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Sem futuro definido, Flu atrasa renovações; barca deve sair, Nino é exceção

Nino é um dos destaques do Fluminense em 2019 - Lucas Merçon/Fluminense FC
Nino é um dos destaques do Fluminense em 2019 Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

22/11/2019 04h00

O futuro indefinido do Fluminense em 2019 por conta da situação difícil no Campeonato Brasileiro já começa a atrapalhar o planejamento para 2020. Com muitos jogadores com contratos a se encerrar no fim do ano, o Tricolor atrasou as conversas por renovações contratuais. Do atual time titular, apenas três jogadores possuem contratos longos, e um deles, Marcos Paulo, que tem vínculo até 2021, deve ser negociado em algum momento para salvar o ano financeiro do clube na próxima temporada.

Os outros dois contratos extensos que o Flu possui são do goleiro Muriel, até 2022, e do meia Paulo Henrique Ganso, até 2024. Ambos fazem parte da espinha dorsal planejada pelo departamento de futebol não só para a próximas temporada mas para as posteriores. O primeiro já foi contratado pela atual gestão, enquanto o camisa 10 foi o único "legado" longevo da gestão Pedro Abad, que se encerraria, caso durasse o tempo preestabelecido, no fim de 2019. Por isso, além da crise financeira, que o Tricolor possui poucos jogadores sob contrato longo.

Recentemente, o clube acertou renovações com outras peças do elenco como Marcos Felipe, Igor Julião, Matheus Ferraz e Mascarenhas. Eles se somam a Dodi, Lucão e os jovens de Xerém, todos com contratos mais extensos, com a exceção de Evanílson, a quem o Flu já fez proposta e negocia para tentar uma renovação. O atacante, destaque do time sub-20, já está livre para assinar um pré-contrato com qualquer equipe.

Internamente, já se sabe que alguns titulares não ficam para 2020, independente da definição no Brasileirão. O lateral-direito Gilberto, que já foi emprestado duas vezes pela Fiorentina, não seguirá no Fluminense. Ele já recebeu sondagens de Grêmio e São Paulo.

Além dele, Daniel também tende a ir embora. Apesar de ser torcedor assumido do Tricolor e estar no clube desde os 9 anos, o jogador e seu estafe não pretendem aceitar a proposta feita para a renovação, considerada muito abaixo da média de um titular da Série A. O meia, que também atrai interesse do Grêmio e de outras equipes, não gostou muito de saber que o vice-geral Celso Barros não era fã do seu futebol. O afastamento do dirigente talvez mude um pouco o rumo do negócio, que é considerado difícil para o Fluminense.

Mailson Santana/Fluminense FC
Imagem: Mailson Santana/Fluminense FC

Outro que dificilmente fica é o colombiano Yony González, que negocia com o Benfica. O presidente Mario Bittencourt revelou ter recebido uma carta do clube português e a confirmação, pelo atacante, de que as conversas estão acontecendo. Sem condições financeiras para competir, o Flu provavelmente perderá um de seus grandes achados no mercado em 2019. Reservas como Agenor, Guilherme, Ewandro e Brenner também não estão nos planos para a próxima temporada.

Nino tem boas chances de ficar; veja outros casos

A exceção fica por conta do zagueiro Nino. O interesse pela permanência é mútuo, ainda que o Fluminense saiba que não tem condições de arcar com a opção de compra de R$ 5 milhões por 50% de seus direitos. Brigando para não cair na Série B, entretanto, o Criciúma, que tem boa relação com o Tricolor, está aberto a outras formas de negociação.

O clube catarinense vê com bons olhos baixar a pedida em troca de outros jogadores e não descarta nem um reempréstimo. Aos 22 anos, o zagueiro tem ambição de estar na Olimpíada em 2020 e sabe que será titular absoluto do Fluminense caso fique no clube, o que pesa para a comissão técnica da seleção olímpica, que o monitora.

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF


Os casos de Allan e Caio Henrique são semelhantes. O Tricolor mantém conversas com os empresários dos jogadores e com Liverpool e Atlético de Madrid, ambos satisfeitos com a valorização de seus ativos no clube. As convocações para a seleção olímpica jogam a favor do Fluminense. Caso não haja proposta de compra pelos jogadores por parte de outros times, a tendência é que eles renovem o empréstimo, desde que a equipe permaneça na primeira divisão.

"Eles estão emprestados por clubes de fora e sem opção de compra. Há conversas com representantes de atletas. Em São Paulo, por exemplo, conversei com o representante do Allan sobre possibilidade de outro empréstimo. Ambos manifestaram o desejo de permanecer. Gostam daqui, se sentem gratos ao clube, porque recuperaram o seu futebol aqui. Caso não fiquem, teremos que fazer apostas desse tipo: por empréstimo, contratos curtos e com baixo custo ao clube. Não posso mentir para o torcedor, esta deve ser nossa realidade também em 2020", afirmou Mario em coletiva de imprensa.

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF


Dois outros casos também guardam semelhanças, inclusive a de que o Flu ainda não fez proposta oficial pela permanência: Digão e Yuri. Sem interesse de Cruzeiro e Santos, respectivamente detentores de seus direitos econômicos, a dupla pode ficar no clube em 2020. As duas conversas devem ficar para o fim do Brasileirão. Em tese, independem de qual divisão o Tricolor estiver na próxima temporada.

O Fluminense também avalia dois atletas emprestados: o lateral-esquerdo Marlon, que está no Boavista, de Portugal, e o atacante Lucas Fernandes, cedido ao Consadole Sapporo, do Japão. Ambos são titulares de suas equipes, estão se destacando e possuem opção de compra ao fim da cessão. O Tricolor vê com bons olhos fazer dinheiro com a dupla, que também será reavaliada pela comissão técnica para 2020 e pode voltar a fazer parte dos planos para o elenco principal.

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