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Final única atrai holofotes à Libertadores, mas sofre com logística em Lima

Vista interna do estádio Monumental de Lima antes de intervençao da Conmebol para a final da Libertadores - Raul Sifuentes/Getty Images
Vista interna do estádio Monumental de Lima antes de intervençao da Conmebol para a final da Libertadores Imagem: Raul Sifuentes/Getty Images

Leo Burlá e Rodrigo Mattos

Do UOL, em Lima (PER)

22/11/2019 04h00

Às vésperas de sua estreia, a final única da Libertadores que reúne Flamengo e River Plate dissipou todas as dúvidas sobre o interesse que iria despertar. O estádio Monumental Universitario estará cheio, houve uma verdadeira invasão da cidade pelas torcidas. A presença de uma grande equipe brasileira e de outra argentina aumentou consideravelmente o interesse pela partida em outros mercados - até a BBC irá transmitir o jogo para a Inglaterra. Produziu-se, portanto, um efeito "Champions" que a Conmebol almejava.

A organização do jogo, no entanto, revela que há questões logísticas a enfrentar neste tipo de evento na América do Sul. Primeiro, teve que se mudar a sede de Santiago para Lima a 18 dias do jogo. Segundo, a malha aérea do continente mostra dificuldade para atender a demanda do público. Terceiro, o cronograma apertado deixa sua organização aquém do esperado, quando comparada a grandes eventos esportivos mundiais.

Para se constatar a parte de sucesso da empreitada, é preciso andar por Lima. As ruas já estão tomadas por torcedores rubro-negros e do River. Some-se aí eventos paralelos como a "Embaixada do Torcedor" e uma cobertura virada no assunto: jornais e rádios locais estão discutindo a partida mais até do que o campeonato local.

Externamente, a Conmebol divulgou que cinco bilhões de pessoas podem assistir à partida. O número parece meio exagerado e fala mais em potencial do que em audiência real. Mas é fato que a entidade conseguiu vender os direitos para 169 países. E uma emissora relevante com a BBC decidiu passar o jogo ao vivo em canal aberto para o público inglês, o que é inédito no caso de uma competição sul-americana de clubes.

Contribuiu para isso que a venda de direitos tenha sido feito por uma agência que no assunto e óbvio interesse de torná-lo rentável - caso de IMG e Perform, que formaram a FC Diez. Os grupos garantiram US$ 350 milhões por ano à Conmebol pela Libertadores e, portanto, têm que fazer o produto render e chegar aos mais diversos mercados. A imagem da Libertadores vem sendo mais trabalhada neste ano, inclusive com materiais de divulgação e transmissões próprios. Houve uma profissionalização da produção.

"Sem dúvida o formato da final único desperta um grande interesse dentro e fora de nossas fronteiras, gerando grande oportunidades de projetar e melhorar a imagem do futebol sul-americano", afirmou o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, ao site da entidade.

Ao mesmo tempo, a América do Sul apresenta um ambiente conturbado politicamente, o que reduz a possibilidade de lugares para a realização de um evento deste porte. O Chile parecia tranquilo, até que uma série de protestos contra o governo foi desencadeada. Bolívia e Equador também vivem momentos conturbados politicamente. A Venezuela se tornou inviável no caos econômico. Ou seja, só havia seis países disponíveis —dois vetados por serem finalistas—, e Lima virou solução de urgência.

Essa escolha de última hora causou um problema para torcedores tentando trocar passagens com companhias. As empresas enfrentam dificuldade para atender essa escala, de mais de 20 mil pessoas se deslocando de dois países para um terceiro.

Em Lima, a Conmebol pegou um estádio antigo com o Monumental Universitario e fez uma transformação em poucos dias. O estádio mudou de terça-feira para quarta-feira, com instalação de faixas e banners, troca de assentos, melhoria de iluminação. O serviço foi feito com impressionante rapidez. Mas fica claro que o local era precário antes da intervenções e que tem limitações.

Leo Burlá / UOL
Imagem: Leo Burlá / UOL

E não foi possível fazer tudo. Os dois centros de treinamento usados por Flamengo e River Plate, respectivamente o centro da seleção peruana e o estádio do Alianza Lima, não tinham estrutura de internet, nem lugares para jornalistas sentarem abrigados. Houve necessidade de adaptações dos times para uso dos campos, como as lonas pedidas pela diretoria rubro-negra para tampar o campo. Os espaços para atender a imprensa eram reduzidos. Bem diferente do que se espera no padrão Fifa que a Conmebol impôs nas regras do evento.

É óbvio que o grande teste para a final única será no sábado com a realização do jogo. As indicações da semana prévia mostram que a Conmebol conseguiu criar o grande espetáculo que planejava, mas ainda terá de enfrentar desafios na estrutura no continente.

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