo hoje aqui na categoria de base"

Pita, ex-meia do Santos e São Paulo, e atual coordenador da base do SPFC

"Ele era um treinador diferente, um motivador, uma pessoa que realmente enxergava futebol como poucos, uma pessoa que revelou muita gente nova, mesclava experiência com juventude, treinador amigo, companheiro, exigente, inteligente. Foi uma pessoa que marcou muito a minha carreira e a minha vida como profissional. O Cilinho era um treinador que fazia espetáculo melhor que Jorge Jesus do Flamengo, que o treinador do Santos e muitos treinadores brasileiros. Ele era bem melhor, bem superior. Era um time que treinava junto, jogava junto, fazia dois toques juntos e dava espetáculo. A torcida levantava e batia palmas pelo futebol que o Cilinho implementou naquela época. Sei que hoje todos eles estão fazendo um futebol que o Brasil precisa, mas o Cilinho já fazia antigamente. Não é novidade, não".

Zé Teodoro, ex-lateral direito do São Paulo

Nascido em Campinas no dia 9 de fevereiro de 1939, Otacílio Pires de Camargo teve grande destaque como treinador entre as décadas de 1960 e 1990. Passou por clubes como Santos, Corinthians, Ponte Preta, Portuguesa, Paulista de Jundiaí e XV de Jaú, entre outros.

Futebol