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Bruno retorna ao futebol em jogo amador, atua 45min e time vence por 2 a 0

Bruno voltou aos gramados em time de Minas Gerais - Franco Junior/UOL
Bruno voltou aos gramados em time de Minas Gerais Imagem: Franco Junior/UOL

Franco Junior

Colaboração para o UOL, em Poços de Caldas (MG)

05/10/2019 19h41

A torcida do Poços de Caldas (MG) precisou enfrentar o forte calor e esperar o primeiro tempo todo para ver o retorno do goleiro Bruno aos campos, na tarde deste sábado (5), diante do Independente de Juruaia, equipe que disputa o campeonato amador local. Ele entrou em campo no início da segunda etapa, quando o jogo ainda estava 0 a 0, e viu de perto Gleison e Otávio marcarem os gols da vitória por 2 a 0, no estádio Benedito Bandola de Oliveira, em Poços de Caldas.

Bruno voltou ao futebol após conseguir, em julho, uma autorização judicial para retornar ao regime semiaberto. Ele cumpre pena pelo assassinato da ex-namorada Eliza Samudio, que aconteceu em 2010. A estreia no novo time foi autorizada pelo juiz Tarcísio Moreira de Souza, da Vara de Execuções Penais de Varginha, cidade onde o jogador vive. Como condição para que Bruno atue pelo clube, a decisão pede que ele saia de casa às 6h e retorne, no máximo, às 21h, em caráter excepcional. A cada partida que o jogador disputar, a autorização deverá ser renovada.

Ao contrário dos protestos contra a contratação do goleiro em redes sociais, no estádio, a torcida apoiou o goleiro, que recebeu pedidos por fotos dos companheiros de time, dos rivais e, até mesmo, do trio de arbitragem.

Depois do jogo, Bruno falou sobre a estreia, revelou frio na barriga e comparou a motivação de estar em campo com a mesma que sentia ao entrar, por exemplo, em um Mineirão ou Maracanã lotado.

"Frio na barriga sempre dá, não tem jeito, mas depois que defende a primeira bola fica tudo tranquilo. O problema é um cara acertar um chute na gaveta e fazer o gol. Mas me senti muito tranquilo durante o jogo, deu pra ajudar os companheiros. Me senti muito motivado para estar em campo, pois o prazer de estar dentro do estádio, com torcedor acompanhando e incentivando, não tem preço. A motivação é a mesma do que entrar em um Mineirão e um Maracanã lotado, e, para mim, isso é o que importa", revelou.

MAIS OS PÉS QUE AS MÃOS

Durante os 48 minutos que esteve em campo (45 regulamentares e mais 3 de acréscimo), Bruno atuou mais com os pés, nas bolas recuadas pelos companheiros, do que com as mãos. Nas duas vezes em que foi exigido, o goleiro mostrou traços do jogador que já defendeu a meta do Flamengo.
Isso foi aos 34 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava 1 a 0 para o Poços de Caldas. Bruno defendeu uma bola no cantinho, em chute do atacante Paulinho, do Independente. A defesa se tornou ainda mais importante para a equipe, porque, no lance seguinte, Otávio fez o gol que sacramentou a vitória do Vulcão.

"Todo mundo quer fazer um gol, deixar sua marca e entrar para a história. Ainda mais com a presença enorme da imprensa e da torcida. Graças a Deus a gente acabou não tomando gol, o que é o mais importante, porque dá muita confiança para o setor defensivo e para a equipe como um todo", comemorou.

GOLEIRO NÃO QUIS BATER FALTA

Autor de quatro gols na carreira, Bruno teve seu nome chamado pela torcida no momento em que uma falta, na entrada da área, foi marcada para o Vulcão. O goleiro preferiu não fazer a cobrança e gesticulou para os torcedores que na próxima ele iria para a bola. Não houve outra oportunidade nem para Bruno e nem para a torcida ver a batida.

O goleiro explicou que preferiu não fazer a cobrança por conta do pouco tempo de treinamento que teve antes do jogo.

"É muito cedo ainda para cobrar falta. Fiz apenas três treinos para se preparar para a partida, mas daqui a um mês estarei melhor do que hoje, vou procurar melhorar sempre", destacou.

JOGO ATRASADO E BRUNO RESERVA

A partida estava marcada para as 15h, mas só foi ter início 40 minutos depois, o que fez os pouco mais de 300 torcedores pagantes terem que esperar um pouco mais para ver o goleiro em campo. E precisaram aguardar por mais 45 minutos, pois o Bruno pediu para o treinador Paulinho Ceará colocá-lo no banco de reservas no primeiro tempo.

Bruno chegou ao estádio Benedito Bandola de Oliveira, em Poços de Caldas, faltando apenas 20 minutos para o início da partida. Com isso, o jogo sofreu o atraso que fez os membros da torcida organizada Kuati Loko ensaiarem um protesto ao gritarem "olha a hora, cobram R$ 10 para a entrada, mas não começa na hora".

Um dos motivos para o atraso pode ter sido o fato de o goleiro não ter ido ao estádio junto aos demais atletas do elenco do Poços de Caldas. Ele chegou para o jogo em um carro particular, junto com a esposa, a filha e a advogada.

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