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Base, reforços e 'invenção' no meio: os segredos do Goiás líder do returno

Goiás Esporte Clube
Imagem: Goiás Esporte Clube

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

09/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Goiás é o líder do returno do Brasileiro, com quatro vitórias em quatro jogos
  • Ney Franco conta os segredos da equipe em entrevista ao UOL Esporte
  • Treinador conquistou o acesso com o Goiás na temporada passada
  • "Clube e a torcida mostraram muito interesse na minha volta", diz Ney

Goiás e Ney Franco parecem ter sido feitos um para o outro. O técnico que, no ano passado, pegou a equipe na vice-lanterna da Série B e a levou de volta para a elite, consegue nesta temporada, em sua segunda passagem, fazer mais uma campanha surpreendente com o time que hoje é o líder do returno do Campeonato Brasileiro - à frente até mesmo do Flamengo, primeiro colocado da tabela com cinco pontos de distância para o segundo colocado (Palmeiras).

Na noite de hoje (9), às 19h15, no Engenhão, o Goiás visita o Botafogo em busca de sua quinta vitória consecutiva na competição nacional. Fluminense (3 a 0), São Paulo (1 a 0), Cruzeiro (1 a 0) e Ceará (1 a 0) foram as vítimas do time que marcou seis gols e não sofreu nenhum nas últimas quatro rodadas. Mas qual o segredo da equipe comandada por Ney Franco? Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o técnico contou um pouco sobre as mudanças que fez - tanto dentro como fora de campo - desde que assumiu o time em agosto, após a saída de Claudinei Oliveira.

"Quatro vitórias seguidas dentro de um Campeonato Brasileiro é uma tarefa difícil para qualquer equipe, independentemente da qualidade técnica do time ou seu poder de investimento. No nosso caso, estamos felizes com estes resultados, pois, além da pontuação conquistada, o ambiente fica mais leve, algo espetacular para o trabalho do dia a dia. Os números que temos feito são frutos da entrega dos atletas nos treinamentos e jogos. Eles compraram a ideia, estão acreditando na nossa proposta de trabalho, o que é parte determinante para o nosso sucesso no segundo turno. Combinado a isso, estamos aproveitando as excelentes condições que a diretoria do Goiás nos oferece para desenvolvermos nosso projeto", afirma o técnico.

Rosiron Rodrigues/GEC
Imagem: Rosiron Rodrigues/GEC
Para Ney Franco, buscar alguns atletas das categorias de base e contratar alguns reforços pontuais, além de mexer em alguns posicionamentos dos jogadores, foram algumas das mudanças essenciais para que o Goiás crescesse de produção ao longo da competição nacional. Hoje, o time soma 33 pontos e está bem mais perto da zona da Libertadores (cinco pontos para o Inter, sexto colocado) do que da zona de rebaixamento (11 pontos para o CSA, 17º).

"Comecei a acompanhar os garotos da base e, principalmente, nossa equipe sub-23, que está disputando a Copa Verde. Pincei alguns atletas, que, hoje, estão nos ajudando no time de cima, como Breno, Thalles e Kaio. Também contratamos o Lucão, zagueiro ex-São Paulo, o Alan Ruschel, que estava na Chapecoense [com quem trabalhou nesse ano], e, agora, trouxemos o Papagaio, atacante que pertence ao Palmeiras e não vinha tendo tantas oportunidades no Atlético-MG, onde estava por empréstimo. Acredito que, com isso, o grupo deu uma "encorpada" e alguns atletas do elenco começaram a ter um desempenho melhor, como, por exemplo, o zagueiro Rafael Vaz e o volante Gilberto, entre outros", diz o treinador de 53 anos.

Na análise de Ney Franco, a mudança de posição de Léo Sena foi outro fator que fez o Goiás evoluir dentro de campo. "Comecei a utilizar o Léo Sena, que é um volante técnico, como meia e este detalhe deu muito certo. O atleta subiu de produção, acompanhando a evolução de toda a equipe. Isso sem falar no nosso goleiro [Tadeu], que está num momento especial, juntamente com o Michael, que tem se destacado na frente", acrescenta o comandante.

Goiás Esporte Clube
Imagem: Goiás Esporte Clube

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UOL Esporte: Após a demissão do Claudinei, a torcida do Goiás 'invadiu' suas redes sociais pedindo a sua volta. Isso pesou?

Ney Franco: Na realidade, saber que o trabalho desenvolvido no ano anterior estava sendo reconhecido pelos torcedores e dirigentes do clube pesou muito na minha decisão de abraçar este desafio. Após minha saída da Chape, já estava preparado para trabalhar só na temporada de 2020, pois queria eu pegar um projeto no início. O meu acerto com o Goiás foi rápido, porque o clube e a torcida mostraram muito interesse na minha volta e, então, me senti mais seguro para enfrentar de novo um projeto à frente de um clube que me respeita e pelo qual também tenho grande respeito.

Quando você chegou, no começo de agosto, como reencontrou o time? Você mexeu muita coisa desde então?

Encontrei uma equipe desejosa para o trabalho e sabedora de seu próprio potencial. O papel do Claudinei, que me antecedeu no clube, foi feito com qualidade e estava embasado, bem encaminhado. Cheguei e consegui dar sequência ao que já vinha sendo bem desenvolvido por ele. Aos poucos, a equipe foi se encaixando e os atletas pegando confiança. Com o tempo, você vai implementando sua metodologia, dando uma cara sua à equipe.

O Goiás tem um elenco para brigar pela parte de cima da tabela? Como você vê o atual grupo?

Nosso grande desafio, hoje, é conseguir uma vaga na Sul-Americana. Estamos trabalhando para isto. Mas sempre respeitando os adversários, claro. O Brasileirão é muito equilibrado. Muita água ainda vai rolar e não somos nós que vamos limitar nosso crescimento na competição.

Dá para fazer alguma comparação entre o Goiás de 2018, que conquistou o acesso, e o deste ano?

O comparativo tem como referência a dificuldade das duas competições. Ano passado, peguei a equipe na sétima rodada, posicionada na penúltima colocação da Série B. O trabalho de recuperação daquele grupo foi muito difícil, mas, no fim, veio a coroação com acesso à Série A. É uma situação inédita, que dá muita satisfação de ter feito parte. Este ano, cheguei com o time em 12º na tabela, mas numa disputa de Série A, na qual a qualidade técnica é bem maior. Então, acredito que o trabalho seja tão difícil ou mais que aquele que fizemos em 2018. Nosso aproveitamento nos primeiros jogos de ambas as campanhas é bem parelho, o que demonstra uma coerência interessante com relação à assimilação do grupo à metodologia. São detalhes que a gente fica de olho para aprimorar sempre.

Você é a favor ou contra o VAR? Como vê sua utilização nesse Campeonato Brasileiro?

Sou plenamente a favor do VAR e acho que não tem mais volta. Estamos, ainda, num momento de adaptação, o que não é fácil, mas já percebemos que têm mais acertos do que erros nas decisões da arbitragem, nesta temporada. É importante para termos um futebol mais justo e transparente. Podemos discutir o tempo que o jogo fica parado, acredito que, em algumas situações, realmente está demasiado, mas prefiro isto a uma decisão injusta dentro do jogo.

GOIÁS COM NEY FRANCO EM 2018

34 jogos (18 vitórias, 5 empates e 11 derrotas)
Aproveitamento: 57,84%. 51 gols a favor e 42 gols contra

GOIÁS COM NEY FRANCO EM 2019

11 jogos (6 vitórias, 1 empate, 4 derrotas)
Aproveitamento: 57,57%. 11 gols a favor e 10 gols contra

Alguém pode tirar o título brasileiro do Flamengo?

UOL Esporte