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Brasil joga mal de novo, tropeça na Nigéria e segue em jejum de vitórias

Neymar é substituído ainda no início do primeiro tempo do amistoso Brasil x Nigéria - Roslan Rahman/AFP
Neymar é substituído ainda no início do primeiro tempo do amistoso Brasil x Nigéria Imagem: Roslan Rahman/AFP

Lucas Faraldo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/10/2019 10h54

A seleção brasileira voltou a jogar mal. Os comandados de Tite buscaram um empate de 1 a 1 contra a Nigéria após saírem atrás no placar, em amistoso disputado hoje (13) pela manhã (no horário de Brasília), em Cingapura. Os gols foram anotados por Aribo e Casemiro. O camisa 10 Neymar sentiu dores na coxa esquerda e deixou o gramado aos 12 minutos.

O Brasil engata assim sua quarta partida consecutiva sem vitória. Antes do tropeço na Nigéria, houve empates contra Senegal e Colômbia e ainda derrota para o Peru. O time de Tite não triunfa desde a Copa América.

Chamou atenção no amistoso deste domingo a passividade brasileira principalmente no primeiro tempo. O roteiro foi bastante similar ao do amistoso de quinta-feira passada, contra Senegal, diante de quem também empatou por 1 a 1.

Ainda se preparando para o início das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa de 2022, agendado para março do ano que vem, a seleção brasileira volta a campo para novos amistosos no próximo mês de novembro, quando encara Argentina e Coreia do Sul, provavelmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes, em datas e até locais a serem ainda confirmados pela CBF.

Neymar sente aos sete minutos, tenta seguir, mas pede pra sair

O cronômetro do árbitro Jansen Foo não marcava ainda nem sete minutos completos quando Neymar colocou a mão na coxa esquerda e se dirigiu ao banco de reservas para falar com o médico da seleção, Rodrigo Lasmar. Ele tentou seguir em campo por mais três minutos até pedir para ser substituído - Philippe Coutinho entrou no lugar do camisa 10, que iniciou tratamento com gelo sentado ao lado dos suplentes.

Segundo o SporTV, Neymar já havia realizado um alongamento reforçado pouco antes do início da partida, durante o aquecimento da seleção, com auxílio do preparador físico Ricardo Rosa, com quem o atacante trabalha também no PSG. Seria um indicativo de que o jogador já sentia ao menos um princípio de incômodo nos minutos que antecederam o amistoso de hoje.

Gabigol em campo após 90 minutos de banco no primeiro amistoso

Artilheiro absoluto e camisa 9 do Flamengo, Gabriel Barbosa entrou em campo aos 16 minutos do segundo tempo, no lugar de Firmino. Havia expectativa em torno da utilização do centroavante na medida em que sua convocação desfalcou o líder do Campeonato Brasileiro e que ele já não havia saído do banco de reservas durante o amistoso de quinta passada. Viveram situação similar diante da Nigéria o volante Fabinho, do Liverpool, e o atacante Lucas Paquetá, do Milan, também testados por Tite - mas aí já nos minutos finais.

Camisa 10 que brilha é o nigeriano; Everton aproveita 'breve' chance

Neymar que nada! O camisa 10 nota 10 da noite em Cingapura (e manhã pelo horário de Brasília) foi Aribo, autor do gol nigeriano. A invasão do jogador na grande área brasileira, com velocidade e ginga, sem tomar conhecimento do sistema defensivo de Tite, sintetizou ao menos o espírito demonstrado pela equipe africana no amistoso de hoje.

Pelo lado brasileiro, Everton Cebolinha, uma das novidades na equipe titular, mostrou-se "o menos pior" no sentindo de ao menos propor movimentação mais aguda em direção ao gol adversário - não recebendo muito apoio de Renan Lodi, a outra novidade da seleção em relação ao último amistoso. Ainda assim, o atacante do Grêmio foi substituído por Tite no intervalo, dando lugar a Richarlison.

Defesa assiste ao gol nigeriano, e Marquinhos falha de novo

O Brasil de Tite como um todo foi muito mal representado por todos os jogadores que entraram em campo neste domingo, mas destacou-se a passividade defensiva no lance do gol nigeriano. Ninguém que participou minimamente da jogada esboçou qualquer reação que gerasse expectativa de bloquear os adversários, A conclusão do ataque contou com drible sofrido por Marquinhos. O zagueiro por pouco já não havia anotado gol contra minutos antes e também já havia se destacado negativamente no amistoso contra Senegal.

Brasil tem muita dificuldade com a bola no chão e muda estratégia

A seleção brasileira fez um péssimo primeiro tempo, encontrando muita dificuldade para criar jogadas de ataque com a bola no chão. Chamou atenção também a aparente falta de vontade e consequentemente criatividade da equipe, até mesmo daqueles jogadores que em tese precisavam mostrar serviço a Tite - casos de Renan Lodi e Philippe Coutinho, principalmente no primeiro tempo.

No segundo tempo, o ritmo brasileiro melhorou diante de uma mudança de estratégia aparentemente proposta por Tite durante o intervalo. A seleção passou a apostar muito mais nas jogadas de bola aérea. Foi assim que chegou ao gol de empate e ainda acertou por duas vezes a trave em cabeceios do zagueiro Marquinhos.

As substituições propostas por Tite ao lnogo dos 45 minutos finais pareceram seguir a linha de "seis por meia dúzia" e pouco mudaram o panorama da partida. Lucas Paquetá, por exemplo, ganhou sua única chance nesta data Fifa aos 44 minutos da etapa final.

Roslan Rahman/AFP
Imagem: Roslan Rahman/AFP

Nigéria entende morosidade do Brasil e aposta em contra-ataques

Mais fraca tecnicamente que a também africana seleção de Senegal, última adversária do Brasil, a Nigéria se sobressaiu no aspecto físico e principalmente no que diz respeito à intensidade de seus atletas na maioria das jogadas. Arriscando mais que os comandados de Tite, os nigerianos souberam aproveitar os espaços da defesa e do meio de campo brasileiros e por várias vezes assustaram o goleiro Ederson.

Cronologia do jogo

Toma lá dá cá: as duas equipes conseguiram criar chances de gol logo no início do jogo, cada uma dentro de sua proposta. Firmino perdeu duas boas oportunidades; Jesus, uma. E gol mesmo quem fez primeiro foi a Nigéria, já na parte final da primeira etapa.

Aos 34 minutos, a Nigéria abriu o placar com Aribo. No início do lance, Lodi não cortou cruzamento do lado esquerdo da defesa, Daniel Alves deu liberdade para quem receberia a bola invertida, Arthur e Casemiro não fizeram boa cobertura na entrada da área e permitiram a infiltração do camisa 10 nigeriano, que driblou Marquinhos com enorme facilidade antes estufar as redes de Ederson.

Mudando a forma de atacar ao priorizar jogadas de bola aérea, o Brasil foi mais perigoso ofensivamente no segundo tempo. E logo aos dois minutos chegou ao gol de empate: Daniel Alves aproveitou cobrança de escanteio para cruzar, Marquinhos cabeceou acertando o travessão, e Casemiro, livre de marcação, aproveitou o rebote para deixar tudo igual no placar.

No decorrer da partida, o Brasil ainda mostrou variação ofensiva ao também apostar em jogadas mais elaboradas de exploração da linha de fundo, buscando cruzamentos rasteiros para dentro da área. Não houve quem vencesse, contudo, o sistema defensivo nigeriano.

Se juntar dois, não dá um

Um dos destaques negativos do jogo contra Senegal, o público aquém do esperado em jogos da seleção brasileira se repetiu hoje em Cingapura, com registro de 20.385 torcedores - se somados aos 20.621 que compareceram ao mesmo estádio três dias atrás, o total não chega nem de perto aos 55 mil de capacidade das arquibancadas cingapurianas. Outro problema repetido em relação ao amistoso anterior foi a baixa qualidade do gramado, com buracos e focos de terra visíveis até para quem assistia ao embate pela televisão.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 1 X 1 NIGÉRIA

Local: Estádio Nacional, em Kallang (Cingapura)
Data/Hora: 13 de outubro de 2019, às 9h (de Brasília)
Árbitro: Jansen Foo
Assistentes: Abdul Hannan e Ong Chai Lee
Público: 20.385
Cartões amarelos: Thiago Silva (Brasil)
Gols: Aribo, aos 34' do primeiro tempo; Casemiro, aos 2' do segundo tempo

Brasil: Ederson, Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Renan Lodi; Casemiro, Arthur (Fabinho), Neymar (Philippe Coutinho); Gabriel Jesus (Paquetá), Roberto Firmino (Gabigol) e Everton (Richarlison). Técnico: Tite.

Nigéria: Uzoho (Okoye); Awaziem, Ajayi, Troost-Ekong e Collins; Ndidi, Aribo e Iwobi (Azeez); Chukwueze, Simon (Dennis) e Osimhen (Onuachu). Técnico: Gernot Rohr.

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