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Mano admite mágoa por saída da seleção e defende técnicos gringos no Brasil

Mano Menezes concede entrevista para Muricy Ramalho no CT do Palmeiras - Reprodução/Globoesporte
Mano Menezes concede entrevista para Muricy Ramalho no CT do Palmeiras Imagem: Reprodução/Globoesporte

Do UOL, em São Paulo

03/10/2019 13h25Atualizada em 03/10/2019 15h14

Resumo da notícia

  • Mano Menezes, técnico do Palmeiras, concedeu entrevista a Muricy Ramalho no Globo Esporte
  • Técnico disse que ficou magoado ao ser demitido da seleção brasileira em 2012
  • Mano elencou a Copa, a pressão da imprensa e pessoas "não tão preparadas" como motivos para sua demissão
  • O gaúcho elogiou os estrangeiros Sampaoli e Jorge Jesus e disse que não importa a nacionalidade de um técnico
  • Demitido do Cruzeiro, disse que a saída foi escolha sua, por um desgaste natural no clube

O técnico Mano Menezes conversou com o ex-companheiro de profissão, Muricy Ramalho, em entrevista exibida pelo Globo Esporte, e falou sobre a sensação de mágoa que ficou após sua saída da seleção brasileira. O atual técnico do Palmeiras esteve à frente do Brasil entre julho de 2010 e novembro de 2012, quando deixou o comando do grupo após derrota para a Argentina. No entanto, ele garante que essa já é uma questão superada.

"Claro que a gente fica chateado. Todo trabalho do técnico que não é completado é sempre frustrante pra gente, principalmente quando você já passou a pior parte e começa a entrar onde as coisas começam a se encaixar. A decisão da diretoria na época, que não foi a que me contratou, já era outra, porque havia saído o presidente e entrado novas pessoas, optaram por levar novos profissionais, que também eram profissionais campeões. Talvez a pressão da Copa no nosso país, talvez a pressão externa da mídia, porque isso também influi, principalmente a decisão das pessoas que às vezes não estão tão preparadas para estarem lá. Não é fácil a pressão em lugar nenhum", analisou o técnico, que complementou:

"Fiquei chateado como qualquer outro profissional ficaria. Mas também, mágoa dura uns 15, 20 minutos, uns 30 dias naquele caso porque era algo maior. Então, a seleção é algo grandioso para um técnico. Não penso nisso (em voltar ao cargo), não é minha obsessão. Se um dia acontecer de receber o convite vou pensar, como você pensou e não foi, aí já com uma experiência de ter passado lá, sabendo como as coisas funcionam, porque você vê como as coisas funcionam estando lá dentro", disse.

Mano defende técnicos gringos no Brasil

Jorge Jesus e Sampaoli recebem elogios de Mano Menezes - Thaigo Ribeiro/AGIF e Sergio Moraes/Reuters
Jorge Jesus e Sampaoli recebem elogios de Mano Menezes
Imagem: Thaigo Ribeiro/AGIF e Sergio Moraes/Reuters

O treinador alviverde também não se esquivou ao ser questionado sobre a chegada de técnicos estrangeiros ao Brasil. O tema, que já causou polêmica ao ser analisado por outros profissionais, não é um tabu para Mano, que apenas acredita ser importante analisar a qualidade dos trabalhos apresentados pelos estrangeiros.

"A gente admira e respeita o trabalho dos técnicos que vêm aqui e fazem bom trabalho como estão fazendo o Jorge Jesus e o Jorge Sampaoli. Já vieram outros técnicos estrangeiros que o trabalho não foi tão bom. Então, pra mim, e provavelmente pra uma grande parte, não interessa se o técnico é daqui ou não, se ele é gaúcho, como falam da escola gaúcha, ele é técnico. Ele tem que fazer bons trabalhos, então a gente respeita muito isso, como estamos vendo agora. Isso tá mudando a referência momentânea do futebol brasileiro para melhor. Quando pessoas boas vêm, elas vão ajudar a melhorar, porque quem está também tem que melhorar, estamos enfrentando os caras, temos que ganhar deles", defendeu Mano, que ainda pediu mais respeito aos técnicos brasileiros.

"Não acho que a gente esteja tão defasado assim. É muito difícil trabalhar no Brasil, e eles também estão vendo como é difícil. Essa oscilação, essas coisas que a gente passa, às vezes a falta de uma estrutura melhor, mudança de jogador toda hora. Temos que respeitar também os técnicos brasileiros. Eu gosto da palavra respeito. O fato de você gostar de trabalho dos outros não te obriga a desrespeitar quem está trabalhando aqui há bastante tempo e os nossos novos técnicos que estão chegando também na nova geração e estão se formando bem."

Saída do Cruzeiro

Mano Menezes deixou o comando do Cruzeiro após derrota para o Internacional - GUSTAVO RABELO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Mano Menezes deixou o comando do Cruzeiro após derrota para o Internacional
Imagem: GUSTAVO RABELO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Mano Menezes também analisou sua saída do Cruzeiro, clube onde passou as últimas três temporadas e meia. De acordo com o técnico, era possível seguir no comando do clube mineiro, mas ele chegou à conclusão que o ciclo já havia se encerrado.

"O desgaste no Brasil é grande, existem trabalhos e trabalhos. Era possível continuar o trabalho no Cruzeiro com os jogadores, com o ambiente do dia a dia. Foi possível ver isso no jogo do Palmeiras (contra o Cruzeiro). Eu até fiquei emocionado, todos os jogadores, do goleiro ao ponta esquerda, os jogadores reservas vieram (cumprimentar). Eu tomei a iniciativa de conversar com as pessoas do Cruzeiro porque entendia que o momento precisava de uma mudança, entendi que precisava ser assim. Tratamos as questões no mais alto nível, tenho ótimo relacionamento com a direção do Cruzeiro", explicou o técnico, que acrescentou.

"O futebol, na minha visão, precisa de resultados. À medida que o resultado demora muito e para de vir, isso cria uma desconfiança no técnico mesmo, que perde a confiança nele, no trabalho, nas ideias. E o técnico não pode ter essa dúvida, porque aí ele não consegue transmitir pro time dele a confiança que precisa transmitir."

Por fim, o técnico salientou que os problemas envolvendo bastidores políticos acabam afetando o desempenho dos atletas. Mano ainda apontou que, em sua visão, algumas pessoas se deixam levar pelo sucesso recente e acabam deixando de lado outros aspectos importantes.

"O desgaste que me refiro não é do treinador com os jogadores. As pessoas, a partir de um determinado momento vitorioso no clube, começam a imaginar que as coisas andam sozinhas, que as bicicletas pedalam sozinhas. Elas passam a acreditar muito na estrutura e menos nos profissionais. Eles pensam que qualquer um pode jogar lá, qualquer jogador pode vestir a camisa do clube, que qualquer técnico pode dirigir. Não pode. Um clube de ponta exige muito dos profissionais que trabalham nele. Talvez essa seja a hora de o técnico não se expor mais, porque as pessoas passam a ter outros pensamentos e outros valores maiores que não são aqueles que nos levaram a vencer e a conquistar títulos", finalizou.