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Flamengo faz "milionário" River ser primo pobre da final; veja as receitas

Gabigol comemora gol do Flamengo contra o Grêmio: símbolo da força do Fla - Bruno Baketa/AGIF
Gabigol comemora gol do Flamengo contra o Grêmio: símbolo da força do Fla Imagem: Bruno Baketa/AGIF

Leo Burlá e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro e em Lima

20/11/2019 12h00

Conhecido como 'Milionários' na Argentina, o River Plate é na realidade o clube de menor força financeira na final da Libertadores. É o Flamengo quem tem o maior poderio econômico entre os dois gigantes da América do Sul. Essa vantagem do clube brasileiro se estabeleceu nos três últimos anos porque, anteriormente, eram os argentinos que tinham a maior capacidade de investimento.

Há fatores para explicar essa virada: 1) O time carioca atingiu um patamar de consolidação financeira depois de anos de austeridade para recuperar as finanças 2) A moeda argentina sofreu forte desvalorização impactando toda a economia 3) o tamanho da economia brasileira faz com que especialmente as receitas de televisão sejam significativamente maiores do que as argentinas.

Vamos entender os números. Para a temporada 2018, quando foi campeão da Libertadores, o River fez um dos maiores investimentos de um time argentino, atingindo valor próximo de R$ 130 milhões. Era impulsionado por vendas de jogadores e por patrocínio com a Turkish Airlines. Formou a base do time atual e só negociou o meia titular Pity Martinez.

Em 2019, o Flamengo gastou cerca de R$ 240 milhões em jogadores, uma quantia bem acima dos padrões brasileiros. Foi possível executar esse movimento de forma equilibrada porque o clube também teve significativa venda de atletas (quase R$ 300 milhões) e receitas crescentes. A expectativa é de que Flamengo acabe o ano com uma renda total entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões, recorde no Brasil.

Esse patamar não é possível atingir para nenhum clube argentino, especialmente pela diferença dos contratos de televisão. Na temporada encerrada em agosto de 2018, o River teve receitas em torno de R$ 381 milhões, cerca de R$ 200 milhões a menos do que o time rubro-negro. Só em 2015 teve renda maior do que o time carioca.

"Temos que jogar, as partidas se jogam. O Flamengo tem muito mais receitas do que um clube argentino. De isso, não há dúvida. De televisão, tem receitas de US$ 50 milhões e nós estamos com US$ 4 ou US$ 5 milhões. Depois, nós jogamos a Copa Argentina quando ganhamos e recebemos US$ 300 mil quando muito e na Copa do Brasil pagam US$ 12 milhões. Há uma diferença econômica, mas temos fé. Será uma grande final e está bem se eles se acham favoritos", afirmou o presidente do River Plate, Rodolfo D'Onofrio, em entrevista ao Clarín na semana passada.

Para se ter uma ideia de comparação, os direitos do Brasileiro, comprados pela Globo e Turner, geram cerca de R$ 1,7 bilhão aos clubes nacionais por ano. Já o contrato do Argentino, fechado em 2017, proporciona 17 bilhões de pesos argentinos (R$ 3,4 bilhões pela cotação da época e R$ 1,2 bilhão pela cotação atual) por cinco anos, de acordo com o "La Nacion". Ou seja, pela cotação atual, um ano do acordo da Série A vale mais do que cinco temporadas do argentino.

Isso torna vital para o River vender jogadores especialmente após a desvalorização do peso frente ao dólar. A maior parte dos contratos de seus jogadores é vinculado ao dólar. O clube fechou com déficit as últimas duas temporadas, embora não em grande volume.

D'Onofrio admite que terá de vender jogadores para fechar as contas e amenizar o impacto da desvalorização do peso para suas finanças - já atrasou duas parcelas do pagamento de Lucas Pratto para o São Paulo. Sua grande vantagem é o enorme valor do elenco no mercado.

Outro ponto a favor do River é que seu passivo é em torno de metade do Flamengo, a grosso modo, R$ 240 milhões contra R$ 480 milhões. As despesas também são menores pois os salários de jogadores na Argentina são inferiores aos do Brasil.

Ainda assim, a perspectiva futura do Flamengo é bem mais promissora. O investimento da atual temporada aumentou, sim, a dívida. Só que o clube tem receitas crescentes com sócio-torcedor, premiações, bilheterias, fora boas vendas de atletas. Sua situação se tornou de tal forma equilibrada que tem crédito garantido em grandes bancos.

"Os argentinos ainda dependem muito da venda de atletas, e a questão cambial atrapalha demais os clubes. O que muitos fazem é se protegerem com receitas dolarizadas, como as de publicidade, e contar com a "correção monetária implícita" - vulgo inflação - para corrigir preços de ingressos e TV. Mas fica muito limitado", afirmou o analista financeiro Cesar Grafietti, que avaliou os balanços dos dois times.

Óbvio que, pela formação dos times atuais, o impacto do dinheiro já ocorreu no elenco e há outros fatores que tornam a perspectiva do jogo equilibrado em campo. Mas a tendência é que, se não houver uma virada nas finanças da Argentina, o River terá de ter uma excelência esportiva para competir com um clube como o Flamengo no futuro.

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