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Ronaldinho depõe ao MP em investigação sobre pirâmide financeira

Ronaldinho Gaúcho diz que rompeu com a 18kRonaldinho após a empresa começar a trabalhar com Bitcoins - Raul ARBOLEDA / AFP
Ronaldinho Gaúcho diz que rompeu com a 18kRonaldinho após a empresa começar a trabalhar com Bitcoins Imagem: Raul ARBOLEDA / AFP

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

17/10/2019 19h31

Resumo da notícia

  • Ministério Público convocou Ronaldinho como testemunha de uma investigação sobre a empresa 18kRonaldinho
  • A companhia promete rendimentos em Bitcoins de até 2% ao dia e bônus por indicações de novos membros
  • O modelo tem indícios de constituir uma pirâmide financeira, prática considerada crime contra a economia popular
  • Ao MP, Ronaldinho disse que não é sócio da 18k e tinha apenas um contrato de publicidade
  • A promotoria disse que vai convocar os donos do negócios
  • A 18kRonaldinho, que mudou de nome após reportagem do UOL Esporte, afirma que suas atividades são lícitas

O Ministério Público de São Paulo ouviu o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho como testemunha em uma investigação preliminar sobre a empresa 18kRonaldinho, que atua com indícios de ser uma pirâmide financeira.

O depoimento foi prestado na semana passada na promotoria de Barueri, onde o CNPJ da empresa está inscrito, após reportagem do UOL Esporte mostrar que a 18k promete rendimento em Bitcoins de até 2% ao dia aos clientes que investirem de 30 a 12 mil dólares, além de bônus por indicação de novos membros. O modelo se assemelha a uma pirâmide financeira, atividade considerada crime contra a economia popular.

A empresa havia sido alvo de duas representações no Ministério Público Federal, que repassou o caso ao MP paulista. O promotor Marcos Mendes Lyra resolveu chamar Ronaldinho para explicar sua relação com a empresa. Segundo o MP, o ex-jogador afirmou que não é sócio da 18k e tinha apenas um contrato de publicidade.

A promotoria agora enviará cartas precatórias para tentar ouvir os dois sócios constituídos, Marcelo Lara Marcelino e Rafael Horácio Nunes de Oliveira, que, de acordo com os promotores, não vivem em São Paulo. O MP também espera em até 30 dias um relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que abriu processo contra a 18k.

Procurada, a defesa do ex-jogador afirmou que ele foi ouvido como testemunha e que a empresa teria usado sua imagem sem autorização. Ronaldinho fez durante anos propaganda para a companhia que leva o seu nome e diz atuar no mercado de marketing multinível, vendendo relógio e outros produtos. Em reuniões com potenciais clientes, a empresa também prometia bônus como carros importados e viagens a destinos turísticos paradisíacos.

Francisco Seco/AP
Imagem: Francisco Seco/AP

De acordo com o advogado Sérgio Queiroz, Ronaldinho não havia autorizado que a 18k usasse sua para imagem negócios de arbitragem em criptomoedas.

Há duas semanas, após saber que o Ministério Público analisava as atividades da 18k, o advogado do ex-atleta afirmou que ele havia rompido com os antigos parceiros. A empresa chegou a mudar uma parte de seu material de divulgação e adotou o nome "18kWorld" após o desentendimento.

A Câmara dos Deputados também aprovou uma audiência pública para ouvir Ronaldinho e representantes da 18k.

Nas redes sociais, Marcelo Lara, que se apresenta como o CEO da companhia, tem dito a 18k vai passar por mudanças significativas nos próximos meses. A empresa começou vendendo relógios esportivos, mas ao menos desde junho mudou radicalmente seu plano de negócios, oferecendo rendimentos supostamente oriundos da arbitragem da criptomoeda Bitcoins.

Nas redes sociais, clientes temem que as investigações possam significar o fim da empresa e do rendimento prometido. Em vídeos no Youtube e em grupos do Whatsapp membros afirmam que não conseguem sacar o dinheiro investido e que o suporte técnico oferecido na plataforma online não funciona.

Procurado, o advogado da 18k, Gabriel Villareal, afirmou que a empresa não usa o dinheiro dos clientes para fazer operações financeiras.

"A empresa reitera que não utiliza capital de terceiros em suas operações e que não trabalha com investimentos. Todas as operações da empresa são feitas com capital próprio auferido na venda de produtos", afirmou o advogado.

"Os bônus distribuídos constituem mera liberalidade da empresa para bonificar sua rede, conforme expressamente constante em contrato. A empresa bonifica com base em seus próprios resultados, sistemática normal de mercado, a exemplo dos sistemas de cash back, sistemas de pontos e milhas de fidelidade, pontuação de cartões de crédito, etc."

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