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Cabem surpresas na final? Gallardo e Jesus promovem guerra de informações

Jorge Jesus, técnico do Flamengo, e Marcelo Gallardo, do River Plate: duelo fora de campo - Amilcar Orfali/Getty Images
Jorge Jesus, técnico do Flamengo, e Marcelo Gallardo, do River Plate: duelo fora de campo Imagem: Amilcar Orfali/Getty Images

Léo Burlá e Rodrigo Mattos

Do UOL, em Lima (Peru)

22/11/2019 15h49Atualizada em 22/11/2019 18h30

O River Plate ganhou duas Copas Libertadores recentes e tem um estilo consolidado com titulares bem conhecidos. O Flamengo adotou um padrão de jogo intenso, ofensivo, e uma formação que está na ponta da língua de seus torcedores. Ainda assim, os técnicos Marcelo Gallardo e Jorge Jesus fazem uma verdadeira guerra de informações em que tentam esconder qualquer detalhe do rival para ter uma vantagem na final deste sábado, em Lima, no Peru.

Faz parte do estilo dos dois os blefes ou mesmo escalações surpreendentes de última hora para tentar desequilibrar rivais. Às vésperas da decisão, então, um confronto de times que já foram dissecados pelo oponente se tornou um duelo de comandantes com cartas na manga.

Esse jogo começou no início da semana quando a imprensa argentina divulgou que Gallardo testara o time com três zagueiros e uma linha de cinco atrás, em formação mais cautelosa. Ninguém sabe se é real a possibilidade de usar esse novo time, com a entrada de Pablo Diaz, ou blefe do treinador que deixou vazar a informação. Fato é que ele já provocou discussão na mídia argentina e brasileira, embora a maioria se mostre cética quanto a uma mudança. Hoje, no fim, terminou por revelar a escalação com sua tradicional formação 4-4-2: Armani; Montiel, Martínez Quarta, Pinola e Casco; Enzo Pérez, Fernández, Palacios e De La Cruz; Santos Borré e Matias Suárez

De Gallardo, o que se viu até agora em Lima foi uma palestra de dez minutos para seus jogadores no estádio do Alianza Lima. Depois disso, um bobinho em campo enquanto o treinador andava com seu caderninho dando passadas e fazendo anotações. Não havia auxiliares ao seu lado: só ele e sua caneta.

No centro de treinamento usado pelo Flamengo, mandaram colocar lonas pretas para cobrir grades para que o campo não ficasse exposto a janelas de prédios nas redondezas. Uma prática de Jesus, que não gosta que seus treinos sejam vistos. A escalação rubro-negra é mais do que conhecida - não há problemas de contusões com a recuperação plena de Arrascaeta. Então, não haveria nada a esconder. Mas... há os detalhes.

"Sabemos como vamos jogar. Mas há alguns detalhes que o Mister quer quer fiquem só entre nós", explicou Filipe Luís, após o treino.

Na partida semifinal diante do Grêmio, o Flamengo marcou dois gols em jogadas ensaiadas de bola paradas, com Rodrigo Caio e Pablo Marí. Em entrevista após o jogo, Everton Ribeiro contou que Jesus tinha avisado a todos que eles fariam gols assim, já que os zagueiros atacaram posições pré-determinadas onde seriam lançadas a bola.

São pequenos segredos para de detalhes que podem decidir o jogo para um lado ou outro. Do geral, no estilo dos times, há pouco a se esconder. Ambos atuam com 4-4-2 ofensivos, com estilo similares, embora com nuanças.

O River Plate tem três meias atrás da linha de que dois atacantes. O Flamengo tem um volante, dois armadores e um híbrido (Gerson) que às vezes atua mais avançado, ás vezes está mais próximo de Arão. E há os dois atacantes móveis dos dois lados, assim como a linha defensiva de quatro. Mas teremos mais blefes nas próximas horas? Será, portanto, preciso ficar bem atento para perceber as surpresas que Gallardo e Jesus estejam preparando para a decisão.

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