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Por que Real Madrid vendeu goleiro de confiança de Zidane para o PSG

Keylor Navas em frente a Karim Benzema durante vitória do PSG sobre o Real Madrid - Benoit Tessier/Reuters
Keylor Navas em frente a Karim Benzema durante vitória do PSG sobre o Real Madrid Imagem: Benoit Tessier/Reuters

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris

04/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Homem de confiança de Zidane, Keylor Navas foi vendido para o PSG
  • Thibaut Courtois, atual titular do Real Madrid, se tornou alvo de críticas
  • Interesse no relacionamento com o PSG ajudou Real a tomar a decisão
  • Presidente do Real também quer fazer Courtois trabalhar sem sombra

São incontáveis as críticas a Thibaut Courtois, goleiro do Real Madrid. O belga tem a posição de titular ameaçada, o que escancara uma manobra política que desagradou ao treinador Zinedine Zidane: a venda de Keylor Navas para o Paris Saint Germain. A saída do costa-riquenho tricampeão da Liga dos Campeões é vista como erro capital do presidente do clube espanhol, Florentino Pérez, e o interesse no relacionamento com os parisienses ajuda a explicá-la.

Aos 32 anos, Navas tem na idade a justificativa da cúpula do Real Madrid para a transação. Porém, a estratégia é fazer Courtois, "queridinho" de Florentino contratado há um ano, trabalhar sem o peso da sombra de um reserva de luxo. Além disso, os merengues pretendem estreitar os laços com o PSG antes de ações que certamente vão incomodar a diretoria do clube francês na próxima temporada: o assédio a Kylian Mbappé e Neymar.

Navas foi vendido por 15 milhões de euros nos dias finais da janela internacional de transferências. A quantia soa como simbólica entre grandes clubes no mercado atual e representa, por exemplo, 5% dos 300 milhões de euros exigidos pelo PSG para liberar Neymar.

A relação entre PSG e Real Madrid é pacífica, bem diferente da mantida pelo clube francês com o Barcelona, principal interessado em Neymar. Tanto que o camisa 10 só negociou com os madrilenhos recentemente após o diretor esportivo do PSG, Leonardo, ter manifestado o interesse em inclui-lo em negociação para contratar Vinicius Júnior.

A venda de Navas só foi fechada com o envolvimento do francês Alphonse Areola. O então titular do PSG foi emprestado ao Real por um ano e agora ameaça Courtois - Zidane colocou compatriota no lugar do belga no intervalo do empate por 2 a 2 entre Real Madrid e Brugge, nessa terça-feira (1º), pela Liga dos Campeões.

"O Navas tinha a intenção de ficar no Real Madrid e competir. Mas o clube não o tratou bem. Dizia que se encontrasse uma proposta que o agradasse, o negócio será feito. Isso é um recado claro de que o Courtois tem que jogar", destacou o Thomas Roncero, editor de esportes do jornal esportivo AS, de Madri.

Antes de iniciar a temporada, o periódico promoveu enquete no site oficial sobre quem seria o camisa 1 ideal para o time merengue. Navas foi disparado o vencedor, com quase 80% de um total de cerca de 23 mil votos.

Navas x Courtois: a rivalidade

Calmo e de poucas palavras, Navas jamais criticou a contração de Courtois. Porém, ficou inconformado nos bastidores quando soube que o belga havia dito que "ficou claro quem deve ser o número 1 do time" depois de uma sequência de bons jogos na pré-temporada. A vitória por 3 a 0 do PSG sobre o Real, pela Liga dos Campeões, serviu para Navas "lavar a alma", e uma piscadinha ao antigo concorrente no fim do jogo foi visto como troco pela declaração.

A impressão inicial da temporada é de que o PSG é o grande vencedor da troca. O costa-riquenho sofreu dois gols em cinco partidas pelo PSG - média de 0,4 por jogo -, enquanto o belga soma 11 gols sofridos, em oito jogos disputados pelo Real Madrid - média de 1,4 por exibição.

A diferença de rendimento também pode ser explicada pelo fato de o Real Madrid ser um time mais exposto ao adversário do que o PSG. No entanto, o que pressiona ainda mais o belga são os números da temporada passada. Nela, Navas fez 22 jogos pelo Real Madrid e sofreu 21 gols - média de 0,95 por exibição. Já Courtois entrou em campo em 34 oportunidades e sofreu 48 gols - média de 1,41 por partida.

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