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"Somos um dos países mais racistas no mundo", diz Luís Roberto

Narrador Luis Roberto fala durante o programa "Seleção SporTV" - reprodução/SporTV
Narrador Luis Roberto fala durante o programa "Seleção SporTV" Imagem: reprodução/SporTV

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/11/2019 15h39

Os casos de racismo do último domingo provocaram uma reflexão no início do Seleção SporTV desta segunda-feira. Citando os insultos sofridos tanto por Dentinho e Taison, jogadores do Shakhtar Donestk, quanto por um segurança do Mineirão no clássico Cruzeiro X Atlético-MG, Luís Roberto não poupou palavras ao falar sobre o respeito às minorias.

Destacando que o Brasil é um dos países mais racistas do mundo, o narrador afirmou que está 'perdendo a eloquência' em meio a um 'mundo pautado pela intolerância às minorias'.

"Nós somos um dos países mais racistas no mundo e vivemos um momento de intolerância que eu jamais pude supor na minha vida. O que se passa na sociedade brasileira de hoje beira o inacreditável, porque as manifestações de violência contra qualquer tipo de minoria são gratuitas, não tem nenhum embasamento. São próprias da ignorância, da falta de informação. Até os racistas, em países informados, têm cuidado em suas manifestações, embora racistas da mesma forma", iniciou Luís Roberto.

"Eu confesso que, depois de 58 anos de vida e 42 de profissão, eu estou perdendo a eloquência, porque eu percebo que, toda a vez que a gente fala sobre a questão que envolve as minorias, o mundo é pautado pela intolerância às minorias. (...) Quando você se manifesta contra qualquer tipo de minoria, a chance de quem está do seu lado estar contra a minoria é muito grande", seguiu o locutor.

Voltando ao futebol, Luís Roberto espera que clubes, federações e jogadores se posicionem. No entanto, o narrador afirmou que sua indignação ultrapassa as quatro linhas.

"Só me resta a esperança de que clubes, jogadores, federações tomem algum tipo de posicionamento. Não é possível que a gente não vai conseguir, vivos, assistir a momentos de tolerância dentro de algo que seja racional, que seja o normal na vida em sociedade", disse.

"As punições esportivas são inibidoras. Mas, o que mais me indigna é que a gente não está conseguindo ter a convivência com as minorias no cotidiano", completou.

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