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Abel recusa fama de paizão no Cruzeiro, mas já blinda elenco de polêmicas

Treinador tem tido trabalho para deixar o grupo longe das polêmicas e trabalhar para evoluir dentro de campo - Vinnicius Silva/Cruzeiro
Treinador tem tido trabalho para deixar o grupo longe das polêmicas e trabalhar para evoluir dentro de campo Imagem: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

03/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Abel já resgatou jogadores antes pouco utilizados no Cruzeiro
  • Treinador atribuiu derrota na estreia à infelicidade e falta de sorte
  • Comandante conversou com torcida organizada e minimizou invasão no CT
  • Técnico conversa com o grupo para afastar elenco dos problemas extracampo do Cruzeiro

"É muita coisa para tão pouco tempo". Foi assim que Abel Braga iniciou seu pronunciamento improvisado de última hora depois que teve seu treinamento paralisado por causa da invasão de uma organizada do Cruzeiro na Toca da Raposa. A declaração que seria dada pelo treinador em seguida serviria para colocar panos quentes na relação já conturbada entre torcida e diretoria/jogadores. O caso foi só mais um exemplo do estilo do comandante, que chegou refutando a alcunha de 'paizão', mas que já tem sido obrigado a proteger seu elenco em menos de uma semana para lá de movimentada.

Apresentado no último sábado, Abel revelou não gostar de ser chamado de 'paizão'. Esse rótulo pegou devido ao seu histórico de bom relacionamento com os jogadores que treinou. Segundo Abel, ele sempre sairá em defesa dos seus atletas quando observar que a vontade de vencer estará presente dentro de campo. Mas, em menos de uma semana no Cruzeiro, o treinador já deu outros indícios de que tentará deixar o ambiente mais harmônico na Toca.

Para a partida de estreia, dois dias após sua chegada, Abel promoveu os retornos de Sassá e Edilson, jogadores tarimbados que sequer vinham sendo relacionados pelo antecessor Rogério Ceni. O atacante ficou os 90 minutos em campo, enquanto o lateral entrou após o intervalo. Mesmo após a derrota no Serra Dourada, o comandante defendeu seus atletas e disse ter visto o espírito que queria no semblante dos seus jogadores, atribuindo o tropeço à falta de sorte e infelicidade no gol tomado.

"Particularmente falando, e pelo que eu vejo dos outros jogadores, acho que o ambiente ficou mais leve. Ele trouxe um pouco mais de tranquilidade para nós no trabalho dentro e fora de campo. Conversa muito com a gente para nos deixar mais tranquilos, além de tentar nos tirar dessa situação [extracampo] que o clube enfrenta, para a gente concentrar mais no trabalho. Posso dizer que o clima está mais leve", comentou o volante Ederson, um dos jovens do atual time titular.

Reprodução Internet
Imagem: Reprodução Internet

Abel também precisou apagar o incêndio na última terça-feira. Ao ver a Toca da Raposa invadida por membros de uma organizada do Cruzeiro, ele permaneceu o tempo todo próximo da confusão e fez o possível para afastar seus jogadores do tumulto. Ao ver Edilson ser cobrado por um torcedor, o técnico foi flagrado pelas câmeras pedindo para o lateral se afastar, dizendo que ele mesmo iria conversar com os invasores. Dito e feito, Abel bateu um papo sozinho com os torcedores e acalmou os ânimos antes que o grupo deixasse o centro de treinamento. Por fim, Abel Braga ainda tratou de pedir a palavra na sala de imprensa para minimizar o ocorrido durante a tarde, dando um pronunciamento e reafirmando que o Cruzeiro continuará trabalhando forte para superar o momento complicado na temporada.

Agora, com uma semana cheia para preparar seu time, pode-se dizer que o treinador terá seu primeiro teste de fogo. Neste sábado, o compromisso do Cruzeiro será dentro do Mineirão diante do Internacional. A sequência ainda prevê outras duas decisões para a Raposa, que pegará o Fluminense e a Chapecoense nas próximas rodadas, dois concorrentes diretos na luta contra o descenso.

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