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Por que Sampaoli não deve escalar 50 times diferentes se ficar em 2020

O técnico Jorge Sampaoli, do Santos, acompanha o jogo contra o Botafogo - Fernanda Luz/AGIF
O técnico Jorge Sampaoli, do Santos, acompanha o jogo contra o Botafogo Imagem: Fernanda Luz/AGIF

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

08/11/2019 04h00

Implantar um rodízio na equipe titular não é uma coisa tão rara assim no futebol. No entanto, quando olhamos detalhadamente os números, vemos que as "rotações" do técnico Jorge Sampaoli no Santos não são um simples rodízio, mas algo incessante que traz à tona o improvável número de 56 escalações diferentes em 58 jogos.

Porém, quando se entende o porquê de um número tão elevado também fica claro que dificilmente o argentino repetirá tamanha variação nos 11 que iniciam a partida se escolher permanecer em 2020. O Peixe entrou na temporada com um elenco totalmente em formação e foi isso que praticamente obrigou o argentino a mudar tanto o time titular.

Dos jogadores que iniciaram o ano e foram relacionados por Sampaoli para o amistoso contra o Corinthians, 11 já não fazem mais parte do elenco: Vladimir, Kaique Rocha, Noguera, Orinho, Daniel Guedes, Yuri, Guilherme Nunes, Bruno Henrique, Felippe Cardoso, Copete e Arthur Gomes. Apenas Vladimir e Kaique Rocha não entraram em campo naquele jogo.

Além disso, do elenco atual do Peixe, 12 ainda não tinham sequer vestido a camisa do Santos quando o clube estreou em competições oficiais: Everson, Felipe Aguilar, Luan Peres, Jorge, Felipe Jonatan, Pará, Jobson, Evandro, Soteldo, Marinho, Uribe e Venuto. Todos já foram utilizados pelo argentino no ano.

Além dos 23 citados, ainda há de se computar quatro que não fazem mais parte do elenco e tampouco estavam no amistoso contra o Corinthians: o lateral-direito Matheus Ribeiro, que voltou do Figueirense a pedido de Sampaoli, mas não convenceu e foi afastado, o volante Jean Lucas, que chegou durante o Paulista e saiu no meio do ano, o meia Cueva, que chegou durante a temporada e hoje está afastado do grupo, e o atacante Rodrygo, que demorou para retornar da disputa do Sul-Americano sub-20 com a Seleção Brasileira da categoria e deixou o clube rumo ao Real Madrid.

Assim chega-se ao expressivo número de 27 jogadores que ou estiveram no elenco no início da temporada e já não estão mais, ou chegaram durante o ano. Isso sem contar atletas que estavam nas categorias de base quando o argentino chegou, como Wagner Leonardo, Sandry, Alexandre Tam, Allanzinho e Tailson (único que realmente chegou a ser titular).

E qual foi o impacto disso tudo? Simples: hoje, Sampaoli não poderia repetir nem se quisesse nenhum das escalações que mandou a campo antes da pausa para a Copa América, pois todas contaram com atletas que não fazem mais parte do elenco que ele tem em mãos atualmente. Ou seja, 36 dessas 56 escalações diferentes já não podem ser repetidas.

O Santos já deu início ao planejamento da temporada 2020 e não pretende começar o ano com o elenco completamente desmontado como fez nesta temporada. Apesar do baixo investimento, o superintendente de futebol Paulo Autuori já iniciou os planos para o ano que vem e não quer cometer o mesmo erro deste ano, que já foi apontado por ele.

Assim, se Sampaoli ficar no Santos, o que ainda é incerto, o argentino deve começar com um elenco muito mais pronto e poucas mudanças devem ocorrer. Certamente menos de 27 entre chegadas e saídas após a estreia da equipe na temporada.

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