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Como o Santos transformou o uniforme três em um grito pelo orgulho negro

Santos distribuiu 60 camisas pretas para crianças de projeto social - Ivan Storti/Santos FC
Santos distribuiu 60 camisas pretas para crianças de projeto social Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

11/10/2019 04h00

"Enquanto um negro ousar quebrar o sistema com a bola no pé, o Santos viverá. Pode ter certeza". A voz do rapper Emicida dispara tal frase como se fosse uma de suas músicas. Não é, mas poderia. O trecho faz parte da minissérie "Time de branco e de preto" que lançou o novo uniforme três do Peixe.

"A história de um time de branco, que não seria nada se não fossem os pretos". Milton e Esmeraldo. Anônimos. Pelé, Robinho, Neymar e Rodrygo. Consagrados. Mais do que uma camisa, o Santos fez do uniforme um grito pelo orgulho negro.

"No decorrer do período entre a definição do modelo e o lançamento ficou clara a importância e a urgência de aproveitarmos o lançamento do uniforme para abraçar o posicionamento do orgulho negro e o resgate da origem popular e inclusiva do clube. Exaltar o papel dos negros na nossa história não é sectário muito menos "lacração", consideramos muito necessário e oportuno dar o devido reconhecimento e valor à contribuição destes heróis na construção da grandeza de nosso clube e do futebol brasileiro", disse Marcelo Frazão, executivo de marketing e comunicação do Santos ao UOL Esporte.

O slogan da campanha da camisa aponta: "Preta. Da cor da nossa história", mas poderia, também, dizer "da cor das nossas glórias". Foi com protagonistas negros que o Santos conquistou todos os maiores títulos de sua gloriosa e centenária história. A resposta do torcedor não poderia ser melhor: nos primeiros nove dias, a camisa três vendeu cinco vezes mais do que a branca no mesmo período.

"Na terra onde as coisas mágicas acontecem, é muita petulância duvidar que a história se repita"

Os precursores, o ataque dos sonhos e os raios. Em três episódios, a Santos TV, com brilhante narração do rapper Emicida, conta desde como o Peixe foi um dos pioneiros na defesa dos negros no futebol, passa pelo lendário quinteto de ataque com apenas um "cara pálida" e destaca os "raios" do clube: todos negros.

"Ele foi nossa primeira opção para o trabalho. Emicida dá um respaldo incrível à série, tem lugar de fala, um brilho raro de narração e timing perfeito. E vimos que estávamos no caminho certo quando ele aceitou abraçar o projeto e viu também naquela ideia algo diferente. O texto, que muitos pensam que foi de autoria do Emicida, é tão bom que de fato poderia ser, mas texto e roteiro são do nosso coordenador da Santos TV [Victor Borges}. Um privilégio termos a participação de Emicida e Mano Brown", contou Frazão.

No quarto episódio, o ídolo eterno Edu, o jovem Menino da Vila Tailson e a Sereia da Vila Maria Dias, distribuíram 60 camisas pretas para crianças do projeto social Super Escola. O trio ainda jogou bola com as crianças. O episódio conta com entrevista com Mano Brown, outro rapper santista e bastante ativo na comunidade alvinegra.

"Na terra onde o raio cai, sim, mais de uma vez no mesmo lugar, o céu preto não é sinal de mau agouro, é quase que ressurreição"

A Umbro, fornecedora de material esportivo do Santos, produziu o uniforme com referências aos anos 90, em homenagem aos 95 anos da marca. Os grafismos geométricos utilizados na camisa ficaram sutis na cor preta e foram muito bem aceitos pelo torcedor do Peixe.

"São diversas as manifestações positivas e respeitosas inclusive de torcedores rivais o que muito nos orgulha. Essa é a vocação do Santos: ser motivo de orgulho", comemorou Frazão.

É a segunda minissérie produzida pela Santos TV no ano. Antes disso, o canal oficial do clube já havia produzido uma série de entrevistas em homenagem ao dia dos pais.

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