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Palmeiras assiste a novo episódio de ameaça e protesto violento em 2019

Esposa de Bruno Henrique sofreu episódio de agressão após empate com o Athletico-PR - Cesar Greco/SE Palmeiras
Esposa de Bruno Henrique sofreu episódio de agressão após empate com o Athletico-PR Imagem: Cesar Greco/SE Palmeiras

Bruno Grossi e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

22/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Clube tem convivido com protestos e ameaças de torcedores em 2019
  • No caso mais recente, esposa de Bruno Henrique foi agredida em Curitiba
  • Palmeiras repudiou o episódio em nota oficial, como já fez outras vezes
  • Nomes como Felipão, Alexandre Mattos e Maurício Galiotte já foram alvos

O episódio de agressão à esposa do volante Bruno Henrique, relatado pelo jogador à diretoria do Palmeiras, é o caso mais recente de uma sequência de ameaças e protestos violentos de torcedores a que o clube assiste em 2019. Mesmo no primeiro semestre, quando o time vivia fase muito melhor dentro de campo, houve turbulências. Elas foram aumentando em escalada até esse acontecimento mais recente, ocorrido após o empate por 1 a 1 com o Athletico-PR, na Arena da Baixada, pelo Campeonato Brasileiro, no último domingo (20).

Em nota oficial divulgada ontem, o Palmeiras classificou o episódio envolvendo a mulher de Bruno Henrique como "deplorável e constrangedor" e disse que está "dando todo o suporte necessário ao jogador e sua família". Perguntado se outra medida seria tomada além da publicação da nota, o clube não respondeu até a publicação desta reportagem.

Em abril, três dias depois da eliminação na semifinal do Campeonato Paulista para o São Paulo nos pênaltis, o ônibus da delegação alviverde foi apedrejado no caminho para o Allianz Parque antes do jogo contra o Junior Barranquilla, pela Libertadores. Na ocasião, o clube também soltou uma nota oficial lamentando a "covarde agressão" e fez denúncia do fato à polícia.

Já em julho, depois da eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil para o Internacional, também nos pênaltis, o elenco foi recebido com pressão e protestos em Fortaleza antes de um jogo contra o Ceará pelo Brasileirão. Torcedores atiraram pipoca nos jogadores, e alguns atletas tentaram conter os ânimos do grupo.

Em 3 de agosto, véspera de clássico com o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, membros da principal torcida organizada do clube, a Mancha Alviverde, protestaram em frente à Academia de Futebol, fazendo ameaças ao técnico Luiz Felipe Scolari. "Ô Felipão, vai se f..., se não ganhar amanhã, é você quem vai morrer" foi um dos cantos proferidos. Novamente, o Palmeiras se manifestou por nota oficial, chamando o ocorrido de "incompreensível" e prometendo providências.

A Mancha também iniciou uma campanha de protestos contra o diretor de futebol Alexandre Mattos, chamando constantemente o dirigente de "ladrão". Em 4 de setembro, membros da organizada protestaram na frente do condomínio onde Mattos mora. A torcida também enviou um arranjo de flores endereçado à esposa do diretor, o que foi visto por ele como uma ameaça. Posteriormente, Mattos acionou na Justiça o diretor executivo da Mancha, André Guerra.

Em 5 de setembro, dia da apresentação do técnico Mano Menezes na Academia de Futebol, membros da Mancha voltaram a protestar na frente do CT. Depois, foram recebidos pela diretoria para uma reunião a portas fechadas. O Palmeiras ainda reforçou o policiamento na porta da Academia e fechou todos os treinos daquela semana, alegando questões de segurança.

Nesse cenário, a Mancha segue recebendo da Crefisa, patrocinadora do clube e que tem como presidente a conselheira Leila Pereira, aportes financeiros para o Carnaval da escola de samba ligada à torcida. Leila se mantém alheia ao conflito entre a organizada e a diretoria - além de Mattos, o presidente Maurício Galiotte também é alvo recorrente dos protestos - e afirma que não interfere em nenhuma decisão "do clube ou da escola de samba".

O elenco do Palmeiras recebeu folga hoje e se reapresenta amanhã, para treinamentos em dois períodos na Academia de Futebol. O time está em segundo lugar no Campeonato Brasileiro, última chance de título na temporada, mas a dez pontos de distância do líder Flamengo. A equipe volta a campo no domingo (27), contra o Avaí, na Ressacada.

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