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Time de 81 analisa Fla de Jesus: DNA rubro-negro e supremacia sobre rivais

Zico tenta a finalização em duelo entre o Flamengo e o Cobreloa, do Chile, pela Libertadores de 1981 - Arquivo Jornal do Sports
Zico tenta a finalização em duelo entre o Flamengo e o Cobreloa, do Chile, pela Libertadores de 1981 Imagem: Arquivo Jornal do Sports

Alexandre Araújo, Bernardo Gentile e Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

23/10/2019 12h00

A boa fase atravessada pelo Flamengo, líder absoluto do Campeonato Brasileiro e na briga por uma vaga na final da Libertadores, fez com que fossem levantadas comparações entre o atual elenco e o grupo de 1981, que conquistou a América do Sul e o mundo.

O UOL Esporte conversou com alguns integrantes daquela geração, que marcou história no Rubro-Negro e, mais recentemente, ficou eternizada na música "Em Dezembro de 81", que ganhou as arquibancadas do Fla pelo país.

Eles acreditam que, sob o comando do técnico Jorge Jesus, o time adotou novamente um "DNA rubro-negro", com uma equipe que consegue se impor diante dos adversários. Hoje, o Fla encara o Grêmio, às 21h30, no Maracanã, pela semifinal da competição continental. Se vencer (ou empatar sem gols), o time vai para a finalíssima e fica mais perto de atingir o status de uma equipe que está no topo das paradas da Gávea desde a década de 80.

Andrade: "O time do Flamengo está em um patamar muito alto"

Ricardo Borges/UOL
Imagem: Ricardo Borges/UOL

"O Flamengo está em um momento espetacular, em um momento muito parecido com aquele que vivemos nos anos 80. Está com uma boa vantagem no Campeonato Brasileiro e pode chegar à final da Libertadores. Caso conquiste, disputa um Mundial. São coisas que marcam e pode ser um feito inédito até.

Assim como nós marcamos uma época, eles estão tendo a oportunidade de fazer isso agora. São épocas diferentes, cada um fez a sua história.

Esse time do Flamengo de hoje, 90% jogou na Europa e serviu a seleção em algum momento. O time do Flamengo está em um patamar muito alto.

O Jorge Jesus vem fazendo um grande trabalho. Teve algumas dificuldades no início, mas depois passou a entender o que era o Flamengo. Recuperou alguns jogadores que não vinham bem e chegaram alguns jogadores que tiveram rápida adaptação."

Mozer: "Supremacia sobre os adversários"

Gilvan de Souza/ Flamengo
Imagem: Gilvan de Souza/ Flamengo

"Não tenho bola de cristal, mas eles estão muito bem encaminhados [para conquistar título] e estão trabalhando para isso. É normal a torcida estar empolgada. Time está jogando bem, criando dez, onze oportunidades de gol por jogo. Time está sólido, até eu estou empolgado.

Cada caso é um caso. Aquele time foi criado no fim da década de 70 e durou por vários anos. Foi amadurecendo e conquistando títulos até 87, mais ou menos. Então, é diferente. Se o Flamengo tiver a sorte de contar com o Jesus por muitos anos e direção tiver a capacidade que teve agora, manter os jogadores e ainda se reforçar. É natural que as coisas possam se consolidar nesse sentido. Mas requer continuidade. Existe uma comparação que é em relação à supremacia do time em relação aos adversários. Era assim, e hoje também está sendo. Realmente é."

Adílio: "Jesus entendeu que o Flamengo sempre jogou assim"

Paulo Reis/Flamengo
Imagem: Paulo Reis/Flamengo

"O Flamengo vem evoluindo cada vez mais. O Jesus entendeu que o Flamengo sempre jogou assim e, quando joga assim, sempre será campeão. Em outras gerações foi assim, jogando para frente. Isso que estamos vendo, do Flamengo sempre buscar o resultado independentemente do placar, é o DNA do Flamengo. Jesus entendeu isso muito bem.

Eu vejo que os jogadores que chegaram, chegaram muito bem. Laterais [Rafinha e Filipe Luis] muito bons, Gerson em ótima fase. Além de ter na frente um cara que sabe fazer gol, um goleiro e uma zaga segura... E o Flamengo sempre jogou com todo mundo, nunca teve isso de poupar. Hoje, tem um time identificado com a torcida.

Em cada posição tem jogadores bons e, quem vem entrando, está dando conta do recado. Todo mundo bem e sabe o que é o Flamengo."

Tita: "O time de hoje tem muitas qualidades"

Reprodução
Imagem: Reprodução

"O time de hoje tem muitas qualidades. A maioria dos jogadores já defendeu a seleção brasileira e jogou em grandes clubes, inclusive, na Europa. Acho difícil comparar um por um, jogador por jogador até porque estamos falando de 40 anos atrás, né?! Mas claro que é um time que tem qualidade.

O Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Filipe Luis... Zaga quase toda já defendeu seleção. Everton Ribeiro, Gabigol e Bruno Henrique também. Arrascaeta é da seleção uruguaia. Acho que há essa lembrança e comparação com uma geração que marcou, como a de 81, é que está muito bem.

É uma satisfação e uma alegria enorme ter participado dessa geração de 81, que conquistou a primeira Libertadores e Mundial. E, agora, cantam no estádio pedindo o mundo de novo, não é?"

Lico: "Forma de jogar é muito segura e eficiente"

Reprodução
Imagem: Reprodução

"Muito interessante o futebol que o mister [Jorge Jesus] deu ao time. Forma de jogar é muito segura e eficiente, tanto na defesa quanto no ataque. Implantou um futebol para ser copiado pelos adversários. Fez tudo isso em pouco tempo. É a forma que todo jogador gostaria de jogar. Futebol é isso, buscar o gol o tempo todo. Flamengo tem grandes jogadores e isto ajuda, claro. Mas tudo começou a se transformar após a chegada do Jesus. Willian Arão é o maior exemplo dessa evolução.

Cada época tem sua característica. A qualidade dos jogadores era melhor antes da nossa. Na Copa de 70, por exemplo, eram jogadores fenomenais. E a mesma coisa agora. O time de 81 tinha uma qualidade maior que o atual. Hoje a volúpia é maior, mas a qualidade era melhor antes. Você tinha o Zico, Leandro... Agora, tem algumas comparações. O Flamengo hoje tem uma superioridade muito grande sobre os adversários. Mas até nisso acho complicado comparar porque na nossa época os adversários eram muito superiores aos de hoje".

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