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Fundador da Fla-Peru tem camarote na casa da final, mas vai de arquibancada

Consulado Fla-Peru reúne rubro-negros em Lima para acompanhar os jogos do clube da Gávea - Arquivo Pessoal
Consulado Fla-Peru reúne rubro-negros em Lima para acompanhar os jogos do clube da Gávea Imagem: Arquivo Pessoal

Alexandre Araújo e Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ) em Lima (Peru)

22/11/2019 04h00

Quando a Conmebol alterou a sede da final da Libertadores de Santiago, no Chile, para Lima, no Peru, fez com que Jayme da Cunha, de 40 anos, se tornasse uma espécie de duplo anfitrião. Fundador do Consulado Fla-Peru - núcleo oficial de torcedores do Rubro-Negro no país -, ele também é neto de Miguel Pellny, ex-presidente do Universitario, clube que cederá o estádio para a decisão, que acontece dia 23, entre a equipe da Gávea e o River Plate, da Argentina.

Filho da peruana Grace e do brasileiro José Luiz, a ligação de Jayme com o Flamengo vem de infância, herança do pai, integrante de uma família rubro-negra. Já na família da mãe, o amor pelo Universitário era passado por gerações, tendo, talvez, em Miguel, o ponto alto. Eles, inclusive, têm um camarote no Monumental, estádio onde acontecerá a decisão da competição sul-americana, no sábado (23), mas Jayme garante: vai de arquibancada.

"Sou filho de pai brasileiro e mãe peruana e sou rubro-negro desde pequeno. Meu pai trabalhava na Varig (extinta companhia aérea brasileira) e, por isso, acabávamos tendo uma certa facilidade em relação a passagens. Quando criança, morava no Peru e ia umas três, quatro vezes ao ano ao Brasil. Em todas as oportunidades, meu pai me levava ao Maracanã. Já a família da minha mãe é toda Universitario. O meu avô foi presidente do clube e a família tem até um camarote lá [estádio], mas esse jogo não tem como assistir de camarote, não é?", disse.

Jayme, fundador da Fla-Peru, com o filho Rafael e o irmão Rodrigo - Arquivo Pessoal
Jayme, fundador da Fla-Peru, com o filho Rafael e o irmão Rodrigo
Imagem: Arquivo Pessoal

Anos depois, Jayme morou no Brasil e visitar o Maracanã em partidas do Flamengo se transformou em um dos programas rotineiros. "Morei no Brasil entre 2006 e 2014. Nesta época, era Maracanã todo fim de semana para ver o Flamengo", lembra ele, que tinha a companhia dos familiares brasileiros.

Após o retorno ao Peru, Jayme acabou se tornando sócio do Rubro-Negro e fundando, posteriormente, a Fla-Peru: "A Fla-Peru nasceu em 2017. Eu era sócio e aconteceu de ser uma época que o Flamengo estava muito em alta aqui no país por causa do Guerrero e do Trauco. Os peruanos estavam acompanhando. Encontramos um grupo de brasileiros também rubro-negros e tivemos as exigências mínimas para formar o Consulado", apontou.

"Não temos um lugar fixo, temos alguns pontos de encontro e mudamos de acordo com a importância do jogo, quantos confirmados, essas coisas. Aqui, são muitas famílias que se reúnem para assistir às partidas", completou.

Quando a final foi transferida, a Fla-Peru se tornou a encarregada de realizar a recepção aos rubro-negros que chegariam a Lima para acompanhar a final. "Tínhamos tudo já comprado para ir ao Chile. A mudança nos deixou surpresos e acabou que ficamos encarregados de preparar essa festa. Alugamos um lugar para mil pessoas. Estamos com a expectativa de receber uns 800 rubro-negros na sexta-feira, véspera da final."

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Fla 'uniu' rivais no Peru

Recentemente, o Flamengo ganhou ainda mais notoriedade no Peru por ter no elenco o atacante Guerrero e o lateral-esquerdo Trauco, famosos no país e figurinhas carimbadas nas convocações para a seleção nacional.

Algo que ajudou ainda mais nisso é o fato de Guerrero ser mais identificado com Alianza Lima e Trauco com Universitario, times que participam da maior rivalidade do Peru. "Universitario x Alianza Lima é tipo um Boca x River, um Gre-Nal. Então, ter tido o Guerrero, que tem ligação maior com o Alianza, e o Trauco, que é mais identificado com o Universitario, também ajudou a popularizar o Flamengo", ressaltou Jayme.

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