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Casa do Divino em Avenida Brasil foi demolida em 2015 e deixa saudades

Roni (Daniel Rocha) e Jorginho (Cauã Reymond) em cena no campo do Divino Futebol Clube, de Avenida Brasil - Divulgação/TV Globo
Roni (Daniel Rocha) e Jorginho (Cauã Reymond) em cena no campo do Divino Futebol Clube, de Avenida Brasil Imagem: Divulgação/TV Globo

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

06/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Estádio Eustáquio Marques é o "Divinão" da novela que está sendo reprisada
  • Avenida Brasil terminou de ser gravada em 2012 e o campo foi demolido em 2015
  • No local foi erguido viaduto para passagem do BRT antes das Olimpíadas Rio-2016
  • Clubes que atuavam em Jacarepaguá estão órfãos e buscam soluções até hoje

A reapresentação da novela Avenida Brasil no Vale a Pena Ver de Novo fez o país revisitar os craques do Divino Futebol Clube, como Jorginho (Cauã Reymond), Adauto (Juliano Cazarré) e Leandro (Thiago Martins), que até sai da Terceira Divisão para jogar no Flamengo durante a trama. Isso sem contar o ídolo Jorge Tufão (Murilo Benício).

Sete anos depois de tantas histórias, o estádio que recebia treinos e jogos do Divino não existe mais - nem na ficção, nem na realidade.

As cenas de futebol da novela de João Emanuel Carneiro foram gravadas no estádio Eustáquio Marques, no bairro de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O local fica a apenas 3 km do antigo Projac, atualmente chamado de Estúdios Globo, e esteve alugado exclusivamente para a emissora por nove meses. O estádio com capacidade para 5 mil pessoas - e que manteve até o fim um símbolo do Divino FC pintado em sua parede - acabou demolido em 2015, três anos após a exibição de Avenida Brasil.

Viaduto de Curicica para passagem do BRT Transolímpica foi construído onde ficava o estádio Eustáquio Marques - André Motta
Viaduto de Curicica para passagem do BRT Transolímpica foi construído onde ficava o estádio Eustáquio Marques
Imagem: André Motta

Conhecido como "Divinão" em seus últimos anos de pé, o estádio foi desapropriado pela prefeitura do Rio de Janeiro e demolido para a construção do Viaduto de Curicica, feito para a passagem do BRT (ônibus de trânsito rápido) Transolímpica, via expressa que liga o Recreio dos Bandeirantes a Deodoro. Foi mais uma do conjunto de obras da cidade para receber os Jogos Olímpicos Rio-2016. O estádio Eustáquio Marques não teve um jogo de despedida e até hoje é lembrado.

"Quando eu vejo o campo na novela volta todo o passado, deixou saudades", ressente Augusto Vieira, que é presidente do Barcelona, um clube da Terceira Divisão do Campeonato Carioca que utilizava o estádio com frequência antes da demolição.

"A perda do campo foi lamentável não só para o Barcelona, mas para a Federação Carioca e outros clubes profissionais e amadores de Jacarepaguá que faziam as finais de torneios lá no estádio. Hoje não temos um campo em Jacarepaguá com arquibancada para levar nossos jogos. Perdemos o que era nossa sede e agora temos que jogar em diferentes campos", desabafa o mandatário do Barcelona.

- Saiba tudo sobre a reprise de Avenida Brasil

O estádio que leva o nome do homem que comprou o terreno nos anos 80 foi oficialmente inaugurado em 1995, em um amistoso do Vasco. Depois disso, passou a receber jogos de times emergentes do Rio em divisões inferiores. Equipes como o próprio Barcelona, além de Barra da Tijuca, Internacional, Marinho e Universal jogaram por lá. Em 2014, enquanto São Januário recebia treinamentos de seleções da Copa do Mundo, foi usado para atividades do Vasco. O Botafogo também já alugou o local.

Eustáquio Marques recebeu uma indenização junto ao consórcio da Transolímpica. Valores não foram revelados.

Treinamento do Vasco no estádio durante a Copa de 2014; ao fundo, à direita, símbolo laranja do Divino ainda pintado - SSPress
Treinamento do Vasco no estádio durante a Copa de 2014; ao fundo, à direita, símbolo laranja do Divino ainda pintado
Imagem: SSPress

Antes do Divino Futebol Clube, a própria TV Globo usou o estádio Eustáquio Marques para gravações de cenas que envolvessem futebol.

A produção mais icônica foi do programa "Casseta & Planeta, Urgente!". O local também era a casa do Tabajara Futebol Clube, chamado de "pior time do mundo", que teve no elenco jogadores como Marrentinho Carioca (Bussunda, com seu bordão "Fala sério, aí!"), Ruinzinho e Ruinzinho Gaúcho, uma múmia e uma vaca.

Antes de ser "Divinão", o estádio foi o "Tabajarão", inaugurado com uma derrota por 38 a 0 dos auriroxos diante do São Perebano.

"Marceneiro eu? Marceneiro é essa torcida que só joga moeda de um centavo", reclamava Marrentinho Carioca - Reprodução/TV Globo
"Marceneiro eu? Marceneiro é essa torcida que só joga moeda de um centavo", reclamava Marrentinho Carioca
Imagem: Reprodução/TV Globo

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