Topo

Brasileirão - 2019


Jogo do Flamengo em Goiânia tem recusa milionária e "invasão" sob controle

Lucas Faraldo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/10/2019 04h00

O jogo de amanhã (31) entre Goiás e Flamengo, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, tem bastidores movimentados em relação ao estádio Serra Dourada, palco do confronto. Se por um lado o clube de Goiânia recusou até oferta milionária pela venda do mando, por outro se viu orientado pela polícia a "abrir a casa" para os visitantes, limitando o espaço da torcida esmeraldina a fim de evitar "distúrbios" de uma invasão rubro-negra.

Antes mesmo de a CBF confirmar data e horário do jogo, para o qual a bola rola às 20h, o Goiás já recebia propostas de diferentes empresas interessadas em levar a partida para outras cidades. O alvo dos ofertantes é a torcida do Flamengo, numa estratégia similar à adotada em duelos do Rubro-Negro com o Vasco e o CSA no decorrer deste Brasileirão, transferidos de São Januário (Rio) e Rei Pelé (Maceió) para o Mané Garrincha, em Brasília.

"Recebemos algumas propostas, que vieram aumentando e chegaram até a R$ 1,7 milhão pelo jogo. Mas nunca tivemos esse interesse porque o Goiás estava fora da Série A já fazia três anos e consideramos que levar esse jogo para fora [de Goiânia] seria uma traição com a torcida. A torcida adorou, abraçou a ideia, nos aplaudiu", conta o presidente do clube, Marcelo Almeida, em entrevista ao UOL Esporte.

Dentro dessa narrativa de possível venda do mando de campo para outra praça e diante da confirmação do jogo no Serra Dourada, a Polícia Militar do Estado de Goiás se reuniu com os principais dirigentes do clube para discutir questões ligadas à segurança do evento. Ciente da sequência flamenguista de ótimos resultados, as forças policiais alertaram a alta cúpula esmeraldina de um risco de "invasão".

"Existe a regra de o mandante destinar 10% da carga de ingresso para a torcida adversária, mas tivemos um alerta da Polícia Militar. Em que sentido? Como os jogos do Flamengo estão tendo presença maciça de torcedores, caso nós déssemos apenas os 10% de ingressos à torcida do Flamengo, eles iriam invadir o espaço destinado à torcida do Goiás", relata Marcelo Almeida.

"A PM identificou essa possibilidade e entendeu que seria difícil para ela conter eventuais focos de distúrbios entre torcedores", completa.

Diante desse cenário, foi recomendado que o Goiás aumentasse para 50% a carga de ingressos endereçada aos visitantes, gerando assim uma potencial divisão meio a meio das arquibancadas entre esmeraldinos e rubro-negros. O intuito assim é minimizar o risco de focos de torcida mista. "Numa eventual manifestação de gol por exemplo poderia haver problemas isolados", fala o presidente.

Apesar de não haver exigência da PM, Marcelo Almeida diz ter preferido acatar a recomendação. A decisão foi alvo de críticas de torcedores feitas diretamente à diretoria e também por meio das redes sociais. Com ingressos de R$ 150 e R$ 200 para ambas as torcidas, a expectativa é bater o recorde de arrecadação do clube na atual edição do Brasileirão, que hoje é de R$ 728.730,00, registrado em 1º de maio, durante derrota para o São Paulo.

"Vai ser meio a meio. Espero que nossa torcida compareça maciçamente também para ficar, no mínimo, equiparado. Sobre os ingressos, operamos de forma variada jogo a jogo. Nesse Brasileirão já operamos a R$ 100 e R$ 50. O valor que vamos arrecadar nesta partida realmente será bastante considerável levando em consideração que o torcedor do Flamengo pagará um valor não usual", finaliza o presidente.